BLOG DO VICENTE CIDADE

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Governo lança pacote para aumentar competitividade das empresas

03/04/2012 10h58 - Atualizado em 03/04/2012 19h45


Entre as medidas, está ampliação da desoneração da folha de pagamentos.
Também foram anunciadas linhas de crédito e medidas de defesa comercial.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília
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O governo federal lançou nesta terça-feira (3), durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, um pacote de medidas para aumentar a competitividade das empresas nacionais em meio à crise financeira internacional – fator que acirra a concorrência pelos mercados interno e externo.
As medidas englobam a ampliação do processo de desoneração da folha de pagamentos, iniciado em agosto do ano passado; o aumento da oferta de crédito para o setor produtivo, que, segundo o governo, também ficará mais barato; além de ações de defesa comercial, com o objetivo de evitar um aumento maior das importações; e o lançamento de um novo regime automotivo – que pretende estimular investimentos no Brasil e aumento do conteúdo local (peças nacionais).
Por meio de estímulos à indústria, setor da economia que menos cresceu em 2011, o novo pacote também visa estimular a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – o objetivo do governo federal alcançar uma alta de 4,5% neste ano, e, consequentemente, gerar empregos. O Banco Central, porém, estima um crescimento de 3,5% no PIB para este ano.
Aumento da competição
"A produção industrial, como participação do PIB, vem caindo no mundo todo. Já existe uma tendência estrutural de redução da indústria no mundo, que foi agravada pela crise de 2008 (...) Diante dessa situação internacional, temos de continuar tomando medidas para estimular investimentos públicos e privados. Há um processo permanente de aumento da competitividade, que aumenta em momentos de crise. Os preços são reduzidos, e os paises ficam desesperados. Vendem produtos abaixo do preço de custo, dão subsídios, reduzem custo da mão de obra. É um momento que temos de dar um impulso forte para o aumento da competitividade brasileira", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Folha de pagamentos
No caso da desoneração da folha de pagamentos, que começou em 2011 com o lançamento do plano "Brasil Maior", 11 novos setores foram incluídos pelo governo – outros 4 já haviam sido desonerados – o que representará uma renúncia fiscal total (recursos que deixarão de ser arrecadados) de R$ 7,2 bilhões por ano, informou o ministro da Fazenda.
Como a medida exige noventena, ela valerá somente a partir de julho. Visto que a desoneração não pode começar na metade de um mês, ela terá início somente em agosto deste ano, informou o Ministério da Fazenda. Em 2012, o impacto da medida será de R$ 4,9 bilhões nas contas públicas, acrescentou Mantega.
Até o momento, havia quatro setores participantes: confecção, couros e calçados, "call centers" e de "softwares" (tecnologia da informação e tecnologia da informação e comunicação). Em troca dos 20% de contribuição patronal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estes setores têm seu faturamento tributado em 1,5%, com exceção dos "softwares" – cuja alíquota é de 2,5%.
Com as novas regras, anunciadas nesta segunda-feira, os setores de têxtil, naval, aéreo, de material elétrico, autopeças, hotéis, plásticos, móveis, ônibus, máquinas e equipamentos para produção do setor mecânico, e "design house (chips)" estão entre aqueles que passarão a ter sua folha de pagamentos desonerada.
Além disso, a alíquota sobre o faturamento, que antes oscilava de 1,5% a 2,5%, será menor. Segundo o governo, passará a variar de 1% a 2%. As novas alíquotas também não incirão sobre as exportações, que serão totalmente desoneradas, acrescentou o ministro Mantega.
No mês passado, o ministro já havia informado que as empresas que tiverem desoneração da folha de pagamentos não poderão demitir. "Sempre todas essas medidas são mediante contrapartida da indústria. Quando fizemos a desoneração do IPI, sempre vem junto com contrapartida. Não pode demitir. Não pode reduzir direitos dos trabalhadores", afirmou a jornalistas na ocasião.
Valor total do pacote é de R$ 60 bilhões
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, explicou em entrevista na tarde desta terça-feira 93) que o impacto líquido das desonerações será de R$ 3,1 bilhões neste ano e não R$ 4,9 bilhões. Ele explicou que o governo também irá receber recursos por conta da tributação da Cofins na importação, e acrescentou que alguns setores já estavam no processo de desoneração da folha.
Segundo Barbosa, o pacote de estímulos ao setor produtivo envolve R$ 60,4 bilhões em recursos, a maior parte prevista para ter impacto neste ano. Deste valor total, R$ 45 bilhões referem-se a uma nova operação de capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O secretário-executivo informou ainda que as compras governamentais, que estarão sujeitas à aplicação da margem de preferência para produtos nacionais, deverão somar R$ 3,9 bilhões neste ano. Além disso, a expansão do crédito para exportação somará mais R$ 1,9 bilhão e haverá outros R$ 6,5 bilhões em equalização da taxa de juros nos empréstimos do BNDES.
Mais crédito, com juros menores
Outra linha de atuação do governo para fortalecer a indústria brasileira é o aumento do crédito, que também terá taxas de juros mais baratas para o setor produtivo. Também haverá linhas de financiamento para o comércio exterior.
O Programa de Sustentação ao Investimento (PSI), que compreende linhas de crédito para bens de capital (máquinas para produção), inovação e pré-embarque de exportações, com vigência até o final deste ano, será renovado. Os juros, anteriormente, começavam em 5% ao ano para bens de capital, em 4% ao ano para inovação e em 7% ao ano para pré-embarque de vendas externas.
Desde a criação, em julho de 2009, o total de operações contratadas por meio do PSI atingiu R$ 153,4 bilhões, segundo informações do BNDES, agente financeiro que operacionaliza o programa.
Tabela indústria (Foto: Editoria de Arte/G1)

