BLOG DO VICENTE CIDADE

Este blog tem como objetivo falar sobre assuntos do cotidiano, como política, economia, comportamento, curiosidades, coisas do nosso dia-a-dia, sem grandes preocupações com a informação em si, mas na verdade apenas de expressar uma opinião sobre fatos que possam despertar meu interesse.

domingo, 14 de julho de 2013

INTOLERÂNCIA E ESTUPIDEZ !!

SENADOR ITALIANO COMPARA MINISTRA NEGRA A ORANGOTANGO



O senador Roberto Calderoli, do partido Liga Norte, conhecido por se posicionar contra a imigração na Itália, comparou a primeira ministra negra do país Cecile Kyenge a um orangotango; a ministra não se manifestou oficialmente, mas disse à agência AGI que Calderoli deveria refletir sobre sua função como membro do Senado

14 DE JULHO DE 2013 ÀS 16:26

ROMA, 14 Jul (Reuters) - O senador Roberto Calderoli, do partido Liga Norte, conhecido por se posicionar contra a imigração na Itália, comparou a primeira ministra negra do país Cecile Kyenge a um orangotango.

Cecile, cidadã italiana nascida na República Democrática do Congo, vem sendo alvo de discursos racistas desde que foi nomeada ministra da Integração em abril.

"Eu amo animais, ursos e lobos, como todos sabem, mas quando eu vejo fotos de Kyenge, eu não consigo deixar de pensar em, e não estou dizendo que ela é, um orangotango", disse Calderoli, vice-presidente do Senado, em discurso na cidade de Treviglio no sábado.

Calderoli disse ainda que o sucesso de Kyenge encorajou "imigrantes ilegais" a virem para a Itália e afirmou que ela deveria ser ministra "em seu país natal", de acordo com a imprensa local.

Nos últimos meses, a maioria dos insultos racistas, como "macaca do Congo", "Zulu" e "a negra anti-italiana", veio de membros de grupos da extrema-direita.

Em junho, um integrante da Liga Norte no parlamento europeu foi expulso do grupo eurocéptico Europa da Liberdade e da Democracia por comentários racistas a respeito de Kyenge.

Mario Borghezio atacou a ministra dizendo que ela queria impor "tradições tribais" na Itália como membro do governo "bonga bonga", um trocadilho com as chamadas festas "bunga bunga" promovidas pelo ex-premiê italiano Silvio Berlusconi.

O opositor Calderoli, duas vezes ministro durante os mandatos de Berlusconi, costuma ser agressivo em suas declarações.

Em 2006, ele se viu forçado a deixar o cargo de ministro depois de aparecer durante um evento do governo com uma camiseta portando um desenho ofensivo do profeta Maomé. No mesmo ano, depois que a Itália venceu a Copa do Mundo, ele fez comentários racistas sobre a seleção da França.

A Itália venceu o Mundial com atletas do país, ao passo que a França perdeu, disse Calderoli, por conta de seus jogadores "negros, muçulmanos e comunistas".

Neste domingo, vários políticos, incluindo alguns da própria Liga Norte, criticaram Calderoli duramente, com alguns até mesmo pedindo a renúncia dele como vice-presidente do Senado.

Em comunicado oficial e também pelo Twitter, o primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, disse que os comentários racistas são inaceitáveis.

"Foi muito além do limite. Toda solidariedade e apoio a Cecile. Que ela continue com o seu e o nosso trabalho", declarou Letta.

Kyenge tem feito campanha para que os imigrantes tenham mais facilidade para adquirir a cidadania italiana, e ela apoia uma lei que automaticamente torna italiano qualquer cidadão nascido em solo, o que não ocorre atualmente.

A ministra não se manifestou oficialmente, mas disse à agência AGI que Calderoli deveria refletir sobre sua função como membro do Senado.

(Reportagem de Steve Scherer)

Mas assim... !!!!

Filhas de ministros do STF disputam altos cargos no Judiciário mesmo sem experiência

LEANDRO COLON
DIÓGENES CAMPANHA
DE SÃO PAULO
Para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), a advogada Marianna Fux, 32, é "respeitada" e "brilhante".
Na avaliação de Ophir Cavalcante, ex-presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o currículo da colega Leticia Mello, 37, "impressiona".
A mesma opinião tem o experiente advogado José Roberto Batocchio: "É uma advogada com intensa militância, integra um grande escritório, com ampla atuação no Rio".
Meses atrás, o mais novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, exaltou as qualidades de Leticia numa carta enviada a desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com jurisdição no Rio e no Espírito Santo. Em troca, ela prestigiou a posse dele no STF.
As duas advogadas são filhas de ministros do Supremo. Com poucos anos de advocacia, estão em campanha para virar desembargadoras, juízas da segunda instância.
Filha do ministro Luiz Fux, Marianna lidera as apostas para substituir o desembargador Adilson Macabu, que se aposenta no Tribunal de Justiça do Rio nesta semana.
Se for bem sucedida, ela terá um salário de R$ 25,3 mil e regalias como carro oficial e gabinete com assessores.
Filha do ministro Marco Aurélio Mello, Letícia pode conseguir coisa parecida. Ela foi a mais votada numa lista submetida à presidente Dilma Rousseff para o preenchimento de uma vaga no TRF do Rio.
Leticia é mais experiente do que Marianna. Formou-se em 1997 e trabalha num escritório de prestígio. É considerada no meio jurídico uma advogada promissora, mas que dificilmente chegaria tão cedo a uma lista tríplice se o pai não estivesse no STF.
Pedro Ladeira/Folhapress/Isaac Markman
Montagem com as advogadas Leticia Mello (à esq.), filha do ministro Marco Aurélio Mello, e Marianna Fux, filha do ministro Luiz Fux
Montagem com as advogadas Leticia Mello (à esq.), filha do ministro Marco Aurélio Mello, e Marianna Fux, filha do ministro Luiz Fux
Em entrevista à Folha, Marco Aurélio saiu em defesa da filha: "Se ser novo apresenta algum defeito, o tempo corrige". Ele procurou desembargadores para tratar da indicação da filha, mas nega ter pedido qualquer coisa. "Jamais pedi voto, só telefonei depois que ela os visitou para agradecer a atenção a ela".
No TJ do Rio, há registro de apenas cinco processos em que Leticia atuou. No TRF, onde ela quer ser desembargadora, não há menção. Leticia formou-se no Centro Universitário de Brasília e não tem cursos de pós-graduação.
"Há muitos que têm diversos canudos debaixo do braço e deixam a desejar", diz Marco Aurélio. "É pecado [a indicação]? É justo que nossos filhos tenham que optar por uma vida de monge?"
Leticia e Marianna disputam vagas do chamado quinto constitucional, reservadas a juízes indicados pela OAB.
O ministro Fux foi desembargador do TJ do Rio no início da carreira e conhece quem pode ajudar sua filha. A votação no tribunal deverá ser aberta. Um integrante do TJ diz que isso pode criar constrangimento, se algum ex-colega de Fux quiser se opor à escolha da sua filha.
Marianna formou-se há dez anos pela Universidade Cândido Mendes, no Rio, e seu currículo exibe uma pós-graduação em Teoria das Obrigações e Prática Contratual pela Fundação Getúlio Vargas.
A FGV informou à Folha que não se trata de pós-graduação, mas de um curso de extensão universitária de quatro meses. Marianna atuou em apenas seis processos no TJ do Rio: um sobre extravio de bagagem, os demais sobre espólio e dano moral.
Em abril deste ano, o advogado Sérgio Bermudes, que é amigo de Fux e emprega Marianna, organizou uma festa para comemorar o aniversário do ministro. Os desembargadores do TJ foram convidados, mas Fux cancelou o evento após sofrer críticas.
O presidente da OAB do Rio, Felipe Santa Cruz, diz que ainda não foi aberta a lista para a qual Marianna poderá ser indicada. "Não posso me manifestar sobre algo que não existe ainda", afirmou, sem negar a movimentação a favor da advogada.
Leticia Mello tem dois adversários mais experientes na lista submetida a Dilma: os advogados Luiz Henrique Alochio, 43, e Rosane Thomé, 52.
Eles preferem evitar a polêmica. "Espero que seja escolhido o melhor avaliado do ponto de vista da meritocracia", diz Alochio. "Não tenho grandes expectativas. A nomeação é tão sem critério, aleatória", afirma Rosane, que tem 30 anos de advocacia.
Procurada, Leticia disse que não se manifestaria sobre o assunto. Marianna e seu pai não responderam aos pedidos de entrevista da Folha.
Editoria de Arte/Folhapress

sábado, 13 de julho de 2013

Poder, geopolítica e desenvolvimento

O capitalismo nasceu associado com um sistema de poder específico, o sistema interestatal europeu. E, desde o início, foi um dos principais instrumentos de poder dos estados que se impuseram, transformando-se nas primeiras 'grandes potências' do sistema.

