BLOG DO VICENTE CIDADE

Este blog tem como objetivo falar sobre assuntos do cotidiano, como política, economia, comportamento, curiosidades, coisas do nosso dia-a-dia, sem grandes preocupações com a informação em si, mas na verdade apenas de expressar uma opinião sobre fatos que possam despertar meu interesse.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Wlad sai do PMDB e vai para o PSD !!

Fiquei sabendo, nessas conversas a boca pequena, que o deputado federal Wlad, o mais votado do Pará, estaria de mala e cuia prontas para embarcar na canoa do Lorota, de fato e de direito.

Segundo soube, o deputado Wlad está só aguardando o resultado do julgamento de legalização do PSD para deixar o PMDB rumo a mais nova legenda "lorótica" de aluguel, esta comandada aqui pelo "corpo" direito de Jatene, Sergio Leão.

Do ponto de vista político, esse movimento representa, pelo lado do deputado, que Wlad acredita que seja a hora de decretar sua "independência" política do "Ficha Suja Mor" do Pará, deixando o partido do "Sobrancelhudo", presidido com "guarras de ferro" e que está sendo transferido como herança para o "sobrancelhudinho".

Por conta disso, provavelmente o deputado Wlad sabe que sua votação, acima de 200 mil votos, é capaz de lhe reconduzir tranquilamente à Câmara sem precisar de ninguém, mesmo numa legenda nova, ou ainda, esse movimento pode torná-lo um candidato em potencial para concorrer à vaga de senador apoiado pelo Lorota. Há de se considerar também o desejo que Wlad nunca escondeu de tornar-se prefeito de Barcarena.

Contudo, olhando agora do ponto de vista partidário, Jatene está novamente fazendo a mesma estratégia que já fizera durante o seu primeiro governo, que é o fortalecimento de uma legenda alternativa ao PSDB, neste caso o PSD, que negociou com Kassab. Para tanto, Jatene investirá suas fichas no enfraquecimento do PR e do PMDB, sabendo que o enfraquecimento do PMDB é uma condição importante para qualquer governo.

Jatene sabe que ninguém consegue governar tendo o PMDB na base de apoio como aliado mais forte da relação política. O PMDB tem como característica partidária o oportunismo, sua meta em qualquer governo é sempre enfraquecer o governante e valorizar sua condição de "aliado" mais forte da base. Desta forma, sempre se mantém dando apoio de um lado e criando crises e desgastes do outro.

Só o pessoal do Paulo Rocha nunca viu isso, permitindo que o PMDB "sangrasse" o nosso governo até a derrota.

Certamente o "sobrancelhudo" também não vai ficar parado vendo a movimentação de Jatene, veremos que movimento ele fará. Por hora, é só esperar o circo pegar fogo !!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O pré-sal vai de vento em pôpa

O pré-sal vai de vento em pôpa



Como quase não passa um dia sem que os jornais tragam alguma notícia negativa em relação à Petrobras, quando as novidades são boas, a gente tem quase de espalhar a informação.
Hoje, o  gerente de planejamento de Exploração e Produção da estatal, Mauro Yusi Hayashi, anunciou que a produção do pré-sal brasileiro já atinge 130 mil barris/dia. E vai chegar a 1 milhão de barris/dia, em seis anos.  Podia até ser mais, mas o engenheiro Hayashi explica porque a limitação.
- Temos que calibrar a curva de produção com a capacidade das unidades de produção. Não adianta perfurar muitos poços se a plataforma tem limitação. O crescimento da produção está limitada por isso e um melhor desempenho dos poços vai se refletir num tempo de vida maior dos poços.
Aí está o motivo de ser tão importante investir na expansão no nosso parque de refino: se não tivernos capacidade de processar parte do petróleo excedente ao nosso consumo, teremos de exportá-lo em bruto. É um bom negócio, mas o de exportar derivados de primeira geração – obtidos diretamente do refino – e de segunda geração, produzidos pelas indústrias petroquímicas, estaremos desperdiçando a chance de ampliarmos não apenas nossas receitas, mas nossas indústria, os empregos e a cadeia de conhecimento que este setor produz.
Além da Petrobras, há previsão de enorme crescimento na produção de outras petroleiras – especialmente a OGX e a Repsol-Sinopec, na Bacia de Campos, e, portanto, de maiores excedentes.
Por isso, é esdrúxula a ideia de sair correndo com novas licitações, sobretudo quando pode – possibilidade, apenas, mas possibilidade – de ter sido descoberta uma nova área de grande capacidade (e qualidade) ao largo do litoral de Sergipe. O índice de sucesso exploratório da Petrobras no pré-sal é de cerca de 80 por cento, enquanto na média mundial é de 30 por cento, o que, segundo Hayashi, reduz custos imensamente, ao diminuir o número de poços a serem perfurados.
Não podemos deixar que ocorra com o petróleo o mesmo que ocorre com o ferro: correr para exportar, ter lucro rápido e não usa-lo como ferramenta do desenvolvimento nacional

Cai por terra mais uma Lorota do Simão !!