Defesa comercial
Para defender o mercado interno para o produto local, o governo federal também anunciou medidas de defesa comercial, entre elas o aumento do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre os importados – que corresponderá à alíquota sobre o faturamento.
Segundo Mantega, o governo brasileiro não é a favor do protecionismo, mas tem de se defender. "Não é protecionismo. O Brasil é contra o protecionismo. Mas não podemos ficar assistindo inertes ao protecionismo disfarçado que os países praticam. Temos várias operações da Receita para impedir essa avalanche de produtos", disse ele a empresários.
Preferência para compras nacionais
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também anunciou preferência para produtos e serviços nacionais nas compras governamentais. Segundo ele, haverá uma "margem de preferência" de até 25% sobre o preço do produto importado, ou seja, o importado poderá custar até mais barato, mas, mesmo assim, não será adquirido.
A margem varia de produto para produto, sendo de 8% para medicamentos, de 20% para fármacos, de até 25% para biofármacos, cuja previsão de aquisição, nos próximos dois anos, é de R$ 3,5 bihões. Também há uma margem de 10% para retroescavadeiras e de 18% para "motoniveladoras".

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O crime no poder | Carta Capital

O crime no poder | Carta Capital


O crime no poder


392
*matéria de capa da CartaCapital desta semana.
Restritas ao noticiário local de Goiânia, as informações sobre uma “minirreforma” no secretariado do governador de -Goiás, Marconi Perillo (PSDB), são o primeiro sinal de que suas ligações com o esquema -conjunto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, prometem levar a crise para dentro do governo goiano.
Transformado em menos de um mês em zumbi político, Torres agoniza pelos corredores do Senado, agora sob risco de ser cassado. Mas não deve naufragar sozinho, se as investigações da Polícia Federal forem aprofundadas. Novos documentos, gravações e perícias que integram o relatório da Operação Monte Carlo, revelados com exclusividade por CartaCapital, apontam uma total sinergia entre o esquema do bicheiro, o senador e o governo de Marconi Perillo.