José Luís Fiori

“Em última instancia, os processos de desenvolvimento econômico também são lutas de dominação”.
Max Weber, Escritos Politicos I, Folios Ediciones, Mexico, 1982, pág. 18

O capitalismo nasceu associado com um sistema de poder específico, o sistema interestatal europeu. E, desde o início, foi um dos principais instrumentos de poder dos estados que se impuseram, dentro e fora da Europa, transformando-se nas primeiras “grandes potências” do sistema. Durante os cinco séculos seguintes, o desenvolvimento destas “grandes potências” exerceu um efeito gravitacional e expansivo sobre todo o “sistema interestatal capitalista”, que foi ampliando suas fronteiras de maneira contínua, como se fosse um “universo em expansão”. Dentro deste “universo”, foram sendo criados e incorporados sucessivamente novos estados e economias nacionais que competem e se hierarquizam dinamicamente, podendo ser classificados em três grandes grupos:

i. Num primeiro grupo, situam-se os estados e as economias nacionais que adotam estratégias de integração direta, com relação às potencias líderes. Fala-se em “desenvolvimento a convite” ou “associado” para referir-se a estes países com acesso privilegiado aos mercados e aos capitais das grandes potências, obtidos em troca da submissão à sua política externa e à sua estratégia militar global. Como foi o caso do Canadá, Austrália e Nova Zelândia, antes e depois de sua independência e também, da Alemanha, Japão e Coréia, depois da Segunda Guerra Mundial, na condição de protetorados militares dos EUA.

ii. Num segundo grupo, se situam os países que questionam a hierarquia internacional e adotam estratégias de mudança do status quo e de crescimento acelerado, com o objetivo de mudar sua participação na distribuição internacional do poder e da riqueza. São projetos nacionais que podem ser bloqueados, e podem não conseguir superar as “barreiras à entrada” do “núcleo central”, impostas pelas grandes potências. Mas que também podem ter sucesso e dar origem a uma nova potencia regional ou global, como foi o caso dos EUA, na primeira metade do XX, e da China, neste início do século XXI.

iii. Por fim, num terceiro grupo, se incluem todos os demais países do “andar de baixo” ou a “periferia” política e econômica do sistema. São estados e economias que podem ter fortes ciclos de crescimento e ter industrias, mas que não tem condições ou não se propõem desafiar a ordem estabelecida, e aceitam sua posição política subalterna, dentro do sistema internacional de poder, e se mantem como fornecedores de commodities e bens industriais específicos, com é o caso do Chile, Colômbia e Peru, entre muitos outros.

Na outra ponta do sistema, o pequeno grupo das grandes potências “ganhadoras” também é hierarquizado e reproduz internamente – num outro patamar de poder - a mesma dinâmica competitiva de todo este universo. Mas mesmo assim, é possível identificar duas grandes regularidades na sua trajetória “vitoriosa”:

1º) todos enfrentaram, em algum momento, invasões externas, guerras civis ou rebeliões sociais, e estes acontecimentos contribuíram de uma forma ou outra, para o fortalecimento de suas identidades nacionais e para a mobilização de suas sociedades em torno de grandes projetos de defesa e/ou de projeção internacional. Por estarem situados dentro de tabuleiros geopolíticos altamente competitivos, estes países também compartiram um sentimento constante de “cerco” e de ameaça externa, que explica a centralidade dos seus sistemas de defesa na definição de suas politicas de desenvolvimento e industrialização, e sua permanente preocupação com a conquista e o controle monopólico das “tecnologias sensíveis” que foram decisivas para o seu sucesso de toda a sua economia nacional.

2º todos seus estados e seus grandes capitais privados “desrespeitaram” sistematicamente as regras e instituições competitivas de mercado que devem ser obedecidas obrigatoriamente pelos que estão situados nos degraus inferiores do sistema. Neste ponto se pode formular uma lei quase universal: quem liderou a expansão vitoriosa do capitalismo foram sempre os estados e os capitais que souberam navegar com sucesso na contramão das “leis do mercado”, ou seja, os “grandes predadores” que conseguem manter e renovar permanentemente o seu controle monopólico das “inovações”, e dos “lucros extraordinários”.

Este caminho dos “ganhadores” está aberto para todos os países? Não, porque a energia que move este sistema vem exatamente desta luta contínua, entre estados, economias nacionais e capitais privados, pela conquista de posições e de monopólios que são desiguais, por definição. Mesmo assim, alguns estados podem modificar sua posição relativa dentro deste sistema, dependendo do seu território, dos seus recursos e da sua coesão social. E da existência de uma elite política capaz de assumir as grandes pressões sociais e o aumento dos desafios e provocações externas, como sinal de amadurecimento de uma país que já está preparado para sustentar uma estratégia de longo prazo, de questionamento do status quo internacional, e de desenvolvimento com mobilidade social generalizada.





(*) José Luis Fiori é professor titular de Economia Política Internacional da UFRJ e coordenador do Grupo de Pesquisa do CNPQ/UFRJ "O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo". (www.poderglobal.net)

Para o gigante, já acordado, caminhar melhor

Hoje seria necessário que os partidos de esquerda se unissem e promovessem uma aliança a partir de um programa capaz de dar um novo impulso ao iniciado em 2002. É preciso, para que isso ocorra, que o PT volte a ser um partido-sujeito, de governo, de luta e de movimento. Não seja apenas um “partido-apoio”, que até agora pode ter cumprido uma boa missão, mas que está visivelmente esgotada. O país quer caminhar por paisagens mais verdejantes, que o neoliberalismo e o conservadorismo não tem a menor possibilidade de oferecer. Pode, o PT? O artigo é de Tarso Genro (*)

A tese do “gigante acordou”, acarinhada pela direita conservadora e pela grande mídia no período das manifestações recentes, é uma fantasia manipulatória neoliberal. Ela tem por objetivo criar um caldo ideológico destinado a “naturalizar” a tese de que o Brasil precisa embarcar nas “reformas” que vem sendo feitas, atualmente, no continente Europeu.

Esta fantasia faz um jogo sujo, do ponto de vista histórico, para promover uma omissão que torna invisível o povo trabalhador e outros atores sociais progressistas, no processo das grandes lutas que precederam e sucederam a Constituição de 88.

As conquistas que dela derivaram, as lutas respondidas com assassinatos e torturas contra o regime militar, a luta pelas diretas, pela Constituinte, o “Fora Collor”, a eleição de Lula em 2002, promoveram extraordinárias conquistas políticas e sociais, com grande influência da esquerda que, para os promotores do “gigante acordou”, não passaram de um embuste, que agora os tecnocratas dos “ajustes” de segunda geração colocarão no seu devido lugar. Trata-se de iludir que, como gigante estava dormindo, nada ocorreu no período que precedeu as manifestações. E que a suposta “letargia” do país, até agora, abrir-se-á para uma dinâmica democrática nova, patrocinada como uma grande novela das oito, ajustada certamente com o tucanato e os zumbis pefelistas que ainda restam.

A leva de manifestações que antecedeu o dia nacional de lutas de 11 de junho, mobilizadora de milhões de pessoas no país, confrontada com a modesta mobilização conseguida pelas centrais naquela data, inclusive a denominada "Conlutas", obriga a esquerda que governa dentro da democracia política - o que se dá necessariamente com alianças problemáticas - a repensar sua estratégia para o próximo período. As conexões entre "tática" e "ética" - no contexto de uma crise econômica mundial que não será solucionada com legitimidade nos quadros da atual democracia representativa - voltam com toda força.

Não se trata de desprezar alianças ou de avocar-se um "purismo" irreal para fazer política. Este "purismo" só existe como aparência, naquela parte das classes médias conservadoras, quando os seus líderes preferidos pensam em aumentar algum imposto ou não estão governando de acordo com os seus interesses imediatos. Trata-se, penso, de avaliar como se dará o sistema de alianças, necessário para o próximo período, considerando um Congresso majoritariamente conservador e desligado do mundo real. Um Congresso regionalizado nas suas relações políticas e que só se move perante uma forte pressão para salvar sua pele, seja para que "lado" for.

De outra parte, quando nos referimos às relações entre "tática" e "ética", estamos falando de interdependência entre "fins" e "meios". Ou seja, em que ponto da estratégia política as alianças deixam de ser táticas e passam a ser "taticismos". Quando é que os meios (alianças), passam a ser um fim em si mesmo (estagnantes), apenas usados para manter uma certa hegemonia (esgotada) que, no concreto, já não faz mais o projeto avançar, bloqueando os fins do projeto pensado na Revolução Democrática? (Esta, significando a recuperação das funções públicas do Estado, a combinação dinâmica da democracia representativa com a democracia direta, a promoção de um modelo de desenvolvimento não tutelado pelo capital financeiro globalizado: mais políticas públicas de Estado, mais participação, mais igualdade, empregos, trabalho de qualidade e proteção social digna).

As amplas mobilizações sociais deste período, não só não devem ser desconhecidas, como também não podem ser desqualificadas pela fragmentação da sua pauta. As simpatias que elas suscitaram na grande mídia, a ausência de lideres visíveis ou mesmo a forte adesão dos setores mais conservadores da sociedade, que se manifestavam “contra tudo”, contra os políticos em geral e contra os partidos, não tira o seu valor político. Foi, ainda, uma manifestação em parte alienada, pois fulminava por igual as instituições partidárias, que mesmo apenas aderentes poderiam se opor às manipulações do senso comum pelo fascismo ou pelo anarco-direitismo, como ocorre com frequência nestas oportunidades.

A verdade é que, majoritariamente, foram manifestações populares de inconformidade e “mal estar”, pelas mais variadas causas. E tiveram o mérito de mostrar a desqualificação das estruturas de saúde pública e do transporte coletivo, principalmente nas grandes regiões metropolitanas, que não mereceram atenção responsável dos governantes, pelo menos nos últimos vinte anos. O movimento foi aproveitado para tentar reorganizar um sentimento de repulsa à esquerda e ao governo Dilma? Foi, é óbvio.

A grande mídia induziu-o, assim como fabricou a tese do "gigante que acordava". E ela mesma vibrava de ira cívica e arrogância, até que se deu conta que também estava na linha de tiro: os controlados se rebelaram contra os seus controladores no processo de formação da opinião. Uma mobilização política daquela dimensão não emerge sem ter base, em alguma medida, nas fortes desigualdades sociais e nos contrastes entre pobreza e riqueza, que caracterizam o “capitalismo real”. Isso supõe, em consequência, um descontentamento com quem sempre defendeu os ajustes do sistema financeiro e a ordem social que promoveu as desigualdades, que também estavam sendo impugnadas nas ruas.

