BLOG DO VICENTE CIDADE

Este blog tem como objetivo falar sobre assuntos do cotidiano, como política, economia, comportamento, curiosidades, coisas do nosso dia-a-dia, sem grandes preocupações com a informação em si, mas na verdade apenas de expressar uma opinião sobre fatos que possam despertar meu interesse.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O 'Cara' !!


Ex-presidente Lula terá coluna mensal no "New York Times"

Do UOL, em São Paulo
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Luiz Inácio Lula da Silva200 fotos

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta Michael Greenspon, diretor-geral do serviço de notícias do New York Times. Lula assinou em 22 de abril, nos Estados Unidos, um contrato com o "The New York Times" para escrever uma coluna mensal que será distribuída pela publicação. A coluna não deve ser publicada em veículos brasileiros por exigência do próprio Lula Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 67, assinou na segunda-feita (22) nos Estados Unidos um contrato com o jornal norte-americano "The New York Times" para escrever uma coluna mensal que será distribuída pela publicação. Segundo o UOLapurou, a coluna não deve ser publicada em veículos brasileiros por exigência do próprio Lula.

RELEMBRE OS 8 ANOS DE GOVERNO LULA EM UMA PARTIDA DE FUTEBOL

O petista se reuniu com Michael Greenspon, diretor-geral do serviço de notícias do jornal norte-americano, e foi decidido que o texto será distribuído pela agência do "New York Times".
A coluna tratará de "política e economia internacional, além de iniciativas para o combate à fome e à miséria no mundo", de acordo com informações divulgadas pelo Instituto Lula.
O "New York Times" já ganhou 112 prêmios Pulitzer e tem seis escritórios, incluindo a sede, na cidade de Nova York. Além disso, possui 14 escritórios espalhados pelos EUA e outros 24 pelo mundo.
O serviço de distribuição do jornal fornece notícias para portais, jornais epublicações do mundo todo, incluindo o Brasil e o UOL. Entre seus colunistas estão o vencedor do Nobel de Economia, Paul Krugman, e o jornalista e três vencedor do Pulitzer, Thomas Friedman.

Entrevista ao "Times"

Em entrevista dada ao jornal em agosto do ano passado, Lula falou sobre apoio à candidatura de Dilma em 2014 e o mensalão. "Dilma é minha candidata e, se Deus quiser, ela será reeleita", disse na época ao repórter Simon Romero.
Ele classificou o julgamento do mensalão como um dos "sofrimentos mais graves" do político e um dos "maiores escândalos de corrupção" do Brasil. "Mais de 30 políticos, incluindo alguns dos principais assessores de Lula, como José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, estão implicados em um escândalo chamado 'mensalão'", disse ao jornal.
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Ex-presidente Lula foi diagnosticado com tumor na laringe em outubro; veja fotos86 fotos

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27.mar.2012 - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira (27) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no hospital Sírio-Libanês. O encontro começou às 11h e durou cerca de 50 minutos. Lula estava no hospital para fazer uma sessão de fonoaudiologia e, após o encontro, retornou à sua residência em São Bernardo do Campo Leia mais Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Luta contra o câncer

O ex-presidente Lula travou uma batalha contra um câncer na laringe, diagnosticado em 29 de outubro de 2011, dois dias depois do seu aniversário de 66 anos. No dia 28 de março de 2012, novos exames apontaram que o tumor havia desaparecido.
Tudo começou quando Lula procurou ajuda médica após se queixar de constantes dores de garganta e apresentar rouquidão considerada acima do normal. Na época, o tumor tinha aproximadamente 3 centímetros, considerado de agressividade média. No dia 12 de dezembro de 2011, os médicos que cuidam do tratamento de Lula afirmaram que o tumor havia sido reduzido em 75%, o que descartou a necessidade de cirurgia.
A laringe é um órgão situado na região do pescoço e tem funções respiratórias relacionadas ao aparelho vocal. O câncer de laringe atinge principalmente homens e é um dos mais comuns na região da cabeça e pescoço.
Segundo o Instituto do Câncer (Inca), fumantes têm dez vezes mais chances de desenvolver câncer de laringe de que pessoas que não fumam. O câncer de laringe representa cerca de 25% dos tumores malignos na região da cabeça e pescoço. Dois terços dos tumores do gênero ocorrem na corda vocal.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eleições dos bancários