Em conversas telefônicas, o bicheiro jacta-se da influência sobre Marconi Perillo e sempre recorria a Demóstenes Torres, vulgo "gordinho". Perillo (foto) nega relações com esquema. Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Em uma interceptação telefônica de 5 de janeiro de 2011, os agentes federais registraram uma conversa entre Cachoeira e seu principal auxiliar, Lenine Araújo de Souza, vulgo Baixinho. Na conversa, o bicheiro, a partir de um telefone em Miami, recebe a notícia de que um de seus indicados para o governo de -Goiás, identificado apenas por Caolho, acabou preterido, sem maiores explicações e aparentemente sem o conhecimento do governador. Segundo homem na hierarquia e braço operacional de Cachoeira, Souza administrava e operava o sistema de contabilidade da quadrilha. Também era responsável pelo pagamento de boa parte das propinas a agentes públicos, em troca de proteção e informação.

Torres considera-se um "cadáver político". foto: José Cruz/ABr
“Marconi, hora que souber disso (sic), vai ficar puto”, reclama o bicheiro, no telefonema a Souza. E acrescenta, a seguir: “Já mandei avisar ele (sic)”. Mas adiante, revela, por duas vezes, a ordem dada ao senador Torres para entrar no caso e falar diretamente com o governador. “O Demóstenes já está ligando para ele”, garante Cachoeira.
Mais adiante, no mesmo grampo, o bicheiro pede a Souza para tomar providências e entrar em contato com Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete do governador. Ela chegou ao cargo no início do ano passado, depois das eleições de 2010, na qual foi responsável -pela arti-culação do tucano para que prefeitos do PP aderissem à campanha do PSDB ao governo estadual. Até então, era ligada ao ex–secretário extraordinário de Assuntos Estratégicos de Goiás Fernando Cunha, importante liderança tucana no estado, falecido em novembro de 2011. Segundo as investigações da PF, uma filha de Cunha é casada com um irmão de Cachoeira.
Outra interferência direta do bicheiro no governo, revelada nos grampos da PF, tem relação com a atuação do coronel Vicente Ferreira Filho, comandante do 3º Comando Regional da Polícia Militar, em Anápolis. Souza refere-se à preocupação de um certo “Ananias”, provavelmente um dos prepostos da jogatina na cidade, com a atuação do oficial. “O Ananias está demonstrando preocupação com o Vicente em Anápolis, hein”, avisa.
Cachoeira informa então a providência tomada. “Já mandei (inaudível), inclusive vai falar com Marconi, hoje à tarde”, diz o bicheiro. Em seguida, tranquiliza o auxiliar sobre a possibilidade de o coronel da PM atrapalhar os negócios em Anápolis, segundo a transcrição da PF. “Não vai, não. Esse comandante pra nóis (sic), ainda vai ser bom. Cê vai ver (sic).” Não há, contudo, nenhuma acusação contra o coronel nos autos da Operação Monte Carlo.
Ciente da encrenca em que está metido, Perillo decidiu usar como desculpa a desincompatibilização do atual secretário de Meio Ambiente, Leonardo Vilela, candidato do PSDB à prefeitura de Goiânia, para mexer na equipe e apagar os rastros de Torres e Cachoeira em seus domínios. Assim, a amiga do bicheiro, Eliane Pinheiro, chefe de gabinete de Perillo, deverá deixar o cargo em breve, sob a improvável promessa de mudar de função. Outro que deve sair e colocar as barbas de molho é o secretário de Infraestrutura, Wilder Morais. Suplente de Torres, poderá assumir a vaga no Senado caso o titular venha a ser cassado.
Será uma vingança e tanto. A mulher de Morais, Andressa, o abandonou no ano passado para viver com Cachoeira. O drama matrimonial chegou a servir de desculpa para o senador Torres -justificar os 298 telefonemas que trocou com o bicheiro nos últimos seis meses. Morais também tomou medidas preventivas e afastou Leandro Gomes Candido do cargo de secretário-executivo da pasta. Candido é marido de uma irmã de Andressa.

