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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Conheça os bastidores da crise. Os maiores descompromissados ainda estão no Fla | ESPN.com.br

Conheça os bastidores da crise. Os maiores descompromissados ainda estão no Fla | ESPN.com.br


Conheça os bastidores da crise. Os maiores descompromissados ainda estão no Fla

por Lúcio de Castro, blogueiro do ESPN.com.br
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Há cerca de 10 dias me contaram que Assis ia procurar o homem da capa preta. Botar o Flamengo na justiça e pedir rescisão. Deixei quieto. O sujeito era muito bem informado mas não dava pra eu ir para as páginas com a notícia. Uma semana depois, anteontem, na última terça-feira, ia entrar no ar no Bate-Bola quando uma fonte acima de qualquer suspeita (sem qualquer ligação com nenhuma das partes), sujeito que conhece cada canto da justiça, cada advogado trabalhista, cada juiz, cada rábula, me avisou: “Pode falar que o Assis vai tirar o Ronaldinho do Flamengo. Vai mandar pro pau, não tem como perder. E o Flamengo sabe disso e no lugar de tentar negociar, salvar algo, fica esticando a corda”. 

No Bate-Bola de anteontem falei ao vivo: “O Assis vai pra justiça”. E acrescentei, brincando com João Canalha, maior apresentador da TV brasileira, o Chacrinha do século XXI, que, com Fernando Victorino, compõe o coração e a cabeça do programa: “E tá tentando baixar no seu time. É unilateral, uma tentativa, mas, vai que cola...”. Santista doente, ele ficou pensativo...Era informação também. Assis já disparava torpedos pra Vila. Unilateralmente, como eu disse.

O fato é que todo mundo sabia. Não caberá aqui a análise técnica de Ronaldinho no Flamengo. Muito menos disciplinar. Podemos ver isso depois, no BB1. Vamos falar dos fatos. O que levou os irmãos Assis a tal gesto, os últimos acontecimentos.

Assis e Ronaldinho Gaúcho tinham em mãos um presente que nem um pai generoso daria a um filho: a faca e o queijo na mão. No Flamengo do caos, da gestão que desconhece a grandeza da entidade que representa, a condução da negociação com o atleta não iria ser diferente: simplesmente quando a Traffic saiu da parada, e o Flamengo assumiu todo o ônus do direito de imagem (o maior valor do contrato), uma cláusula que provavelmente nem no velho Ipiranga de futebol de praia passaria estava lá: a falta de pagamento daria direito a rescisão! Cinco milhões de multa e mais o resto do contrato até 2014. Assinado pelo Flamengo.


Ronaldinho tem todas as armas para ganhar a causa do Flamengo; veja análise!
Crédito: Agência Estado
Não bastasse isso tudo, a parte que não era referente ao direito de imagem obviamente não atrasaria três meses para não dar brecha, certo? Errado. O Flamengo deixou passar, assim como o FGTS há 4 meses e o INSS que foi pago poucas vezes. 

Qualquer um pode ver esse contrato. Amanheça na rua do Lavradio 132 e peça o contrato do Ronaldinho Gaúcho. De posse da peça, ande alguns metros, faça o que Oswaldo Aranha fazia ou como os ministros de Vargas: vá até o Cosmopolita, que ainda vive e lembra a atmosfera do “Senadinho”. Ou no Capela. Curta a velha Lapa. Entre uma garfada e um chope, tente entender como o Flamengo deixou a animosidade chegar a tal ponto se tinha uma bomba dessas na mão. 

Fiz o mesmo. Ali mesmo conversei com uns 10 advogados trabalhistas, dos melhores que andam em profusão pela área já que o tal "rua do Lavradio 132" é o Tribunal Regional do Trabalho. Poucas vezes vi uma unanimidade tão veemente: “já era, não tem como o Flamengo ganhar essa parada. O Ronaldinho vai levar tudo. Quarenta milhões. Ao assumir o contrato no lugar da Traffic o Flamengo amarrou as coisas de modo inacreditável”. 

Inacreditável. Serão mais quarenta milhões. Não adianta xingar Ronaldinho. Tem que pensar em gestão, em quem não se preocupa com o futuro da instituição. E jornalista que fala apenas de noitada, etc, e se poupa da análise estrutural, do todo, nem merece o nome do ofício.

Como já disse, podíamos analisar Flamengo, performance de Ronaldinho, um monte de coisa. Já fizemos e faremos. Aqui vamos nos ater ao caso e aos últimos dias. Informações, fatos.

Foi um jogo de gato e rato. Os dois se achando espertos. E só um era. Do lado do Flamengo, as mesmas táticas de sempre quando quer se livrar de algo: no lugar do bom senso, a truculência, tentar fazer as coisas pelas vias tortas. Alimentar os mesmos matérias-pagas de sempre para caluniar, cercar no fim de jogo, vaiar, incentivar substituição de jogador pra tomar vaia, vazar notícia de noitada aos mesmos manjas de sempre, alimentar os matérias-pagas de sempre pra “dar susto na noite”, tudo o que já sabemos, um repertório incompatível com a modernidade e a grandeza de um clube como o Flamengo, grandeza essa desconhecida por quem está lá. Se fizeram com Zico, como não fazer com um cara que, de sua parte, era useiro e vezeiro em errar?

Esticando a corda para ver se ele pedia para sair em vez de tentar negociar, deram duas advertências ao craque nos últimos dias. Uma delas, com direito a exame de sangue para ver quantidade de alcool. Diante do resultado do exame, era possível pedir a justa causa. Tinham bela oportunidade para acabar com um problema (lembrai-vos Renato Silva e Fluminense, quando a justiça aceitou a justa causa). Preferiram o de sempre: o jogo nas sombras, da covardia, calúnias, bravatas, vazar a notícia, denegrir. Mandar os outros fazer, esticar a corda e ficar na penumbra. É a marca maior dessa administração, porque seria diferente agora?

E mais uma vez perderam a chance. Vendo o jogo esquentar, duas advertências na folha, sabendo a mando de quem está quem persegue na noite, quem cerca carro, o staff de Ronaldinho deixou tudo pronto para dar entrada ali no homem da capa preta. Tinham a faca e o queijo na mão, fruto de uma sucessão de desastres como poucas vezes se viu no futebol mundial.

Bobo é quem acha que um diretor sem preparo falando bravata para aparecer como importante foi motivo. Tava tudo pronto. O presente tinha sido dado há muito tempo. E o Flamengo sabia. Mesmo assim esticou a corda. Mas afinal, qual o problema? O dinheiro não é de ninguém ali mesmo. E o compromisso com a instituição muito menos também. Ronaldinho também teve pouco compromisso com a instituição. Mas não enxergar que acima dele tem gente com muito menos compromisso é ver apenas o dedo quando ele aponta a floresta.

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