Um mero manifesto nas redes, como diz Manuel Castells, não mobiliza ninguém. As mobilizações ocorrem quando têm bases na vida diária das pessoas e no seu anseio efetivo por mudanças, que inclusive supõem a democratização da circulação da opinião e um sistema de informação plural, no âmbito das comunicações, atualmente controladas por quem apoia a globalização financeira do mundo, tal qual ela é orientada pelo Banco Central Europeu e pelo FED.

São os que promovem os "ajustes" em Portugal, Espanha, Grécia, Itália, extinguem empregos sem criar outros melhores e fazem-no com a mesma voracidade que submetem a democracia aos seus tecnocratas da especulação, tornando irrelevantes os governos e as eleições. Quando a grande mídia começou alertar que o "gigante acordou", boa parte do povo nas ruas entendeu, na verdade, que se tratava -para esta "companheira de mobilização" - de desmantelar conquistas e não de avançar para um novo patamar de democracia e de ampliação dos direitos, conquistados nos últimos trinta anos de democracia e dez anos de governos progressistas no país.

Apanhado de surpresa com a intensidade do movimento o Governo Federal reagiu abrindo um diálogo formal e propondo medidas para incorporá-lo no patrimônio político da República. Esta estrutura política demonstrou, no entanto, estar mais atrasada, quanto ao seu sistema de representação, do que os movimentos “diretos” de rua, que clamavam por mais participação, mais Estado e Estado mais eficiente. Este “atraso” das instituições políticas da democracia representativa já está patente na digestão que o Congresso atual (pelas as suas maiorias partidárias) está fazendo do aspecto mais arrojado da proposta presidencial: o plebiscito.

O processo plebiscitário, que tanto pode servir de avanço para a participação da sociedade na resistência à crise econômica global, relegitimando pela reforma o Estado Democrático de Direito em franca crise, como para recuperar a dignidade da política - envilecida pelas maiorias partidárias e pelo financiamento empresarial das campanhas - parece que vai ser substituído pelo pragmatismo eleitoreiro, que envolve tanto a oposição conservadora como grande parte da base do governo.

Este é o ponto central, de cuja análise seremos capazes de desenhar uma estratégia para o próximo período, que envolva tanto as eleições presidenciais de 2014, os efeitos dos movimentos sobre elas, bem como a continuidade da ação das redes e das mídias, já como sujeitos determinantes e permanentes da luta política. Aquelas, as redes, com uma influência ainda maior -para o bem o para o mal- na formação da opinião, de forma externa à democracia de partidos que carregamos até agora.

O sistema de alianças atual, no plano nacional, foi montado para sustentar um governo que, no contexto do conservadorismo neoliberal mundial do início do século XXI, precisava ser extremamente defensivo para governar um país quebrado. Com uma relação Dívida x PIB alarmante, carente de infra-estrutura mínima (mesmo para dar um pequeno “salto para frente”), com inflação elevada, juros altíssimos e com total falta de credibilidade perante um sistema financeiro mundial asfixiante não se constituiu, no primeiro governo Lula, uma aliança programática explícita. Constituiu-se uma aliança pragmática, defensiva de uma governabilidade mínima, necessária para iniciar algumas mudanças no país, que o então Presidente conduziu a sua melhor possibilidade.

Hoje seria necessário que os partidos de esquerda se unissem e promovessem um processo inverso: as alianças a partir do programa. Não mais um programa “espontâneo” que coopte alianças de sobrevivência, que em 2002 foram inevitáveis, mas desenhar um programa de avanços, tanto no modelo de democracia política, como no modelo de crescimento com inclusão e pleno emprego, apontando de forma clara a origem dos recursos para áreas "chaves".

Formar as alianças com um programa capaz de dar um novo impulso ao iniciado em 2002: fundos específicos e vinculados para a reforma agrária; para a mobilidade e o transporte coletivo urbano; para a saúde pública e a educação, com os percentuais do PIB respectivos - crescendo ano a ano - para cada setor, vislumbrando o ponto ótimo à médio prazo. Colocar, assim, explicitamente em lugar dependente, os demais compromissos orçamentários e inverter, desta forma, a hierarquia orçamentária atual, que tem na dívida e não no povo, o seu fator determinante.

No plano político o programa deveria explicitar as novas formas de participação direta, presencial e virtual, as políticas de referendo, plebiscito e consulta, abrindo caminhos para uma democracia de alta intensidade e participação, com estabilidade e previsibilidade. Hoje seria necessário, portanto - para que o próximo governo não seja um governo de crise - desenhar as alianças a partir de um programa claro, não confeccionar as alianças para daí resolver o que fazer.

É preciso, para que isso ocorra, que o PT como partido majoritário da esquerda, volte a ser um partido-sujeito, de governo, de luta e de movimento. Não seja apenas um “partido-apoio”, que até agora pode ter cumprido uma boa missão, mas que está visivelmente esgotada. Não é que “o gigante acordou, finalmente”, como sugeriu a grande mídia, pois ele já estava bem alerta. É que agora ele quer caminhar por paisagens mais verdejantes, que o neoliberalismo e o conservadorismo em geral, não tem a menor possibilidade de oferecer. Pode, o PT?

(*) Governador do Rio Grande do Sul

Esse é o Pará que eles fazem: Da corrupção !!

Até o último centavo: PM do Pará prorrogou contrato com a Delta Construções por 1 ano ou até a nova licitação. Mas licitação aconteceu em agosto de 2012 e a Delta continua recebendo dinheiro da PM. Ligada à quadrilha de Carlinhos Cachoeira, Delta foi declarada inidônea pela CGU. Em São Paulo, TCE cobrou explicações por participação de subsidiária da empresa em licitação. Mas no Pará ela receberá, só neste semestre, mais de R$ 10 milhões.



O bicheiro Carlinhos Cachoeira, em lua de mel: sócio oculto da Delta Construções, que recebeu milhões em dinheiro público, inclusive do Governo do Pará (Foto: revista Veja)


Em junho do ano passado, a Controladoria Geral da União (CGU) declarou a Delta Construções inidônea, proibindo-a de firmar contratos com a administração pública.

Motivo: a empresa teria pagado propina a servidores do DNIT, no estado do Ceará.

As propinas teriam sido pagas durante pelo menos três anos, o que demonstra, segundo a CGU, “flagrante contumácia na ação delitiva”.

Mesmo assim, em 23 de julho do ano passado o Diário Oficial do Estado (caderno 1, página 8) publicou um aditivo de R$ 17,5 milhões ao contrato da Delta com a Polícia Militar do Pará, para o aluguel de viaturas.

O aditivo previa uma prorrogação contratual de 12 meses, “ou até q/ conclua o procedimento licitatório e seja efetivada toda substituição dos veículos atualmente utilizados, o q/ ocorrer primeiro.”

A nova licitação (o Pregão Eletrônico 029/2012) foi realizada em agosto do ano passado.

Mesmo assim, ao que parece, a PM pagará à Delta até o último centavo dos R$ 17,5 milhões previstos naquele aditamento: segundo informações do portal Transparência Pará, só neste semestre serão injetados nos cofres da empresa mais de R$ 10 milhões.


Lavagem de dinheiro e até ameaças a juiz

A Delta Construções foi declarada inidônea na esteira do escândalo que envolveu, no ano passado, o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Segundo a Polícia Federal, a Delta foi usada para lavagem de dinheiro pela quadrilha de Cachoeira, que seria até sócio oculto da empresa.

Reportagens em vários veículos de comunicação do país noticiam que além de lavagem de dinheiro, corrupção de políticos e funcionários públicos, fraudes em licitações e outros crimes, a quadrilha de Cachoeira também estaria envolvida em ameaças a um juiz federal.

Em 23 de julho do ano passado, o então promotor de Justiça de Direitos Constitucionais e Patrimônio Público Nelson Medrado (hoje ele é procurador) estranhou o fato de a PM haver prorrogado o contrato com a Delta, apesar da declaração de inidoneidade da CGU.

E disse que embora a validade dessa declaração seja na esfera federal, o fato de ter sido simplesmente ignorada pela PM poderia até caracterizar improbidade administrativa.

“Se alguém te diz que uma empresa é inidônea, você vai contratar com ela? Estamos falando de dinheiro público, que é preciso proteger. Ao ignorar esse aviso, você está ignorando todos os cuidados com o dinheiro público, a proteção do dinheiro público que representa esse aviso. Então, como é que se ignora uma recomendação da CGU? Isso pode até caracterizar improbidade administrativa, a falta de zelo com o dinheiro público, o fato de se ignorar um possível prejuízo ao erário”, afirmou Medrado à Perereca.

Ele ficou de pedir informações à PM sobre a nova licitação e a prorrogação contratual, até porque havia notícias de que a Delta estaria encerrando as suas atividades. (leia aqui:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/07/nelson-medrado-vai-pedir-informacoes-pm.html).


Improbidade Administrativa

O contrato prorrogado em julho do ano passado foi firmado em julho de 2011 e tem o número 28/11.

Ele teve por base o Pregão Eletrônico 003/2011, realizado pela Segup em maio de 2011, para o aluguel de viaturas a todos os órgãos do Sistema de Segurança Pública do Pará.

Em 17 de setembro do ano passado, Medrado informou à Perereca que decidira processar, por improbidade administrativa, os responsáveis por esse Pregão.