Cachoeira se valia dos serviços do araponga Dadá (acima). Foto: Antonio Cruz/ABr
Outro da lista é o secretário da Indústria e Comércio, Alexandre Baldy, indicação pessoal de Torres. Baldy é genro do empresário Marcelo Limírio, sócio do senador do DEM em uma faculdade em Goiás.  Ex-dono do Laboratório Neo Química, em Anápolis, segunda maior cidade do estado, o secretário mantém ainda uma sociedade com Cachoeira na ICF, empresa fornecedora de testes para laboratórios. Um deles, o Vitapan, de propriedade do bicheiro, era utilizado para lavagem de dinheiro do esquema de jogatina, segundo informações da PF.
“É assustador o alcance dos tentáculos da organização criminosa”, escreveu em 23 de fevereiro deste ano o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da Vara Federal de Anápolis, responsável pela condução processual do inquérito. Segundo o magistrado, “para dar suporte à exploração ilegal de máquinas caça-níqueis, bingos de cartelas e jogo do bicho em Goiás” a quadrilha de Cachoeira montou um incrível esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, contrabando, corrupção, -pe-culato, prevaricação e violação de sigilos.
Ainda de acordo com Lima, o grupo de Cachoeira era altamente “profissionalizado, estável, permanente, habitual, estruturado, montado para cometer crimes graves”. Para tal, mantinha uma “estrutura organizacional e piramidal -complexa” que funcionava graças a uma “estrutura estável, entranhada no seio do estado com, inclusive, a distribuição centralizada de meios de comunicação para o desenvolvimento das atividades, com o objetivo de inviabilizar a interferência das agências sérias de persecução”.
Logo após ser preso, o juiz determinou que Cachoeira fosse transferido para um presídio federal de Mossoró (RN) porque, na petição à Justiça Federal, os procuradores do caso temiam que ele continuasse a comandar o esquema criminoso de dentro de uma prisão de -Goiás. “Em mais de uma década, Carlinhos Cachoeira dedicou-se a comprar informações e proteção de agentes do estado vendíveis. Em outras palavras, tornou a sociedade e o próprio estado mais vulneráveis ao crime”, escreveu Lima.
Os números listados na Justiça Federal falam por si só do tamanho da investigação que une os negócios de Cachoeira com a rotina do governo de Goiás. Ao todo foram identificados como integrantes da quadrilha do bicheiro 43 agentes públicos. Desses, seis delegados da Polícia Civil, 30 policiais militares, dois delegados da PF, um administrativo da PF, um policial rodoviário federal, dois agentes da Polícia Civil e dois servidores municipais. A Monte Carlo gerou 36 volumes de interceptação telefônica, 14 volumes de inquérito policial, três volumes de sigilo bancário e fiscal, além de uma centena de relatórios produzidos pela PF.
Procurado por CartaCapital, o governador Perillo respondeu, via assessoria de imprensa, não possuir nenhuma ligação com o bicheiro. Sobre indicações de Cachoeira para cargos no governo, saiu-se com essa: “Que eu tenha sido informado, não”. Também negou ter havido pressão de Demóstenes Torres para a nomeação de apadrinhados do bicheiro no governo estadual. Por fim, negou ter iniciado uma reforma no secretariado. Seriam “apenas substituições pontuais de auxiliares que serão candidatos nas próximas eleições”.

Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal mostram intervenção de Cachoeira no governo de Goiás. Foto: Gustavo miranda/ Ag. O Globo
Enquanto isso, a agonia de Torres parece não ter fim. Na sexta-feira 23, -CartaCapital revelou em seu site que a Polícia Federal sabia desde 2006 de suas ligações com Cachoeira. Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Torres tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em aproximadamente 170 milhões de reais nos últimos seis anos. A informação consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília.
Valadares foi um dos 35 presos em 29 de fevereiro na esteira da operação. Nas interceptações telefônicas feitas pela PF com autorização da Justiça, ele é chamado de Neguinho pelo bicheiro. Por estar lotado na delegacia de repressão a crimes financeiros, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha após descobrir os esquemas de Cachoeira, Torres e mais três políticos goianos também citados por ele na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Lereia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PT).
Em outro grampo da PF, revelado agora por CartaCapital, de 13 de março de 2011, Cachoeira conversa com Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, sargento da reserva da Aeronáutica, também preso durante a Operação Monte Carlo. Ele era responsável por obter informações sigilosas de interesse da quadrilha de Cachoeira em troca de um pagamento mensal de 5 mil reais. No grampo, Dadá manda o bicheiro “tranquilizar” Torres. Falava possivelmente da investigação da PF sobre o esquema criminoso.
A informação, proveniente de uma mulher não identificada na conversa, é tachada de “exagerada” pelo araponga da Aeronáutica. “Investigações a baixo nível, entendeu, só a termos de conhecimento”, diz Dadá. “Então, excelente, vou passar para o GORDINHO a informação”, diz o bicheiro. O apelido, segundo a PF, era o código para se referir ao senador do DEM nas conversas entre os dois. Até 2009, Torres pesava 103 quilos. Perdeu 30 quilos após se submeter a uma cirurgia de redução do estômago.

Os deputados Lereia, do PSDB, e Otoni, do PT, também integrariam o esquema. Fotos: Beto Oliveira e Carlos Moura/D.A.Press
Uma série de outras reportagens divulgada nos últimos dias complicou ainda mais a vida do senador. O jornal O Globo publicou transcrições de interceptações telefônicas nas quais Torres pede ao bicheiro, com quem se comunicava por meio de um aparelho de rádio registrado em Miami, 3 mil reais para pagar despesas de táxi aéreo.
O diário carioca revelou ainda que o parlamentar do DEM usou de seu prestígio para tentar remover, em 2009, um dos principais agentes de uma das investigações sobre a exploração ilegal de máquinas caça-níqueis e videopôquer chefiada por Cachoeira. Tratava-se do policial federal José Luiz da Silva. Torres solicitou ao então secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay, a transferência do agente de Anápolis, área de atuação de Cachoeira, para Goiânia.
Uma reportagem do Jornal -Nacional jogou mais cal sobre a cova do senador, que já admitiu estar “morto politicamente” por causa das denúncias. Trechos de interceptações da Monte Carlo revelam que Cachoeira, em conversa com o contador Giovani Pereira da Silva, pode ter repassado mais de 3 milhões de reais ao senador do DEM.
É possível que em breve venha à tona outra faceta do grupo: o uso de meios de comunicação para atacar adversários. Sabe-se das boas relações de Cachoeira com jornalistas de Brasília, em especial o diretor da sucursal da revista Veja, Policarpo Jr. Segundo blogs da internet, a Polícia Federal teria interceptado mais de 200 telefonemas entre o jornalista e o bicheiro durante o curso das investigações.
Nos inquéritos aos quais CartaCapital teve acesso, Policarpo Jr. é citado mais de uma vez. Em um grampo de 8 de julho de 2011, Cachoeira instrui o sargento Jairo Martins, da PM de Brasília, -para -estancar as informações repassadas ao jornalista. O bicheiro teria se chateado com algum texto publicado na revista. Martins é um famoso araponga brasiliense, acostumado a prestar serviços clandestinos no submundo da comunidade de informações. Foi ele quem, por exemplo, gravou o vídeo em que  o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece a embolsar 3 mil reais de propina. Indicado pelo PTB, Marinho foi o estopim do escândalo do chamado mensalão.
O futuro de Torres depende da Pro-curadoria-Geral da República e do Congresso Nacional. Desde 2009, sem nenhuma explicação plausível, o procurador-geral Roberto Gurgel mantinha engavetado um relatório da PF referente à Operação Las Vegas, de 2008, na qual a ligação entre Cachoeira e o senador era -explicitada pela primeira vez em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça de Goiás. Diante da pressão provocada pelas revelações da Operação Monte Carlo, Gurgel foi obrigado, na quarta-feira 28, a dar seguimento à denúncia, enviada ao Supremo Tribunal Federal.
No Congresso, o destino de Torres está nas mãos do líder do PMDB, Renan Calheiros, e do presidente do Senado, José Sarney, que precisam recompor o Conselho de Ética do Senado. O órgão está acéfalo desde setembro de 2011, razão pela qual ainda não se pode apreciar a representação contra Torres apresentada na quarta-feira 28 pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL). Segundo Rodrigues, está claro que Cachoeira mantém relações “amplas, gerais e irrestritas” com Torres e outras autoridades.
Tão logo o impasse burocrático seja resolvido, o processo de cassação do senador goiano, dado como certo até pelos aliados mais próximos, vai ser iniciado. Torres renunciou à liderança do DEM no Senado e corre risco de ser expulso do partido.