Neste final de semana mais lorota do governo tucano caiu por terra, desta feita com relação as viaturas da polícia e, principalmente, ao modelo de segurança implantado no governo do PT.

Todos se lembram do estardalhaço feito pela oposição, inclusive o PMDB, quando a governadora Ana Júlia inovou a gestão de segurança pública no estado, implantando o conceito de Ronda Comunitária na região metropolitana de Belém e em outros municípios maiores do estado.

O modelo de segurança implantado baseava-se principalmente na presença física da polícia como elemento inibidor da violência. Para tanto, o governo fez concurso público e contratou novos policias, dividiu a operação em pequenas zonas e nelas alocou viaturas fixas, onde a população podia acionar diretamente a patrulha mais próxima, posto que cada viatura dispunha de telefone celular próprio, cujo o número era disponibilizado aos residentes daquela área. Assim, a população podia contar tanto com o serviço 190, do Comando Geral ou mesmo ligar diretamente para a viatura.

Para que o modelo desse certo era fundamental acabar com uma cena munto comum anteriormente nas delegacias do estado, a superlotação dos pátios das delegacias com viaturas paradas por falta de manutenção e condições de trabalho.

A solução encontrada fora a alocação dos carros, o que tornou o serviço muito mais eficiente, pois essas viaturas eram imediatamente substituídas ao primeiro sinal de defeito, isso permitia que todo o efetivo de patrulhamento estivesse o tempo todo a serviço da população.

Pois bem, ao perceberem que o modelo estava correto e que daria frutos para a sociedade, a oposição se viu diante de uma ameaça política, passando então a detonar o modelo. Na época a oposição resolveu fazer "cavalo de batalha" com a contratação por aluguel das viaturas do sistema, alegando que o aluguel de viaturas era inconcebível, um absurdo.

Ao assumir o governo o Lorota chamou a imprensa para, segundo eles, denunciar o abandono de "centenas" de viaturas próprias que estavam estacionadas e sem uso no pátio do Comando Geral. Na ocasião o Lorota prometeu recuperá-los e colocá-los em operação, assim como renovar a frota da polícia com novas aquisições.

O discurso do Lorota saiu caro para a sociedade, o novo comando da polícia que havia abandonado o modelo implantado pela governadora Ana Júlia ficou perdido, as patrulhas sumiram das cidades e a partir daí o que se viu foi a explosão da violência no estado e principalmente na Região Metropolitana de Belém.

Sem alternativa o Lorota agora teve que reconhecer a competência do governo do PT e retomar o modelo implantado pela governadora Ana Júlia.

Depois de tantas críticas vazias o Lorota contratou inclusive a mesma empresa que fornecia os carros para o governo passado, a Delta Engenharia, que eles acusavam de não ter atribuição para a modalidade. Ou seja, mera retórica, a Delta Engenharia não só vai continuar fornecendo as viaturas ao estado, como o governo vai ampliar o contrato.

Cadê a imprensa para pautar o assunto?  

Porém, é claro que ele jamais reconhecerá os méritos do PT e como não podia deixar de ser, inventou que agora os carros são melhores, o preço é menor e por aí vai. Tudo papo furado.

O novo contrato foi feito num horizonte de maior prazo, ou seja, pelo menos os quatro anos do Lorota, isso, obviamente, amplia a capacidade da empresa em alongar o seu retorno, portanto sendo não só natural, como obrigatório a redução dos custos do contrato.

Por fim, o comando de segurança do governo tucano abriu mão do conceito de Ronda Comunitária estabelecido pelo governo do PT, onde a população podia acionar diretamente a viatura mais próxima, optou, como de costume, pela centralização do comando num modelo de geo posicionamento, foi uma escolha.

Portanto, esta é mais uma verdade que vem à tona, a lorota foi desfeita de novo. Jatene foi eleito para fazer mudança, mas até agora, tudo o que mudou foi para pior.

O povo saberá reconhecer isso !!!  
  

domingo, 25 de setembro de 2011

Carona e oportunismo !!

A malandragem dos senadores tucanos não tem limites. Ao saberem que o governo irá apresentar ao Congresso algum projeto importante, eles tentam se antecipar e apresentar o mesmo projeto.

A bola da vez agora foi o oportunista tucano Aércio Neves que, ao saber o governo apresentará o projeto de reforma da tributação da atividade mineral no país, resolveu apresentar o "seu" projeto substitutivo. Com isso vai sair por aí dizendo que o projeto foi de sua autoria.

Alias, exatamente como aconteceu aqui com o Flexa Ribeiro, que em sua campanha só faltou dizer ter sido ele o criador do universo.

Vale tudo !!