Isso porque o Grupo Técnico do Ministério Público constatou a ocorrência de fraude em benefício da Delta, a grande vencedora do certame.

“O Grupo Técnico atestou que houve direcionamento, restrição à competitividade na licitação”, disse Medrado.

O Pregão rendeu à Delta, inicialmente (ou seja, sem os aditivos que vieram depois), mais de R$ 22 milhões por ano em contratos com o Sistema de Segurança Pública do Pará.

Além disso, órgãos que não integram o Sistema, como a Casa Militar do Governo do Estado, também aderiram à Ata do Pregão.

No entanto, o maior contrato da Delta foi mesmo com a PM.

Ele possuía o valor inicial de R$ 14 milhões por ano.

Mas um aditivo de preço, em abril do ano passado, turbinou o contrato em R$ 3,5 milhões, elevando-o para mais de R$ 17,6 milhões anuais.

No governo petista, o contrato entre a Delta e a PM, muito criticado pelos tucanos nas eleições de 2010, era de R$ 10 milhões por ano – ou muito mais barato que o atual.

Leia mais aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/09/mp-devera-processar-responsaveis-por.html
E aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/09/responsaveis-pelo-contrato-entre-delta.html


Mais indícios de fraude

Na época dessas declarações de Nelson Medrado, o blog ainda não sabia, mas a Segup já havia realizado um novo Pregão, para o aluguel de viaturas ao Sistema de Segurança, o que permitiria encerrar o contrato da Delta.

O Pregão Eletrônico 029/2012 havia sido realizado em 22 de agosto de 2012.

E, assim como o anterior, também apresentou indícios de fraude, conforme mostrou a Perereca em reportagem publicada no dia 26 de novembro de 2012.

Das 6 seis empresas que venceram o Pregão, pelo menos três participaram da licitação junto com empresas pertencentes a parentes diretos dos proprietários.

Leia aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/11/jatene-podera-gastar-ate-r-1064-milhoes.html?utm_source=BP_recent
E aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/12/edmilson-vai-pedir-que-mp-ajuize-acao.html


TCE dá 48 para Governo de SP se explicar

Hoje, o jornal Estado de São Paulo informou que o Tribunal de Contas deu 48 horas para que o Governo daquele estado “esclareça o favoritismo da Técnica Construções, subsidiária da Delta, em uma concorrência internacional de R$ 3,8 bilhões”.

O edital do certame prevê que subsidiária de empresa inidônea não pode ser declarada vencedora.

Empresas que participam da licitação argumentam que a Delta está em processo de recuperação judicial e impedida de licitar ou contratar com a administração pública, em decorrência de ter sido declarada inidônea.

Leia aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,subsidiaria-da-delta-vira-alvo-do-tce,1052782,0.htm


À espera de respostas

No início da noite de hoje, a Perereca encaminhou email à Assessoria de Comunicação da Segup, a fim de obter informações sobre o porquê de a Delta continuar a receber repasses financeiros do Governo, já que a nova licitação foi realizada em agosto do ano passado.

Diz o email:

“Vi no Portal da Transparência (e já tem matéria no meu blog, A Perereca da Vizinha) que a Delta Construções continua recebendo dinheiro do contrato com a PM, para o aluguel de viaturas.

Sei que houve uma prorrogação do contrato dela, o 28/11, se não me falha a memória, em 23 de julho do ano passado.

A prorrogação seria de 12 meses ou até a conclusão de novo processo licitatório.

Também sei que foi realizado um pregão eletrônico, em agosto do ano passado, o 029/2012, para o aluguel de viaturas ao sistema de segurança (o que inclui a PM).

Gostaria de saber, portanto, o que houve com essa nova licitação.

Se foram assinados contratos com as empresas que venceram esse pregão, então por que a Delta continua a receber repasses financeiros da PM?

No Portal da Transparência, há pagamentos não apenas referentes a exercícios anteriores, mas, também, ao exercício de 2013. E há, ainda, uma nota de empenho ainda não paga, datada do último dia 2 de julho.

Agradeço a atenção e peço apenas urgência nessas informações, já que estou finalizando nova matéria para meu blog".

No entanto, até o fechamento desta reportagem a Assessoria ainda não havia encaminhado as informações solicitadas.


Veja nos quadrinhos abaixo (clique em cima deles para ampliar) as Notas de Empenho emitidas pela PM em favor da Delta Construções, agora em 2013.

Em quase todas (à exceção de uma, datada de 2 de julho) constam os números das Ordens Bancárias – documentos que comprovam o pagamento dos valores empenhados.

Aqui, uma Nota de Empenho de Fevereiro:




Aqui, uma Nota de Empenho de Março:





Aqui, uma Nota de Empenho de Maio:









Aqui, outra Nota de Empenho de Maio:






Aqui, uma Nota de Empenho de Junho:






E confira os pagamentos feitos neste ano, mas relativos a exercícios anteriores (possivelmente, 2012).

Aqui, uma Nota de Empenho de Janeiro:






Aqui, outra Nota de Empenho de Janeiro:






Aqui, uma Nota de Empenho de Março:



E veja a Nota de Empenho de 2 de julho, que ainda não foi paga:





Leia mais sobre a declaração de inidoneidade da Delta:

A notícia do site da CGU: http://www.cgu.gov.br/Imprensa/Noticias/2012/noticia08412.asp

A Nota Técnica da Comissão de Processo Administrativo de Fornecedores:http://www.cgu.gov.br/Correicao/Arquivos/2012-06-11_NT_Inidoneidade%20Delta.pdf

O Parecer da Assessoria Jurídica: http://www.cgu.gov.br/Correicao/Arquivos/2012-06-12_Parecer_Inidoneidade%20Delta.pdf

A decisão do ministro-chefe da CGU: http://www.cgu.gov.br/Correicao/Arquivos/2012-06-12_Decisao_Inidoneidade%20Delta.pdf


E leia reportagens e postagens anteriores da Perereca sobre os contratos da Delta Construções com o Sistema de Segurança Pública do Pará:

21 de novembro de 2011 - Indícios de fraude no Pregão da Segup que beneficiou Delta Construções com um contrato de R$ 14 milhões com a PM do Pará:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/indicios-de-fraude-no-pregao-da-segup.html

23 de novembro de 2011- Carros antigos alugados pela Delta à PM continuariam a circular em Belém:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/carros-antigos-alugados-pela-delta.html

24 de novembro de 2011 - Jatene derrama dinheiro na Delta. Contratos com Sistema de Segurança Pública somam mais de R$ 22 milhões. Novo contrato da PM é maior que no governo petista:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/extra-extra-jatene-derrama-dinheiro-na.html

25 de novembro de 2011 - Segup garante que governo economizou com novo contrato entre a PM e a Delta. Mas admite que contrato antigo continua em vigor:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/segup-garante-que-governo-economizou.html

29 de novembro de 2011- Pregão da Segup vira caso de polícia: acusada de irregularidades em vários pontos do país, Delta poderá faturar até R$ 83 milhões no Pará:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/pregao-da-segup-vira-caso-de-policia.html

1 de dezembro de 2011 – Cidadão denuncia e o xerife entra em campo: Ministério Público vai investigar Pregão da Segup que pode render à Delta quase R$ 83 milhões no Pará:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/12/cidadao-denuncia-e-o-xerife-entra-em.html

7 de dezembro de 2011 – O escandaloso Pregão da Segup: aluguel de veículos consumirá, em três anos, R$ 56 milhões a mais do que a compra. E preços da Delta no Mato Grosso são menores que no Pará: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/12/o-escandaloso-pregao-da-segup-aluguel.html

3 de abril de 2012 - Parla, Demóstenes, parla!...: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/04/parla-demostenes-parla.html

16 de abril de 2012 – PM turbina contrato com a Delta em R$ 3,5 milhões. Contrato passa a valer mais de R$ 17,6 milhões para apenas 12 meses: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/04/pm-turbina-contrato-com-delta.html

18 de abril de 2012 – Ministério Público Militar instaura inquérito civil público para investigar novo contrato da Delta com a PM do Pará. http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/04/ministerio-publico-militar-instaura.html

9 de maio de 2012 – Jatene debaixo de bala: Edmilson Rodrigues pedirá que contratos da Delta com o Governo do Pará também sejam investigados pela CPMI de Carlinhos Cachoeira:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/05/extra-extra-jatene-debaixo-de-bala.html

15 de maio de 2012 - Promotores apertam o cerco à Delta no Pará. Edmilson pede inclusão de contratos na CPMI de Cachoeira. Perereca localiza aditivo de R$ 750 mil da Polícia Civil. Novos contratos da Segup e da Defensoria somam quase R$ 370 mil:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/05/promotores-apertam-o-cerco-delta.html

5 de junho de 2012: Artigo: Tucanos e petistas viram reféns da “massa atrasada”, na disputa pelo troféu “ulha, ulha, ulha, tu fizeste também!”. É o "habeas patifaria" dos "lindinhos" da política brasileira. http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/06/artigo-tucanos-e-petistas-viram-refens.html

23 de julho de 2012: PM do Pará turbina em mais de R$ 17,6 milhões contrato com a Delta Construções para o aluguel de viaturas: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/07/policia-militar-do-para-turbina-em-mais.html

23 de julho de 2012 - Medrado pedirá informações à PM sobre aditivo que turbinou em mais de R$ 17,6 milhões contrato com a Delta. Segundo o promotor, o fato de a PM ter ignorado a declaração de inidoneidade da Delta pode caracterizar improbidade: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/07/nelson-medrado-vai-pedir-informacoes-pm.html

17 de agosto de 2012 - Mesmo com contrato turbinado por aditivos de preço, Delta Construções teria trocado carros da PM por modelos mais baratos: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/08/mesmo-com-contrato-turbinado-por.html

Governador do Rio, Sérgio Cabral, transforma o estado num balcão de negócios sujos

Licitação para recuperar lagoas no Rio teria beneficiado consórcio vencedor, diz revistaDO RIO

O resultado de uma licitação do governo do Rio para recuperação das lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, zona oeste da cidade, teria sido conhecido antes da conclusão do processo, segundo reportagem da revista "Época" que chegou às bancas neste sábado (13).