Carta Capital pode ter sido recolhida das bancas de Goiânia

Do Comunique-se

Com reportagem de capa sobre a Operação Monte Carlo, a revista Carta Capital recebe desde a tarde do último domingo, 1°, mensagens que alertam para o "sumiço" da publicação em Goiânia. A matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes traz documentos e gravações que mostram como Carlinhos Cachoeira manipulava o senador Demóstenes Torres (DEM) e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
carta_capital_-_perillo
Carta Capital produziu reportagem sobre relação de Cachoeira com Demóstenes e Perillo.
De acordo com o impresso, os leitores relatam pelas redes sociais que "a edição da revista teria sido comprada em grandes lotes por indivíduos em carros sem placas, supostamente ligados a Cachoeira, preso desde fevereiro sob acusação de chefiar o esquema do jogo do bicho em Goiás, e a pessoas próximas dos envolvidos nas denúncias ao governador de Goiás, para evitar que a população tivesse conhecimento do caso".

Carta Capital entrou em contatou com pelo menos 30 bancas de jornal, livrarias e revistarias da capital goiana. Seis atenderam a chamada e confirmaram que a edição está esgotada. “A fotocópia da matéria custa cinco reais, quer que eu reserve? Não tenho mais como tirar outra, porque a tinta da máquina acabou”, ofereceu, por telefone, a vendedora de uma das revistarias de Goiânia.

A situação ainda está sendo apurada pela redação de Carta Capital a fim de confirmar ou não as denúncias recebidas. Nesta segunda-feira, 2, a revista vai disponibilizar em seu site a íntegra do texto de Leandro Fortes. Em seu perfil no Facebook, o repórter afirmou que a "bandidagem" retirou os exemplares da revista das bancas

BRT: Como funciona a mente dissimulada de D.Costa !!

O Duciomar Costa surgiu na política de forma periférica, nunca foi líder de nada, deu um duro danado como quase todo mundo, mas aí começou a "cair no submundo", fez da pilantragem meio de vida, daí virou político profissional. Entretanto, de marginal, D. Costa passou a ser protagonista do cenário político do estado, se apropriando de uma legenda importante, o PTB, chegando ao Senado Federal e posteriormente à prefeitura de Belém.

Como prefeito, D. Costa conseguiu se estabelecer também no cenário nacional, onde se colocou como prioridade do partido, que compõe a base aliada do governo, com isso, passou a ter trânsito privilegiado em Brasília.

Do ponto de vista político, D. Costa mantem um perfil centralizador e déspota, onde só ele aparece como referência das ações da prefeitura e sozinho determina as estratégias partidárias do PTB no estado a luz dos seus interesses pessoais. Ninguém ao seu redor cresce politicamente, nem na gestão da prefeitura e nem na bancada do PTB, seja de deputados ou de vereadores. Prova disso é que foi buscar para lançar como seu sucessor alguém de fora do partido.

Ainda do ponto de vista estritamente político, D. Costa se revelou um político ardiloso, pragmático, soube, como poucos, usar a prefeitura de Belém em seu benefício, instalou seu "balcão de negócios" em cada ação e  ao fim conseguiu criar em torno de si uma extensa rede de proteção, inclusive no judiciário.