Estabilidade catastrófica, por Krugman | Brasilianas.Org

Estabilidade catastrófica, por Krugman | Brasilianas.Org



Estabilidade catastrófica, por Krugman


Por maurobrasil
Segue abaixo uma tradução minha de um didático post do Paul Krugman:

Eu custumo olhar um pouco para o mercado de títulos "breakevens" - a diferença nas taxas de juros entre os títulos convencionais e os protegidos da inflação com os mesmos vencimentos, que dão uma medida das expectativas de inflação. Não é uma medida perfeita, uma vez que há questões de risco e liquidez envolvidas, e de qualquer maneira o que os investidores esperam não é necessariamente o razoável. Mas os breakevens dão uma leitura rápida sobre o assunto, e podem ser úteis para pensar sobre onde estamos.
Então, vamos olhar para os breakevens alemães:
O mercado parece esperar estabilidade de preços para a Alemanha - uma taxa de inflação de não mais que 1 por cento nos próximos cinco anos. O que tem uma clara mensagem: é a sinalização de catástrofe para o euro.
Por quê? Tentei colocar isso há um tempo atrás. Uma estimativa razoável seria que a Espanha e outros periféricos necessitem reduzir os seus níveis de preços relativos à Alemanha em cerca de 20 por cento. Se a Alemanha tivesse 4 por cento de inflação, eles poderiam conseguir isso em cerca de 5 anos mantendo preços estáveis ​​na periferia - o que implicaria numa taxa de inflação geral da zona do euro em algo como 3 por cento.
Mas se a Alemanha vai ter apenas 1 por cento de inflação, estamos falando de uma deflação enorme na periferia, o que é um tanto difícil (provavelmente impossível) como proposição macroeconômica, aumentando e muito o peso da dívida. Esta é uma receita para o fracasso, e para o colapso.
Outra maneira de dizer isto é afirmar que o euro só terá chance de funcionar caso o BCE pratique políticas muito mais expansionistas e, sim, políticas muito mais inflacionárias do que o mercado espera no momento. Se você não acha que isso seja uma possibilidade, pode dizer adeus ao projeto do euro.

sábado, 24 de setembro de 2011

Divisão do Pará - Perder a Mina de Carajá não é perder nada ??

A estratégia adotada pelos defensores da divisão do Pará insiste em apresentar o argumento de que não haverá perda para o Pará remanescente com a divisão.

A campanha pela emancipação apela para um conjunto de números que, supostamente, demonstraria inclusive ganhos com a separação, o que aliais não deve ser levado a sério, pois, segundo eles vem divulgando em debates aqui em Belém, os municípios “daqui” estariam sustentando os de “lá”.

Será que eles dizem a mesma coisa lá? É claro que não. Lá eles dizem o contrário, que são eles que nos sustentam.

Independente desta questão dos números, a pergunta a se fazer é a seguinte: Como o Pará não perderá com a divisão se “perderá” de seu território a maior província mineral do planeta?

Na postagem anterior que fiz sobre o tema, mencionei o fato de que pode ser possível ocorrer mudanças nos marcos legais do setor mineral e, se isso ocorrer de fato, certamente o estado dará um grande, imenso, estupendo salto de arrecadação.

De acordo com o que está em discussão no Congresso, as alíquotas do CFEM podem passar de 2% do lucro líquido para 4% da receita bruta dos empreendimentos do setor mineral. Há ainda a perspectiva de rediscussão da Lei Kandir, pelo menos para produção de bens minerais não renováveis.

Portanto, a possibilidade de perda para o Pará é inquestionável, só mesmo uma estratégia maluca pode sustentar esta tese de que não haverá perdas.

Como diria minha avó, “eles estão certos. Errados, é quem der razão pra eles”. Faz sentido !!

Altamiro Borges: A regulação da mídia na América Latina

Altamiro Borges: A regulação da mídia na América Latina: Do sítio do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação ( FNDC ): Em sua mais recente publicação, “Vozes abertas da América Latina:...

Divisão do Pará - artigo do professor Fábio Castro

O professor Fábio Castro está publicando em seu blog, Hupomnemata, uma coletânea de postagens a respeito da divisão do Pará. Destaco aqui as três últimas, que juntas compõe um excelente artigo e revela que a proposição em voga não passa de mero oportunismo.

Confira as postagens com o título Desconstruindo a divisão. 
  