O consórcio vencedor é formado pelas construtoras Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez. A revista, que diz ter sido informada previamente sobre o desfecho do processo licitatório, publicou em 11 de junho um anúncio cifrado nos classificados de um jornal fluminense, antecipando o resultado.

O texto dizia: "Vendo Empreendimento Lagoas da Barra, no Rio, com obras de recuperação ambiental realizadas pelo consórcio vencedor Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS".

As propostas foram entregues pelos concorrentes à Secretaria Estadual do Ambiente somente em 14 de junho, acrescenta a reportagem. A obra está orçada em R$ 673 milhões.

A vitória do consórcio Complexo Lagunar, composto por Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS, foi anunciada em 17 de junho. Segundo a "Época", a oferta vencedora era apenas 0,07% mais barata do que o valor máximo estipulado pelo governo.

Rafael Andrade-18.jun.09/Folhapress

Imagem da lagoa Marapendi, localizada na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro

A Folha procurou as empresas do consórcio vencedor, a Odebrecht (perdedora da concorrência nas Lagoas) e o governo do Rio, mas não obteve retorno até as 12h45 deste sábado.

No mesmo período da licitação das Lagoas, segundo a "Época", a Odebrecht, junto com a construtora Carioca Christiani-Nielsen, venceu outra licitação, de R$ 600 milhões, para prevenção de enchentes no noroeste do Rio, obra que também é ligada à Secretaria de Estado do Ambiente. Segundo a revista, auditores do TCU teriam encontrado indícios de sobrepreço nesta obra.

OUTRO LADO

A Odebrecht esclarece que participou da licitação para a recuperação ambiental das lagoas da Barra da Tijuca com proposta econômica compatível à execução do projeto.

A empresa reforça que desconhece a informação de que o vencedor já teria sido conhecido antes da conclusão do processo, conforme noticiado pela revista "Época". A Odebrecht ressalta que não identificou razões para contestar o resultado da licitação.

nazareth love hurts (1976)

Secos & Molhados - Flores Astrais - Clipe na íntegra

Led Zeppelin - In The Evening

Guns N' Roses - November Rain ( Video Original )

Barão Vermelho - Quando o Sol Bater na Janela do seu Quarto

Raul Seixas Carpinteiro do Universo Dueto Marcelo Nova

sexta-feira, 12 de julho de 2013

CASO GLOBO: O ESCÂNDALO DENTRO DO ESCÂNDALO



"Há um silêncio abjeto que paira sobre este escândalo – exceto pela luta heroica e solitária dos bravos Davis da internet contra o Golias e seus amigos, ou cúmplices, se você quiser", diz o diretor do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira, ao comentar o caso de sonegação fiscal da Rede Globo

12 DE JULHO DE 2013 ÀS 15:20

247 - Há um escândalo por trás do escândalo de sonegação fiscal da Rede Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, diz o jornalista Paulo Nogueira, diretor do Diário do Centro do Mundo. Leia:

Globo versus Receita: um escândalo dentro do escândalo

Paulo Nogueira

É abjeto o silêncio da mídia, dos políticos e do governo num caso tão extraordinário.

Futebol é um negócio bilionário para a Globo

Existe um escândalo dentro escândalo do caso Globo versus Receita Federal.

É a omissão da mídia, dos políticos e do governo. Todos estão se fazendo de mortos, numa cumplicidade mórbida, como se não estivesse ocorrendo nada.

A tarefa de lutar por um Brasil melhor, neste caso, está limitada, até aqui, a esforços épicos de blogues independentes.

Os fatos são espetaculares.

Vejamos.

A Receita, como primeiro noticiou o blog O Cafezinho, flagrou a Globo numa trapaça fiscal. Documentos vazados por uma fonte da Receita mostram que a Globo tratou a compra dos direitos da Copa de 2002 como se fosse um investimento no exterior para fugir aos impostos brasileiros.

Isso se chama sonegação. E sonegação é corrupção.

A empresa se utilizou, na manobra, de um paraíso fiscal, recurso predileto de sonegadores no mundo todo. Não à toa, os governos dos países adiantados decidiram impor um cerco terminal aos paraísos fiscais, porque o dinheiro sonegado destrói a saúde dos cofres públicos e impõe uma injustiça monstruosa à sociedade.

Em dinheiro de 2006, a Globo devia 615 milhões de reais à Receita. Isso são seis vezes o que a Globo definiu como o maior caso de corrupção da história do Brasil, o Mensalão.

Pressionada, a Globo, depois de tergiversar, admitiu que tivera sim problemas com a Receita. Mas jamais mostrou o darf, o recibo, para comprovar que acertara as contas.

Se o enredo já não fosse sensacional, entrou depois em cena a notícia – confirmada – de que uma funcionária da Receita tentara fazer desaparecer a documentação do caso.

Uma história fiscal passou a ser policial também.

A funcionária escapou da prisão graças a um habeas corpus de Gilmar Mendes. Para quem ela trabalhara? Teoricamente, basta buscar na lista dos beneficiários de um eventual sumiço.

Não são tantos assim.

Estranhamente, ou não estranhamente, pensando bem, a mídia corporativa – que tem exércitos de repórteres – não fez o menor esforço para encontrar funcionária e tentar esclarecer um caso de dimensões extraordinárias.

Isso atesta a miséria do jornalismo investigativo nacional.

Cenas bizarras vão aparecendo: um advogado da Globo disse não se recordar do caso, como se estivesse falando da conta de um restaurante.

Um repórter do UOL entrou no caso, provavelmente sem conhecimento dos donos, extraiu da Globo a admissão da multa e sumiu exatamente no momento em que conseguira mostrar que tinha uma grande história.

O UOL – da Folha, sócia da Globo no jornal Valor – não deu mais nada. O mesmo comportamento teve seu irmão, a Folha, que estampa na primeira página a informação de que é um jornal a serviço do Brasil.

Sim, a serviço do Brasil – mas desde que isso não signifique investigar a Globo.

Fora todos os fatos comprovados, há especulações eletrizantes.

Exemplo: a justiça suíça, ao denunciar no ano passado a rede de propinas comandada por João Havelange e Ricardo Teixeira, denunciou a propina milionária paga num paraíso fiscal para Havelange para que garantisse a uma emissora de televisão que a Fifa venderia a ela, e não à concorrência, os direitos da Copa de 2002.

Quanto a Globo ganha com futebol é uma enormidade: em 2012, foram vendidas seis cotas a patrocinadores por 174 milhões cada. Isso dá mais de 1 bilhão de reais.

O tamanho do negócio do futebol justificaria qualquer coisa?

Esta é uma das questões que deveriam estar sendo discutidas publicamente, num regime de transparência urgente, dado o torrencial interesse público do caso.

Mas não.

Há um silêncio abjeto que paira sobre este escândalo – exceto pela luta heroica e solitária dos bravos Davis da internet contra o Golias e seus amigos, ou cúmplices, se você quiser.

Além de fraudar o fisco a Globo ainda falsifica reportagens


Apesar de esse vídeo incrível – que o post reproduz mais adiante – ter circulado bastante pelas redes sociais ao fim de noite de quinta-feira (11 de julho de 2013), é vital comentar mais a fundo o que ele mostra por ser literalmente estarrecedor.

As denúncias de que a Rede Globo tentou fraudar o fisco em módicos R$ 600 milhões vêm sendo encaradas pelos “éticos” que vivem acusando o partido ao qual a emissora declarou guerra como sendo “exageradas”, pois a fraude fiscal em questão seria apenas uma manobra “empresarial” corriqueira para pagar menos impostos.

Vá lá que, no Brasil, nossas degeneradas classes média e alta dão nomes eufemísticos ao que em países civilizados é considerado crime e dá cadeia: sonegação de impostos. Mas o que mostra o vídeo a que este texto se refere não pode ser minimizado nem pelo maior cara-de-pau da galáxia.

Na última quinta-feira, durante o ato público de centrais sindicais que ocorreu na avenida Paulista, o diretor do grupo de comunicação Rede Brasil Atual, Paulo Salvador, flagrou reportagem da Globo operando a prática (anti) jornalística mais execrada desde o surgimento da imprensa: falsificação de fatos para preencher “reportagens”.

Sim, é isso mesmo: no âmbito da guerra política da Globo contra o governo Dilma Rousseff, uma equipe de reportagem da emissora foi àquela avenida durante o ato das centrais sindicais e tentou forjar um protesto contra a presidente da República. Levou um cartaz com ataques a ela e pediu para um manifestante segurá-lo enquanto filmava.

O vídeo mostra o momento em que Salvador interpela a equipe após ter visto a fraude ser encenada. Ocorre, inclusive, um princípio de confusão. A equipe da Globo, formada por “repórteres” parrudos que mais pareciam leões-de-chácara, parecia disposta a ir às vias de fato com quem a pegou no pulo.

Logo, porém, outros manifestantes percebem a confusão, cercam os “repórteres” globais e começam a entoar palavras de ordem contra a emissora, obrigando os que tentavam produzir a fraude a se retirarem do local.