Contudo, do ponto de vista moral, D. Costa nunca teve escrúpulos, por isso sua gestão é tão marcada por inúmeras irregularidades e permissibilidades. Sempre impôs os seus interesses independente dos limites éticos, políticos ou legais. Por essa razão as suas decisões foram sempre pautadas em negociatas.

Com esse perfil de pouco apreço a moralidade e muita astúcia política, com D. Costa tudo é possível, inclusive lançar mão de um mega projeto como o do BRT em questão de dois ou três meses, passando ao arrepio da legalidade e impondo ao munício de Belém um projeto totalmente desconhecido e uma licitação completamente viciada.

O projeto do BRT da prefeitura nunca existiu, tanto que o prefeito D. Costa só colocou como empecilho para que a ex governadora Ana Júlia começasse as obras da primeira fase do Programa Ação Metrópole em Belém, que o governo dispusesse à prefeitura um determinado volume de recursos para que essa pudesse continuar sua política de asfaltamento da cidade.

Aliais, isso ficou mencionado no contexto político como sendo "apoio do PT a reeleição do PTB. Na verdade o prefeito D. Costa sempre utilizou sua condição de prioridade partidária para fechar seus acordos políticos nacionalmente, diretamente chancelados pelo governo federal.

Com a derrota do PT e a volta dos tucanos ao governo do Pará, D. Costa identificou uma grande oportunidade de "negócio", pautada em duas estratégias: informação e relacionamento privilegiado junto ao governo federal e o hiato de tempo criado pela prepotência e arrogância de Jatene, que queria jogar a continuidade do Ação Metrópole somente para 2013.

Ao que tudo indica, D. Costa teve acesso à informação de que o Governo Federal lançaria um programa de investimentos específico de mobilidade urbana para os grandes centros populacionais do país, inclusive estabelecendo o valor do projeto no limite do programa, ou seja, a licitação "ganha" pela Andrade Gutierrez foi exatamente de R$ 430 mi, valor esse usado como teto pelo Governo Federal.

Por outro lado, a decisão oportunista do governador Jatene de paralisar as obras do Ação Metrópole para recomeça-las somente em 2013 abriu espaço para que o prefeito pudesse "meter o bedelho nessa parada" com a alegação de que a intervenção é necessária, urgente e conta com um programa de apoio financeiro.

Depois de feita a merda, D. Costa recorreu ao governo federal para vir apagar o incêndio, colocando-o como mediador de um projeto inexistente junto ao governo estadual.

Ao governador Jatene coube engolir esse sapo, de ver o prefeito se apropriar de parte do projeto, já que, como diria minha avó, "é melhor um pato na mão do que dois voando", ou seja, o governo do estado perdeu parte do projeto, mas não o perderá como um todo, ou seja, trocando em miúdos, há duas leituras para esse episódio: uma financeira e outra política.

Na leitura financeira, ninguém perdeu, ou melhor, prefeitura e governos ganharam, pois cada um ficará com o seu naco de um projeto bilionário, com suas respectivas licitações e etc., se vocês estão me entendendo. Contudo, na leitura política, D. Costa saiu vitorioso, porque a entrada da prefeitura no projeto além de projetar a figura do próprio prefeito, dá novo impulso a candidatura de continuísmo.

Com a estratégia de executar o BRT em Belém através da prefeitura, D. Costa visa isolar politicamente o governo tucano do "seu" pretenso nicho eleitoral, que aliais é o maior colégio eleitoral do estado, criando assim uma espécie de barreira aos tucanos e criando condições políticas para que ele, D. Costa, possa se afirmar como principal beneficiário desse eleitorado, o que obviamente lhe coloca em condições extremamente favoráveis não só para concorrer ao senado em 2014, mas também para "negociar" o seu apoio político.

Já no que tange ao Governo Federal, que vê nos tucanos os principais inimigos para 2014 na reeleição de Dilma, isolar os tucanos do maior colégio eleitoral do estado e mantê-lo sob custódia de um aliado, ainda parece ser uma estratégia vista com muito bons olhos pelo Planalto. Fazer o quê ??!!