Brizola Neto - O pensamento escravocrata

O pensamento escravocrata

Inacreditável como existem pessoas dotadas de frieza e desumanidade. Diversos comentários na matéria “Aviso prévio maior pode beneficiar domésticos” , publicada hoje na Folha, dão um show de pensamento escravocrata.
Diante da explicação de que uma empregada doméstica, depois de trabalhar por vinte anos (!!!!) para uma família, ao ser despedida de forma imotivada, terá direito a 60 dias mais de salário, estas pessoas só faltam dizer que isso arruinará o país, tirando sua competitividade(!!!).
Meu Deus, uma pessoa que passa vinte anos numa casa, que vê crianças crescerem e tornarem-se adultas, e muitas vezes é até responsável por parte de sua educação,  deve poder ser expulsa a pontapés, sem ter cometido nenhuma falta? Deve poder, não é, porque a idade já não lhe permite pendurar-se nas janelas a limpar vidraças,  ou ajoelhar-se para limpar o chão,  ou para tarefas pesadas…
Incrível que não apareça um comentáriozinho sequer dizendo que é uma proteção mais do que merecida para quem deu uma vida de trabalho a uma família…
Temos uma sub-elite escravocrata, que assiste inconformada os pobres serem tratados como seres humanos, ascenderem, educarem-se e a seus filhos. É dever de todas as pessoas dotadas de humanidade – inclusive e sobretudo os que têm papel de responsabilidade ao fazerem comunicação -  mostrar como pode ser monstruoso deixar um trabalhador ao desamparo, sobretudo empregadas domésticas, em geral mulheres de pouca instrução e recursos, às quais, aos 5o ou 60 anos é difícil conseguir outro emprego, justamente por lhes faltarem as forças que neste tipo de atividade os patrões querem delas…
E a nossa mídia, que explica tudinho aos empregadores, até com gráficos, não consegue dizer que isso representa apenas  um mínimo de proteção a gente que trabalhou tanto tempo. E que, no caso dos empregados domésticos, nem mesmo com o FGTS conta…
Escrevi, sobre isso, há dois dias, um post sobre uma destas visões frias e cruéis na Folha. E sobre a “conta de chegar” feita pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro para aunciar o gravíssimo ” custo Brasil” que isso irá representar. Felizmente, a CNI não acompanhou tamanha insensatez e julgou razoável a medida.
Essa é a mente escravocrata que nossa mídia, que se diz tão cosmopolita, cria em parte da classe média brasileira. E temos, sem medo da polêmica, de enfrentá-la, em nome da dignidade humana.
E perguntar-lhes, olhos nos olhos: e se fossem seus pais, seu avós? Porque são pobres, mulatos, negros, devem servir e, após, morrer?

UFA !! MENGÃO TIRA O DEDO !!

Mesmo jogando mal, Fla vence América-MG de virada e quebra jejum | globoesporte.com


Mesmo jogando mal, Fla vence 

América-MG de virada e quebra jejum


Time, que não vencia há dez partidas, melhora no segundo tempo. Mas gol de cabeça de Thiago Neves aos 43 foi irregular: Deivid estava impedido