Resta saber quantas vezes, ao longo das últimas semanas, a Globo apresentou falsos protestos contra o governo quando não foi possível obter imagens verdadeiras. E resta saber, também, se o que se vê no vídeo abaixo decorreu de ordem da direção da emissora ou se foi mera tentativa dos “repórteres” de agradar o patrão.

Assista, abaixo, ao flagra de outro item da já longa lista de fraudes que vai sendo conhecida e, assim, vai explicando como a família Marinho conseguiu edificar um império tão gigantesco e rico como as Organizações Globo.

Veja o vídeo no link 

A Perereca da Vizinha: Meditações hondurenhas.

O Diário do Pará se desculpou, ontem, pelo fato de ter publicado a foto de um hospital de Honduras como se fosse da Santa Casa.

Agiu muito bem.

O ato de pedir desculpas, principalmente na capa, não é comum na imprensa brasileira.

Em geral, os jornais preferem omitir o erro porque acreditam que, ao admiti-lo, perderão credibilidade.

Um amigo que trabalha no Diário me disse que as imagens foram recebidas de uma fonte, até então confiável.

E que o jornal não teve condições de checar a autenticidade, porque estaria praticamente proibido de entrar na Santa Casa.

No entanto, isso não “apaga” um erro elementar: publicar imagem tão grave (crianças dentro de caixas de papelão) se não havia condições de checá-la.

Esse tipo de cuidado é essencial para evitar “barrigadas”, a que, na verdade, estão sujeitos todos os veículos de comunicação do mundo.

No Brasil, há casos famosos – e só para ficar no Brasil.

Um deles foi a publicação, pela Folha de São Paulo, em 2009, de um documento falso: uma suposta ficha do Dops da hoje presidenta da República, Dilma Rousseff.

Mais remotamente, em 2000, o Correio Brasiliense se desculpou, em manchete de capa, por uma reportagem incorreta.

Outra história falsa, que, aliás, foi reproduzida pelos principais jornais do país, foi a daquela brasileira que teria perdido o bebê depois de ter sido espancada por neonazistas, na Suíça.

Há inúmeros casos desse tipo, alguns mais nocivos do que outros (ou alguém já se esqueceu da Escola de Base?).

Daí a importância de redobrar os cuidados na checagem das informações.

Isso impedirá que a imprensa erre? Não.

Mas ajudará a que erre menos e de maneira menos complicada.

Vale destacar, no entanto, a atitude do Diário, até por ser incomum: o jornal se desculpou, e se desculpou na capa.

E isso é, sim, um ponto a seu favor.

..................

No entanto, há outras questões nesse episódio que também merecem ser analisadas.

Uma foi a tentativa de desqualificar a totalidade do jornal, a partir dessa foto falsa.

Só eu contei umas 20 postagens nas redes sociais (a metade escrita por jornalistas ligados à assessoria de imprensa do Governo ou à Griffo) com a mesma linha de ataque: o jornal não merece credibilidade e só publicou a foto e a reportagem porque o PSDB rompeu com o PMDB.

A verdade, porém, é que o Diário já vem publicando há algum tempo uma série de reportagens sobre o caos da saúde no Pará.

E essas reportagens, ao que parece, são, sim, verdadeiras.

As denúncias não são feitas por algum “Zé Mané”, mas, por profissionais de saúde e até pelo presidente do Sindicato dos Médicos.

E são corroboradas por matérias de outros veículos de comunicação, que vêm mostrando a situação aflitiva de todo o setor, e não apenas da Santa Casa.

Daí que se aproveitar daquela foto para tentar esconder a realidade não é apenas oportunismo: é um desserviço à sociedade.

E um profundo desrespeito ao bem maior em jogo: a vida humana.

.......................

A entrevista do governador Simão Jatene, na tarde de anteontem, foi uma das coisas mais absurdas que já assisti, em mais de 30 anos de Jornalismo.

Em primeiro lugar, Jatene não foi apenas grosseiro com a repórter da TV RBA que tentava entrevistá-lo: ele foi, na verdade, um covarde.

Ele se aproveitou da condição de governador e de estar cercado por um monte de empregados, para humilhar aquela jornalista, ao vivo e em cores.

Como se aquela repórter, uma trabalhadora assalariada, fosse culpada pela publicação daquela foto, ou até pelo caos da Saúde.

Lá pelas tantas, ele até afirmou, mais ou menos assim: “Eu gostaria que fosse um deles que estivesse aqui!”, provavelmente se referindo aos diretores do Diário do Pará.

E eu pensei comigo: É, eu rrrealmente gostaria de ver toda essa “valentia”, se estivesse diante dele não um simples repórter, mas, os diretores do jornal.

Não foi a primeira vez que Jatene agiu assim em relação a um jornalista.

Em 2006, eu saía de uma entrevista, salvo engano no CIG, e estava à espera do carro do jornal, quando Jatene atravessou o pátio e se colocou às proximidades de onde eu estava.

Ele então começou a falar em voz alta com um monte de PMs que o rodeavam, enxovalhando as reportagens que eu escrevia, sem ter nem mesmo a dignidade de se dirigir diretamente a mim.

E eu pensei comigo: “Égua do sujeito “corajoso”, né não?”

Por isso, lamento não apenas a falta de compostura do governador.

Mas o fato de algumas pessoas, inclusive jornalistas, ainda tentarem justificar tamanho desequilíbrio, desrespeito e violência a partir das perguntas da repórter da RBA.

Nada justifica a atitude de Jatene. Nada.

..................

As declarações de Jatene naquela coletiva também impressionam pela hipocrisia, no limiar do delírio e da esquizofrenia.

Ele criticou os grupos que ainda se acreditam capazes de “impor uma realidade”, a partir do poder político e econômico.

Disse estar “indignado” com a tentativa de “manipular a sociedade”.

Citou, em defesa da administração da Santa Casa, a declaração de um representante do Ministério da Saúde de que a “vulnerabilidade social” é que está na origem da maioria das mortes de bebês naquele hospital.

E depois de apresentar os supostos investimentos em saúde de seu governo como “um esforço muito superior ao que há muito tempo se faz nessa área”; e de rasgar elogios ao Propaz, que é, por sinal, comandado pela filha dele, saiu-se com esta:

“É claro que nada disso faço na busca de autoelogio!”

(Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)

Em primeiro lugar, ao criticar a manipulação da sociedade e a tentativa de impor uma realidade através do poderio político e econômico, Jatene parece ter se esquecido dos impressionantes gastos em propaganda de seu governo: cerca de R$ 40 milhões por ano.

Tudo para impor uma realidade, manipular a sociedade, levando a população a acreditar em um Pará “lindinho” que só existe naquele bunker da Perebebuí chamado Griffo Comunicação.

No domingo passado, um policial foi morto com três tiros na cabeça quando voltava pra casa, em Belém, simplesmente porque estava fardado.

Enquanto isso, haja propaganda de carros, e de coletes, e de armas que teriam sido entregues à polícia, num estado em que nem mesmo um policial está a salvo de ser assassinado em plena luz do dia.

Num estado em que até a Secretaria de Segurança já foi assaltada em pleno centro de Belém, em plena luz do dia.

Num estado onde meninos andam de arma em punho, em vez de estarem na escola.

E o que impressiona é o perobal.

Há pouco, assisti uma reportagem na TV, mostrando as filas enormes que os pacientes do hospital Ofir Loyola, pacientes com câncer, têm de enfrentar para conseguir tratamento.

E fiquei impressionada com a resposta da direção do hospital, que disse mais ou menos assim: “ah, essas filas estavam desse jeito porque foi um dia atípico”.

Dia atípico?

E as filas que dia sim, dia não, os jornais e as TVs mostram naquele hospital também são “atípicas”?

Gente doente a dormir no chão, que nem bicho, porque não tem dinheiro pra se tratar dessa doença terrível e tem de suportar tamanha humilhação.

Gente que não se chama nem Jatene, nem Bezerra, mas que tem direito à vida, à saúde e à dignidade, sim.

Mas a maior infelicidade de Jatene, nessa coletiva, foi ter se amparado na declaração do representante do Ministério da Saúde, que atribuiu à vulnerabilidade social a maioria das mortes na Santa Casa.

De fato, muitos daqueles bebês que morrem ali, morreriam até em um hospital da Dinamarca.

Muitos nascem tão doentes, tão pequeninos que só pela misericórdia de Deus é que poderão sobreviver.

No entanto, essa vulnerabilidade não se resume à condição de pobreza dessas mães e bebês, nem é reflexo apenas “de um país profundamente desigual” como disse Jatene, para se eximir de qualquer responsabilidade.

Essa vulnerabilidade abrange a falta de acesso à Saúde e a um serviço básico como é o pré-natal.

Quantos desses bebês poderiam ter sobrevivido, se a Atenção Básica funcionasse?

“Ah, mas a Atenção Básica é municipalizada!”

Sim, mas isso não quer dizer que o Governo possa agir como Pôncio Pilatos: simplesmente fazer de conta que não tem nada a ver com isso, enquanto essas crianças continuam a morrer.

O Governo do Estado tem o DEVER de chamar as prefeituras, coordenar a Atenção Básica e até repassar dinheiro para ajudar os municípios.

Não adianta só inaugurar hospital: tem é que fazer a Atenção Básica funcionar.

E não adianta só falar em descentralização do atendimento, se os hospitais regionais não funcionarem de verdade.

Por isso, quando vi Jatene se escudando na pobreza dessas mães e bebês, até pensei comigo: égua, parece até que ele não é o governador do Pará.

Porque ainda que vulnerabilidade social se resumisse à condição de pobreza, ainda assim, Jatene teria uma parcela enorme de responsabilidade nessas mortes.