Por GLOBOESPORTE.COMRio de Janeiro

Depois de dez rodadas - não ganhava desde o dia 6 de agosto -,  o Flamengo voltou a vencer no Campeonato Brasileiro. Mas foi uma virada sofrida. Os poucos rubro-negros que se aventuraram a ir ao Engenhão debaixo de chuva e frio - a maioria dos 6.886 pagantes - ainda alimentavam a esperança de ver a equipe mais agressiva, com vontade de pôr fim ao longo jejum. Foi só a bola rolar para perceberem que o duelo no Engenhão com o lanterna América-MG seria complicado. Muito em parte por causa do técnico Vanderlei Luxemburgo, que escolheu uma formação confusa para o time. Após a apatia no primeiro tempo, o treinador promoveu três alterações no segundo. Ofensivo e pelo menos com mais disposição, conseguiu virar a partida e sair de campo com vitória por 2 a 1.
Mal na partida, Thiago Neves ao menos marcou o gol da vitória, de cabeça, aos 43 minutos. Só que de forma irregular. Na jogada, Deivid estava impedido. O América abrira o placar no primeiro tempo, com gol de pênalti de Kemps. Na segunda etapa, após as alterações de Vanderlei, Deivid empatou aos 16, para depois o camisa 7 rubro-negro marcar o gol salvador..
Apesar do resultado, o time não conseguiu voltar ao G-5, pois o Fluminense conseguiu empatar com o Atlético-PR por 1 a 1, soma também 41 pontos e ganha dos rubro-negros no critério de desempate por vitórias - 13 contra 10. Na próxima rodada, o Flamengo terá um jogo importante e bem difícil: vai encarar o São Paulo, domingo, no Morumbi. O América-MG, que permanece na lanterna, com 19 pontos, vai encarar no sábado, no Pacaembu, o Palmeiras.
renato abreu flamengo x américa-mg (Foto: Jorge William/Globo)Melhor um pouco na segunda etapa, Renato Abreu tem má atuação na vitória (Foto: Jorge William/Globo)
Sem o zagueiro Alex Silva e Ronaldinho, suspensos pelo terceiro cartão amarelo, e o volante Willians, com problemas musculares, Vanderlei optou por um esquema com dois volantes - Maldonado e Aírton -, dois meias - Renato Abreu e Bottinelli - e apenas um atacante - Jael.
O time parecia um bando. Com lentidão na saída de bola - os laterais pouco apareciam para o jogo e os meias abusavam no erro de passes, principalmente Thiago Neves e Bottinelli -, o Flamengo só conseguiu levar perigo numa cobrança de falta de Renato Abreu, por cima do gol. E só. Thiago Neves parecia um outro jogador, com dificuldades de progredir as jogadas. Bottinelli não parava de irritar a torcida. Jael mal conseguia matar a bola... Com 20 minutos de jogo, a equipe já estava sob vaias.
Gol do América
Com tantos erros e sem o menor interesse de jogar futebol, a equipe rubro-negra deu asas ao América-MG, cujo objetivo inicial era explorar os contra-ataques. Aos poucos, o time de Givanildo percebeu que a vitória era possível. E só não saiu do primeiro tempo com uma goleada porque o goleiro Felipe não deixou. Fez duas defesas sensacionais - um chute da meia direita de Kemps, aos 16, e uma falta cobrada por Amaral com perigo, aos 44.
Em outro lance, aos 20, lançado por Luciano, outro destaque do Coelho, Kemps levou vantagem sobre Maldonado e David Braz, de volta ao time completamente sem ritmo após ter contraído amidalite e infecção pulmonar - não jogava desde 10 de agosto, quando o time bateu o Atlético-PR por 1 a 0  pela Copa Sul-Americana. O camisa 11 do Coelho também tirou Felipe da jogada, mas bateu para fora, inscrevendo-se no Inacreditável Futebol Clube.
Sorte do atacante é que, aos 28, Bottinelli facilitou as coisas ao cometer pênalti numa entrada ridícula em Luciano. Dessa vez, Kemps não perdoou. Felipe até foi no canto direito, mas a bola morreu no fundo das redes, aos 29.
Foi o suficiente para o Flamengo ficar mais tenso na partida. Até Felipe, destaque do time, quase entregou o ouro, ao sair mal numa jogada. Nada foi pior, no entanto, do que a chance perdida por Bottinelli. O passe de Jael - incrível, mas é verdade - foi na medida para o meia bater fraco e sentenciar sua saída para a segunda etapa. Àquela altura, tanto ele como Thiago Neves eram os alvos preferidos da torcida, que passou a perseguir também Léo Moura, em péssima fase, e Vanderlei Luxemburgo.
Reação do Fla
O treinador rubro-negro arriscou todas as fichas ao fazer três mexidas de uma vez só no intervalo. Trocou Maldonado por Diego Maurício, Bottinelli pelo garoto Thomás e Jael por Deivid. O time ficou num 4-3-3. Com Diego Maurício pela direita, Léo Moura, finalmente, fez uma jogada certa ao ir à linha de fundo e centrar na medida para Thiago Neves não alcançar a bola e perder um gol feito na pequena área.
Logo depois, Júnior César, na altura da meia-lua, bateu de fora da área, obrigando Neneca a trabalhar pela primeira vez na partida, espalmando para escanteio. O pequeno domínio do Flamengo no começo da segunda etapa não o livrava de sustos. O América esperava o momento certo de dar o bote, e Luciano só não ampliou o placar porque Felipe fez a terceira grande defesa na partida. Thiago Neves continuava mal. Chegou a esbarrar em
Mas Léo Moura acordou por cinco minutos. O suficiente para fazer outra boa jogada de linha de fundo e centrar na medida para Deivid, que, mesmo cabeceando no meio do gol, escorou para as redes, marcando seu 10º gol na competição e empatando a partida aos 16 minutos.
Dominado pela primeira vez na partida, Givanildo mexeu no América. Tirou Luciano e Sheslon para pôr Rodriguinho e Gláuber.  Depois, trocou Kemps por Irênio. Já queria segurar o empate.
O Fla continuou na pressão, e, aos 43, após rebatida de bola em lance de Deivid, impedido, Thiago Neves escorou de cabeça e virou a partida. Welinton ainda fez o torcedor tremer até o fim ao cometer falta quase dentro da área aos 48. Mas a vitória tão esperada chegou. Pelo menos, o time saiu do sufoco.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Plebiscito sobre a Divisão do Pará pode ser uma perda de oportunidade para o estado

Assistir nesses dias um debate sobre a divisão do estado do Pará que serviu para reafirmar a minha convicção de que a realização do plebiscito, embora muito importante, não deveria ser a agenda central do estado, pois o momento é de aproveitar a “maré” favorável da retomada dos investimentos infraestruturais no país.

A classe política paraense deveria estar empenhada em garantir ganhos para o estado, mas, infelizmente, o que estamos fazendo é se digladiando num debate extemporâneo, enquanto o tal “cavalo selado” passa por nós.

Digo isso porque depois de décadas de paralisia dos grandes investimentos públicos, o estado brasileiro voltou a investir pesado na infraestrutura do país, o que, na Amazônia, não ocorria desde os tais Planos Nacionais de Desenvolvimentos, os chamados PND’s.

Com o governo do PT de Lula e agora Dilma, através do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, o governo retomou investimentos no Pará que há décadas estavam paralisados, como o asfaltamento das rodovias BR 163 e Transamazônica, ampliação do porto de Villa do Conde, viabilização da hidrovia Araguaia-Tocantins, contando com a histórica conclusão das Eclusas de Tucuruí, a construção da usina hidroelétrica de Belo Monte, a extensão da ferrovia Norte-Sul até Belém e finalmente, e não menos importante, alias mais importante, a implantação do pólo siderúrgico em Marabá a partir da construção da ALPA.

Há ainda, no campo político, uma rediscussão da tributação sobre as atividades minerais no país, que pode elevar a CFEM (tributo pago pelas mineradoras) de 2% do lucro líquido das empresas mineradoras para 4% do faturamento bruto, ou seja, a arrecadação dos estados e dos municípios mineradores pode dar um salto em três ou quatro vezes mais do que é arrecadado hoje. Além do combate à famigerada Lei Kandir sobre commodities não renováveis e a não cobrança de ICMS, que é um tributo estadual, sobre a produção de energia.

Todas essas ações têm impacto direto na perspectiva de um crescimento econômico sustentado e de longo prazo para o Pará, mas, no momento, as “elites” estão preocupadas em garantir seus “nacos”, pouco importando se todos esses projetos estejam ameaçados pela falta de vigilância política.

A ameaça a que me reporto é pelo fato de que há, sempre houve e sempre haverá, constante disputa pelos recursos, já que é sabido por todos, que eles são escassos e que os recursos da União destinados aos Estados sofrem também uma disputa política pela sua priorização.

Não acredito portanto, que este seja o melhor momento para se discutir divisão, muito menos, que a transformação de um “gigante” em três “anões” vá aumentar nossa capacidade de pressão junto à União.
Unidos, os três territórios como um único Pará, temos mais pontos em comum do que divergentes, separados, seremos cada um por si. Brigaríamos entre nós por mais espaço, recursos e por aí vai. 

Blog do Bordalo -Nota de Esclarecimento

Blog do Bordalo


QUINTA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 2011

Nota de Esclarecimento

Após ouvir as declarações feitas pela coordenadora do Pró-Paz, Sra. Izabela Jatene, de que a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tráfico Humano (CPI-TH) teria quebrado protocolos, sem mencionar quais sejam os referidos protocolos, veiculadas pela imprensa, ao trazer até a Assembleia Legislativa para prestar informações, a adolescente que foi vitimada e abusada sexualmente, durante quatro dias, dentro da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, órgão da estrutura da SUSIPE (Sistema Penitenciário do Pará), este vinculado diretamente ao governador do Estado do Pará.

Esclarecemos o seguinte:
1 - A CPI, instalada em 22.03.11, através do requerimento nº 70, de 2011, de autoria do deputado Edilson Moura (PT), sob a presidência do deputado João Salame, e relatoria do deputado Carlos Bordalo (PT), com o objetivo de investigar o tráfico de pessoas no âmbito do Estado do Pará, tomou conhecimento, inicialmente, através da imprensa local, de que, uma adolescente de 14 anos foi aliciada por pessoa ainda não identificada, no distrito de Outeiro, com objetivo de exploração sexual e financeira, tendo sido a mesma levada para dentro das estruturas da Colônia Agrícola Heleno Fragoso e, assim, abusada e explorada sexualmente por detentos daquela unidade penitenciária.
2 - Considerando que esta CPI do Tráfico Humano objetiva a investigação de todo e qualquer caso de recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, usando de ameaça, força, coação, a exemplo de rapto, da fraude, do engano ou pelo aceite de pagamentos em que o autor se aproveite da situação de vulnerabilidade dessa pessoa para obtenção de seu consentimento, ou ainda, quando se verifique que uma pessoa tem autoridade sobre a outra, para fins de exploração, da prostituição ou outras formas de exploração sexual, trabalhos ou serviços forçados, escravaturas ou práticas semelhantes a escravatura, a servidão ou à remoção de órgãos, conforme preceitua, muito claramente, o protocolo de Palermo.
3 - Nesse sentido, não poderia esta Comissão se abster de sua responsabilidade em, diante dos fatos apresentados na imprensa, procedendo com os atos pertinentes, onde no caso concreto considerou necessária a Oitiva do Conselheiro Tutelar Benilson Silva que atuou no caso, visto que existiam fortes indícios de que o fato não fazia parte de uma situação isolada, mas sim de uma rede de aliciamento de menores e adolescentes para fins sexuais nos presídios, ou seja, pelas características do fato, o mesmo se revestia de tipicidade como sendo de tráfico humano, sendo dessa forma necessária a escuta da adolescente vitimada, para que não pairassem dúvidas acerca dessa mesma tipificação.
4 - Neste sentido a menor foi ouvida por deputados da CPI e pelos presidentes das Comissões Permanentes de Segurança Pública e de Defesa dos Direitos Humanos do Poder Legislativo Estadual, deputados Cássio Andrade (PSB) e Edilson Moura (PT), respectivamente.
5 - Não interpretamos desta feita, como reproduz a Senhora Izabela Jatene na imprensa local, que esta CPI tenha, de alguma forma, quebrado qualquer protocolo no campo dos direitos humanos. Os protocolos que se vêem quebrados são as prerrogativas dos Conselheiros Tutelares, a exemplo do que ontem fez a DATA que retirou a adolescente do abrigo onde a mesma se encontrava, sem a autorização do Conselheiro Tutelar responsável pela vítima violando o disposto no Art. 137 do ECA, o qual afirma que a “As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade judiciária ou a pedido de quem tiver legítimo interesse”
6 - A adolescente se fizera acompanhada do Conselheiro Tutelar, e a todo instante fora preservada sua intimidade, sendo as informações por ela prestadas para uso interno da CPI e para ulterior relatório. Sua convocação se dá por necessidade imperiosa da sociedade que sonha com dias melhores, livres do flagelo do tráfico de pessoas e da exploração sexual dentre outros crimes que assolam nosso povo.