Afinal, onde é que estão as políticas de combate à pobreza do seu Governo?

Onde está o resultado do planejamento que ele comandou ao longo de 12 anos, entre 1995 e 2006, e que voltou a comandar desde 2010?

Quer dizer que aquela história de mudança da base produtiva; de “dividir o bolo enquanto ele está a crescer”; de melhorar a qualidade de vida, era tudo farol, lári-lári, enrolação?

Jatene não chegou hoje ao comando do estado.

Bem vistas as coisas, ele e o grupo dele comandam o Planejamento do Pará desde pelo menos o início da década de 1980.

Sim, porque entra governo, sai governo e os técnicos dessa área são os mesmos: todos da antiga Seplan, de onde também veio Jatene.

E tenho minhas dúvidas se até no Governo do PT não foram esses mesmos técnicos a comandar o Planejamento do Pará.

Então, cadê o resultado?

O pior é que estamos a falar de criancinhas, mulheres grávidas, pacientes com câncer, gente fragilizada – e é isso o que mais dói.

E enquanto essas pessoas sofrem e morrem, no corredor, na porta dos hospitais; enquanto dormem no chão à espera de um exame, de uma consulta, o governador só se preocupa é em convocar coletiva, pra esculhambar repórter e jornal.

Lamentável. Simplesmente, lamentável.

FUUUUUIIIIIIII!!!!!!!

A Perereca da Vizinha - A blogosfera até faz o seu papel, mas o MP tem sua coloração partidária !


Extra! Extra! PM do Pará continua a pagar Delta Construções de Carlinhos Cachoeira: mais de R$ 10 milhões em 2013. Empresa já foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União. Ministério Público investiga contrato da Delta com órgãos do Sistema de Segurança Pública do Pará.

Jatene entrega viaturas à PM: PSDB continua a injetar dinheiro na Delta de Carlinhos Cachoeira

A Delta Construções, empresa ligada ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, continua a receber dinheiro do Governo do Pará, pelo aluguel de viaturas à Polícia Militar.

No ano passado, a empresa foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU) e está proibida de firmar contratos com órgãos públicos da esfera federal.

Motivo: a CGU teria comprovado o contumaz pagamento de “benesses” a servidores públicos, pela empresa.

Só em 2013 a PM já pagou à Delta mais de R$ 5,7 milhões, por serviços realizados neste exercício, segundo dados do portal Transparência Pará.

No entanto, ainda há pagamentos também em 2013, mas referentes a exercícios anteriores, que somam cerca de R$ 3,5 milhões.

Além disso, uma nota de empenho ainda não paga, datada do último dia 2 julho, tem valor superior a R$ 1 milhão.

Isso significa que a PM deverá injetar nos cofres da empresa, apenas neste primeiro semestre, mais de R$ 10 milhões.

Na internet, há informações de que o Tribunal de Contas de São Paulo cobrou explicações do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, devido à participação de uma subsidiária da Delta em licitação bilionária naquele estado.

O blog vai tentar contato com Ministério Público Estadual, que investiga os contratos da empresa com vários órgãos do Sistema de Segurança Pública do Pará.

A Perereca volta mais tarde com a reportagem completa sobre esse assunto.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério contratou filho de Joaquim Barbosa

por Helena Sthephanowitz publicado em seu blog

Se Barbosa é relator da ação que envolve Valério, não deveria ter mais atenção a este tema?

O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010. Até poucos dias atrás, antes de ele ir trabalhar na TV Globo com Luciano Huck, Felipe ainda era funcionário da Tom Brasil.

Nada demais, não fosse um forte inconveniente: a Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado "mensalão", e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado "mensalão", identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 (chamado "mensalão") junto com Henrique Pizzolato.

Outra curiosidade é que um dos sócios do grupo Tom Brasil, Gladston Tedesco, foi indiciado na Operação Satiagraha, sob a acusação de evasão de divisas como cotista do Opportunity Fund no exterior, situação vedada a residentes no Brasil. Ele negou ao jornal Folha de S. Paulo que tenha feito aplicações no referido fundo.

Tedesco foi diretor da Eletropaulo quando era estatal em governos tucanos, e respondeu (ou responde) a processo por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.

Pode ser só que o mundo seja pequeno, e tudo não passe de coincidência, ou seja lobismo de empresários que cortejam o poder, embora o ministro Joaquim Barbosa deveria ter se atentado para essa coincidência inconveniente, dada a sua dedicação ao inquérito. Entretanto, não custa lembrar que se o ministro, em vez de juiz, fosse um quadro de partido político, o quanto essa relação poderia lhe causar complicações para provar sua inocência, caso enfrentasse um juiz como ele, que tratou fatos dúbios como se fossem certezas absolutas na Ação Penal 470. Também é bom lembrar que o ministro Joaquim Barbosa já declarou que não tem pressa para julgar o mensalão tucano, no qual Marcos Valério é acusado de repassar grande somas em dinheiro para a campanha eleitoral dos tucanos Eduardo Azeredo e Aécio Neves.

Impactos ambientais atingem prais do Tocantins



Hidrelétricas estão acabando com as praias do rio Tocantins. 
Quando construírem a barragem de Marabá, sobrará algum torrão de areia pra dizer que é nosso?


O fato já vem ocorrendo desde o ano passado, mas agora acentuou-se: as praias localizadas a jusante das Hidrelétrica do Estreito, Lageado (Palmas) e  Serra da Mesa  (no alto Tocantins – GO) estão sofrendo forte influência da barragem,  com oscilações acentuadas em suas  extensões  físicas.
De Tocantinópolis a Marabá, o problema agrava-se, dependendo  da vazão de água liberada pela hidrelétrica do Estreito.
A praia do Tucunaré, em pleno mês de julho,  está apenas com 30% de seu território descoberto. Nesta época do ano, o logradouro sempre   apresenta-se a  80% de sua  extensão disponível para o banho.
Pior: registra-se, pela primeira vez, oscilação do nível das águas do Tocantins, com o surgimento de sobe e desce da água, na plenitude do verão.
No embalo que vai, termina julho e a insistência do rio cobrindo os bancos de areia seguirá na mesma toada.
Fenômeno registra-se com maior intensidade nas praias localizadas nas cidades de Tocantinópolis (TO), Araguatins (TO), Imperatriz (MA), Praia Norte (TO) e demais,  localizadas no Bico do Papagaio.
Agora pela manhã, o poster conversou com jornalistas daqueles municípios, recebendo informação de que a vazão da hidrelétrica impactou o Tocantins numa distância de 400 km, a jusante.
As praias de Itaguatins, sempre lindas e muito concorridas no período de temporada alta, estão em sua totalidade submersas.
As praias do Cacau e Do Meio, em Imperatriz,   dependendo do vai e vem das águas.
“Aqui virou um mistério, depois que fecharam a barragem do Estreito, as praias do Cacau, Praia do Meio e da Bela Vista, aparecem e somem, rapidamente. A gente nota isso tomando banho, por causa do nível do rio que, de repente, começa a subir, como se fosse  maré”, conta  o repórter Carlos Henrique Gaby Rocha.
Em Imperatriz, até a programação do Verão já teve que ser adiada por excesso de água  no rio, num período em que as praias deveriam estar descobertas.
Em Imperatriz, as autoridades devem abrir o veraneio, oficialmente, agora,  só em agosto,
Em Praia Norte, a assessora de Gabinete, Josy Cruz, pelo telefone,  repete a mesma história: adiamento da programação de verão por falta de praia.
“Tanto é que municípios como Araguatins, também, estão sem estrutura de praia montadas, porque nível do rio não chegou ao ponto ideal. Aqui em Praia Norte, estamos com  dificuldade enorme para tocar o Verão. Antes o rio ficava em seu nível normal em 7  de julho, e hoje,  nem sinal de praia”, disse.
O mais grave: até o rio Araguaia está sendo impactado. Araguatins, um dos pontos turísticos mais  visitados em alta temporada, fica às margens daquele rio, pouco acima da foz com o Tocantins.
Em contato com gente do consórcio que administra a   UHE, Estreito está liberando, neste momento,  entre 1.800 e 2.100 metros cúbicos de água por segundo, o suficiente para desprogramar a vida dos barraqueiros e comprometer o período de praias organizado pelas prefeituras a jusante.
Para as praias voltarem a ter sua estatura física original, a vazão daquele hidrelétrica não pode passar de 1.400 metros cúbicos por segundo.
O problema é tão grave que o prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira,  luta, junto a CESTE ( Consórcio Estreito Energia)  para incluir seu município  no ciclo de reuniões com a Agência Nacional de Águas. Concretizando essa medida, a prefeitura terá condições de  brigar por um número razoável de vazão de água, na hidrelétrica de Estreito,  no período de veraneio.

Uma nesga de praia, o que sobrou em Tocanrinópolis
Uma nesga de praia, o que sobrou em Tocantinópolis
Ponta de areia para entreter a população de Itaguatins, que sempre dependeu da praia para viver feliz
Depois da barragem: ponta de areia para entreter a população de Itaguatins, que sempre dependeu da praia para viver feliz

Praia do Meio de Imperatriz, um pequeno torrão
Praia do Meio de Imperatriz, um pequeno torrão
Imperatriz: praia do Cacau não dá para quem quer. Mais de 90%  submersos
Imperatriz: praia do Cacau não dá para quem quer. Mais de 90% submersos

Lorotas e cagadas


Decididamente, o governador Simão deu um tiro no pé ao tentar usar a imprensa contra ela mesma e assim desmoralizar no nascedouro a onda de críticas que fatalmente virá por parte dos veículos do outrora aliado Jader Barbalho. O centro de sua tática foi o uso de imagem falsa pelos veículos da mídia barbálhica em reportagem sobre a Santa Casa. A tal imagem, de fato, era falsa, reconhecida inclusive por quem a veiculou. No entanto, a situação dramaticamente veraz, daí ter dado com os burros nágua a manobra do governador de tentar fazer passar por principal aquilo que era apenas algo circunstancial.