Blog da Franssinete Florenzano: O Pará unido é forte

Blog da Franssinete Florenzano: O Pará unido é forte: Muito importante a união suprapartidária da bancada federal do Pará e o governador Simão Jatene, em função da hidrovia do Tocantins/Aragua...


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Pará unido é forte



Muito importante a união suprapartidária da bancada federal do Pará e o governador Simão Jatene, em função da hidrovia do Tocantins/Araguaia, Santarém/Cuiabá, federalização da PA-150 e a construção do Porto de Marabá, obras excluídas do PAC 2. A Associação Comercial do Pará também tem se posicionado com firmeza a respeito do tema. Por sua vez, mesmo sem mandato, a ex-governadora Ana Júlia Carepa, em cujo governo foram inauguradas as eclusas de Tucuruí, depois de três décadas de luta, e que deixou licenciado e licitado o derrocamento dos pedrais no rio Tocantins, a fim de permitir a navegabilidade até os portos de Belém e Vila do Conde, em Barcarena, está empenhada junto à ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Míriam Belchior. É assim que da população parauara espera que se comportem seus representantes: unidos em prol do bem de todos.

Jatene foi muito feliz ao ressaltar que as obras são estratégicas não só para o Pará mas também para o País, uma vez que garantirão transporte mais eficiente e barato, integrando as regiões e permitindo a competitividade dos produtos brasileiros, além da geração de novos negócios, com o consequente aumento da oferta de emprego e renda. É isso que a presidente Dilma Rousseff precisa compreender: trata-se do interesse nacional.

Entretanto, com o devido respeito, duvido da eficácia dessa reunião com o Ministro Paulo Passos – é público e notório que ele não pode garantir sequer se continuará ministro dos Transportes na semana que vem.  O tema deve ser tratado com quem tem poder de decisão: a própria presidente da República, ou, na impossibilidade, as ministras Gleisi Hoffman, da Casa Civil, e Míriam Belchior, que coordena as obras do PAC.

É preciso também cobrar da Eletronorte sua responsabilidade: o Sistema de Transposição de Tucuruí foi inaugurado mas até hoje não existem as providências necessárias que permitam a eclusagem das embarcações regionais, além dos comboios de balsas. A estatal deve isso e muito mais ao Pará, afinal nosso rio ficou fechado trinta anos por causa da barragem da usina hidrelétrica de Tucuruí.

Além do mais, é preocupante essa história de que a Vale será convocada a assumir as obras da hidrovia. É evidente que a empresa dá muito pouco ao Pará. Mas, como qualquer empreendimento privado, visa ao lucro e toda cautela é pouca. Note-se o exemplo do porto de Vila do Conde, que atende prioritariamente a Vale, a Albrás e a Alunorte. A hidrovia não pode ter seu uso restrito. E muito menos o povo do Pará ficar sem a Alpa, a siderúrgica da Vale em Marabá.