Fracassada a tática, sucedeu-se uma série de trapalhadas governamentais a ponto de, certa altura, o governador investir-se de entrevistador e encerrar com essa pérola na direção de uma repórter 'desafeta', "Se não foi a senhora que fez a reportagem(N.R.causadora da dita coletiva) então eu tenho dificuldades para discutir com a senhora..." O governador não estava ali pra "discutir" com repórteres, mas para esclarecer a situação a tal ponto que a falsidade das imagens mostradas fossem extensivas à falsidade do texto. Como isso não foi possível, pois é fato real que a Santa Casa vive atualmente em situação calamitosa, a imagem voltou ao seu posto secundário, ficando patente que Simão Lorota não tinha explicações, apenas recorreria a mais um factoide para dissimular sua irresponsabilidade.
Recorreu ao secretário de saúde, nada... chamaram um "encarregado" para falar a respeito de uma outra ala em estado deplorável, imagem legítima, e nada...apenas a justificativa que a tal ala havia sido desativada há cerca de dez dias, o que não explica e agrava a situação na medida em que desativação jamais pode ser solução para quem precisa desesperadamente de espaço. Resultado da emenda pior que o soneto: essa imagem falsa vai passar e o descaso verdadeiro, infelizmente, vai continuar a fazer vítimas entre os que não tem outra alternativa além daquele hospital. Mas, tudo leva crer, as falsas imagens da marquetagem governamental também passarão e perderão seu efeito ilusório, desmascaradas por algo curiosamente bem ao gosto governamental, restando provado que Honduras é aqui, na Santa Casa de Misericórdia do Pará. Lamentável!

Leandro Fortes: Globo caiu como Anderson Silva ante a blogosfera

Do jornalista Leandro Fortes, na Carta Capital:

O povo não é bobo

Enquanto ainda alimenta a fantasia das “manifestações pacíficas” que cobriu, covardemente, do alto dos prédios das cidades, com repórteres postados como atiradores de(a) elite, a Rede Globo se vê, finalmente, diante de uma circunstância que não consegue dominar, manipular e, ao que parece, nem mesmo entender. Aliás, que jamais irá entender, porque se tornou uma instituição não apenas descolada da realidade, mas também do tempo em que vive. Ela e a maior parte dos profissionais que nela trabalham, estes que acreditam ter chegado ao topo da profissão de jornalista quando, na verdade, estão, desde muito tempo, vinculados ao que há de mais obsoleto, atrasado e cafona dentro do jornalismo nacional.

O poder da blogosfera progressista e de esquerda, que tanto incomoda, portanto, a conservadores e direitistas (partindo do pressuposto otimista de que há eventual separação entre eles), lançou-se numa organizada empreitada de apuração jornalística que fez a gigante platinada do Jardim Botânico tremer nas bases e, mais de uma vez, colocar pelo menos um dos joelhos no chão.

A partir de um superfuro do jornalista Miguel do Rosário, do site O Cafezinho, estabeleceu-se na blogosfera uma correia de transmissão informal, mas visceralmente interconectada, sobre o megaesquema de sonegação fiscal montado pelas Organizações Globo que resultou, em 2006, numa cobrança superior a 600 milhões de reais — 183 milhões de imposto devido, 157 milhões de juros e 274 milhões de multa. Foi resultado do Processo Administrativo Fiscal de número 18471.000858/2006-97, sob responsabilidade do auditor Alberto Sodré Zile. Como o auditor constatou crime contra a ordem tributária, abriu a Representação Fiscal para Fins Penais sob o número 18471.001126/2006-14.

Na sequência, outros três dos mais ativos blogueiros do País, os jornalistas Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Fernando Brito, respectivamente, do Viomundo, O Escrevinhador e do Tijolaço, estabeleceram uma sequência formidável de fatos que deram um corpo sólido à história levantada por O Cafezinho:

1) A multa da Receita, de mais de 600 milhões de reais (1 bilhão de reais, em valores atualizados), de 2006, é referente a sonegação fiscal praticada na compra, pela TV Globo, dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Envolve, ainda, ligações com dois criminosos internacionalmente conhecidos: João Havelange, ex-presidente da FIFA, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF.

2) Em 2007, uma funcionária da Receita Federal, Cristina Maris Meinick Ribeiro, foi denunciada pelo Ministério Público Federal por ter dado sumiço no processo contra a Globopar, controladora das Organizações Globo, por sonegação fiscal.

3) Como não poderia deixar de ser nesses casos, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, deu sua contribuição às trevas: foi ele que relatou o habeas corpus que soltou a funcionária da Receita, depois da ação de CINCO advogados junto ao STF.

Sempre tão poderosa e segura de seus privilégios, as Organizações Globo entraram nessa briga mais ou menos como Anderson Silva diante de Chris Weidman, no octógono de Las Vegas. Acharam que estavam diante de adversários menores e insignificantes, mas, como se sabe, a soberba é o sentimento imediatamente anterior à queda.

Em apenas três semanas de contínua e criteriosa apuração da blogosfera, a Globo se perdeu em versões sem sentido e recuos de informação, admitiu a culpa da sonegação e justificou-se com um pagamento alegado, mas nunca provado. Teve, pela primeira vez desde que foi criada no ventre da ditadura militar, que se pronunciar publicamente sobre uma denúncia contra si, desgostosa de que isso tenha acontecido fora de seu espectro de dominação, a velha e reacionária mídia nacional, da qual é líder e paradigma. A poderosa vênus platinada teve que responder, primeiro, ao O Cafezinho, de Miguel do Rosário, e depois às redes sociais, ao País, enfim.

Soubemos, assim, que as Organizações Globo, que vivem de concessões públicas e verbas oficiais, ao serem confrontadas com a informação sobre o roubo do processo pela funcionária da Receita Federal, divulgaram uma nota dizendo terem tido uma “grande surpresa” ao saberem da ação criminosa perpetrada por Cristina Maris Meinick Ribeiro.

Então, está combinado assim:

1) Cristina, funcionária de carreira da Receita, enlouqueceu em uma manhã de 2006 e, do nada, apenas movida pela índole de anjo e pela vontade de ajudar a pobre Rede Globo, decidiu por conta própria roubar e desaparecer com o processo de sonegação fiscal de 600 milhões de reais da família Marinho. Depois, conseguiu pagar, sozinha, cinco advogados para arranjar um habeas corpus com o inefável Gilmar Mendes;

2) Em seguida, o Ministério Público Federal, então comandado pelo procurador-geral da República Antonio Fernando Souza, denunciou Cristina Ribeiro pelo sumiço da papelada, que resultou na condenação da referida servidora a 4 anos e 11 meses de cadeia, segundo sentença da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Isso em 2007, tudo na surdina, sem que um único procurador da República tenha se preocupado a vazar um fato grave desse para a imprensa ou, no limite, para jornalistas com atuação independente na blogosfera. Nada comparável à fúria e à disposição do mesmo Antonio Fernando ao dar publicidade à denúncia do “mensalão”, notícia, desde então, incorporada à grade de programação da Globo como um coringa usado tanto em época de eleição como nos espasmos de epilepsia antipetista, aliás, recorrentes na emissora.

Talvez, de tanto viver na dimensão onírica de suas telenovelas, ou na falsa percepção que alguns dos seus sorridentes jornalistas têm do mundo real, a Rede Globo ache, de fato, que é possível fazer o contribuinte acreditar de que ela nada tem a ver com o roubo do processo da Receita Federal. Afinal, somos todos uma nação de idiotas plugados no Caldeirão do Huck, certos de que, ao morrermos, teremos nossas almas levadas ao céu pela nave espacial da Xuxa.

Ou seja, os de lá não aprenderam nada com o debate Lula x Collor, em 1989, nem com a bolinha de papel de José Serra, em 2010, duas farsas desmascaradas, cada qual a seu tempo, pela História. Não perceberam que a internet acabou com a era das fraudes de comunicação no Brasil e no mundo.

Apostam as últimas fichas na manada que reuniram em cinco décadas de monopólio de um império movido a entretenimento e alienação. Mas esse gado que foi alegremente tangido por vinhetas e macacas de auditório ganhou, com o fenômeno da rede mundial de computadores, novas porteiras e, com elas, uma perspectiva real de liberdade.

O silêncio envergonhado e vergonhoso dos tristonhos oligopólios de mídia brasileiros sobre uma notícia tão grave é, antes de tudo, revelador das nossas necessidades.

Fico imaginando qual seria a capa dos jornalões e das revistas coirmãs se fosse Lula a dever mil réis de mel coado à Receita Federal. E se descobrissem, no curso da apuração, que um militante aloprado havia lhe feito o favor de roubar o processo judicial a respeito. As massas seriam, no mínimo, conclamadas a linchar o ex-presidente e pedir as Forças Armadas nas ruas.

Por essa razão, enquanto o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, se dispõe a ir às páginas amarelas da Veja se colocar – e ao governo do PT – de joelhos perante quadrilhas ligadas a bicheiros e a esquemas de sonegação fiscal, a ação periférica da blogosfera rouba o protagonismo que antes era dessa autointitulada “grande imprensa”.

E, para tal, faz apenas o que tem que ser feito: jornalismo.

Leandro Fortes