A Grécia deve declarar moratória e abandonar o euro. O verdadeiro debate é como


A Grécia, forçada a abandonar a zona do euro

A moratória grega e a saída do euro devem atender ao interesse público — não se pode deixar o processo nas mãos da União Europeia, do FMI e dos bancos
A Grécia está diante de um desastre econômico e social, como resultado do assim chamado resgate pela troica da União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu. A Grécia deve mudar de curso para evitar um futuro sombrio para seu povo: deve declarar moratória de sua dívida e sair da zona do euro.
Considerem primeiro a escala da crise. Depois das contrações de 2009 e 2010, o PIB caiu mais 7,3% no segundo semestre de 2011. O desemprego se aproxima de 900 mil pessoas e há projeção de que deve exceder 1,2 milhão de pessoas, numa população de 11 milhões. Estes dados nos fazem lembrar da Grande Depressão dos anos 30.
As causas claramente se encontram no programa econômico da troica. No início de 2010 a Grécia estava de fato falida. Com sua sabedoria, a troica impôs políticas de austeridade severa e desregulamentação consistente com a ideologia neoliberal da União Europeia. Previsivelmente, a demanda desabou e o crédito bancário se tornou escasso, resultando no esmagamento do coração da economia grega.
As implicações sociais são catastróficas. Comunidades inteiras foram devastadas pelo desemprego, com a perda dos meios de sobrevivência e a perda das normas, costumes e respeito trazidos pelo trabalho regular. O escambo é usado pelos pobres e pelos nem tão pobres. Nos serviços médicos em bairros da classe trabalhadora há falta de provisões básicas. Escolas e transporte estão se desintegrando. As pessoas estão abandonando as cidades e retornando à agricultura, um sinal claro de regressão social.
Com o aprofundamento da recessão, o programa da troica fracassou mesmo em atingir suas próprias metas. O déficit do orçamento de 2011 deve chegar aos 10% do PIB, quando a meta era pouco acima de 7%. A proporção dívida-PIB poderá atingir 200% em 2013, quando era de 115% em 2009. Mas a troica se nega a aceitar seu fracasso e no início de setembro chantageou a Grécia: adote novas medidas de austeridade ou não haverá novos empréstimos. O governo cedeu, introduzindo o equivalente a um pesado imposto sobre as propriedades. Um novo encontro com a troica foi marcado para hoje, a partir do qual haveria demissão maciça de servidores públicos, novos cortes de salários e aposentadorias, novo aumento de impostos indiretos e assim por diante.
Estas medidas provavelmente vão fracassar: vão intensificar a recessão e enfrentar oposição política. O governo de George Papandreou está isolado e o partido governista perdeu qualquer capacidade de gerar apoio popular. A oposição oficial, Nova Democracia, tem criticado as políticas da troica, esperando obter ganhos eleitorais. Os partidos da esquerda já pregam desafio aberto às políticas e moratória.
Na prática, a Grécia está à beira da moratória e de abandonar o euro. Esta é a dura realidade, embora nenhum dos principais partidos esteja preparado para admitir. A tragédia é que a Grécia tem agora uma economia muito mais fraca que em 2010. É possível, asim, que haverá grande revolta econômica e social, com resultados imprevisíveis.
Levando em conta o melhor interesse público, o que um governo deveria fazer? O primeiro passo seria a moratória, mas sem deixar o processo nas mãos dos banqueiros, da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, pois temos provas do que isso significaria. Em julho passado a Grécia concordou em trocar a dívida antiga pela nova, o que reduziria seu passivo com os bancos em 21%. Mas a Grécia também precisou dar maciças garantias colaterais aos bancos, com o resultado final de que sua dívida com os bancos pode ter se tornado maior. Ainda assim, muitos bancos não aceitaram o acordo incrivelmente favorável, apostando em vez nisso que a Grécia pagaria a dívida sem desconto.
Se a moratória for para assegurar um profundo cancelamento da dívida, deve ser conduzida pela Grécia e ser coercitiva em relação aos bancos credores. Mas também deve ser democrática, baseada numa auditoria independente para avaliar quanto da dívida pode ser ilegítima. A Grécia tem algumas vantagens neste ponto. A maior parte dos papéis públicos são sujeitos a leis domésticas quanto aos termos do pagamento, leis que podem ser alterados por um ato do Parlamento. Além disso, os empréstimos de resgate feitos pela União Europeia e FMI podem ser declarados ilegítimos por uma auditoria independente. O povo grego poderia, assim, reconquistar parte de sua auto-estima, destruída de forma selvagem durante os últimos anos.
O segundo passo seria a saída da zona do euro, mas de forma que trouxesse benefícios a longo prazo para os trabalhadores, não para os empresários e os bancos.
Contrariamente ao que se diz com frequência, a Grécia não vai entrar em colapso se abandonar o euro. Afinal, as uniões monetárias tem data de validade limitada e a da Europa é particularmente mal estruturada. O abandono do euro é a forma mais sensível para a Grécia restaurar sua competitividade e começar a recuperação. A alternativa é continuar com pacotes de austeridade que não funcionam e que vão levar a um declínio econômico de longo prazo.
Um governo progressista daria vários passos decididos: mudar para uma nova drachma rapidamente; nacionalizar os bancos; e impor controles de capital.
Seriam necessárias medidas administrativas para assegurar fornecimento de petróleo, alimentos e remédios, além de redistribuição de renda e riqueza para ajudar os mais pobres. A recuperação poderia começar em alguns meses, auxiliada pela desvalorização que ajudaria a indústria a aumentar as exportações e recapturar o mercado doméstico. Se as forças progressistas mostrassem determinação suficiente, seria possível, então, transformar a economia profundamente, mudando o equilíbrio do poder em favor dos trabalhadores.
A moratória e saída do euro causariam tumulto internacional. A dívida grega pode não ser suficientemente grande para ameaçar diretamente os bancos europeus, mas a situação dos bancos no mundo é frágil. A ação grega causaria distúrbio nos mercados secundários da dívida soberana, produzindo potencialmente uma grande crise. Mas as autoridades da União Europeia só teriam a si próprias para culpar,  já que as ações delas é que estão empurrando a Grécia para fora da zona do euro.
Tradução Luiz Carlos Azenha