INFLAÇÃO E JUROS BAIXAM, MAS ESPECULAÇÃO SEGUE



Dados do Banco Central mostram que sete das nove categorias acompanhadas pelo IPCA-15, entre elas alimentos e bebidas, apresentaram desaceleração em abril, o que pode levar a inflação de volta para dentro da meta neste mês; além disso, analistas consultados pela pesquisa Focus reduziram a expectativa para a Selic; na BM&F, juros futuros caem de 8,50% para 8,25%; previsão é de inflação em queda também em maio, junho e julho; apesar da boa perspectiva, especuladores insistem em atacar política monetária, de olho no Copom de maio

22 DE ABRIL DE 2013 ÀS 15:32

247 - O aumento da inflação, que extrapolou o teto da meta de 6,5% em março, levou o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a elevar a taxa básica de jurospela primeira vez desde julho de 2011, para 7,5% ao ano, na semana passada. A elevação da taxa atendeu em parte às pressões do mercado financeiro, que vinha pintando, com o auxílio de algumas publicações, um quadro de crise. Quadro que os últimos números divulgados pelo Banco Central desmentem.

Dados do BC mostram que sete das nove categorias acompanhadas pelo IPCA-15, entre elas alimentos e bebidas, apresentaram desaceleração em abril, o que pode levar a inflação de volta para dentro da meta neste mês. Nos últimos 12 meses, o índice acumulou 6,51%, ultrapassando o teto da meta, de 6,5% -- em março, o IPCA já havia batido em 6,59%. Se o IPCA apurado no mês fechar entre 0,45% e 0,5%, contudo, o índice volta para dentro da meta, e vai continuar por lá pelo menos durante mais um mês.

Além disso, a pesquisa Focus publicada nesta segunda-feira mostra que economistas de instituições financeiras passaram a ver um ciclo menor de aperto monetário neste ano, como reflexo da atuação dividida e aquém do esperado do Banco Central, assim como do destaque dado pelo próprio BC à cautela ao falar na semana passada da condução da política monetária. Ainda assim, os especuladores insistem em atacar política monetária, de olho na reunião do Copom de maio.

Juros

Na pesquisa, os analistas reduziram a expectativa para a taxa básica de juros no final deste ano a 8,25%, contra 8,50% na semana anterior. Apesar do nível elevado da inflação e a dispersão do aumento dos preços, o Copom ressaltou que incertezas internas e externas "recomendam que a política monetária seja administrada com cautela".

O Focus mostra que a expectativa é de continuidade do ciclo de ajuste, porém de maneira comedida, com mais três altas de 0,25 ponto percentual, em maio, julho e agosto. Novo aumento só está projetado para janeiro de 2014, com a Selic indo então a 8,5%.

"(Os analistas) estão meio que abandonando a percepção do que acham que deveria ser feito para o que acham que o BC vai fazer. As expectativas estão agora mais baseadas na leitura das palavras, no que foi dado a entender", avaliou a economista da Rosenberg & Associados Priscila Godoy.

Entre o Top 5, instituições que mais acertam as projeções no Focus, as que têm maior acerto no médio prazo mantiveram a projeção para a Selic em 8,50 por cento no final de 2013 na mediana das projeções. Mas as que têm maior acerto no curto prazo, reduziram a previsão para o final do ano para 8,25 por cento, ante 8,50 por cento.

As atenções agora se voltam para a divulgação, na quinta-feira, da ata da reunião do Copom, com os analistas em busca de mais detalhes que possam dar indícios sobre as atuações futuras.

"Sua divulgação (da ata) é amplamente aguardada também porque houve dissenso na decisão tomada. O tom da ata deverá influenciar as percepções quanto ao ritmo e magnitude do novo ciclo monetário", destacou o Bradesco em nota assinada por Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos.

A Rosenberg & Associados aguarda a ata para decidir se reduz sua perspectiva para a Selic este ano de 8,5% para 8,25%, segundo Priscila.

Com Reuters

Jader e Mário Couto deveria ser levados a serio

Jader e Mário Couto deveria ser levados a serio

Por que os Tribunais de Contas, o Ministério Público, a Assembléia Legislativa e a Corregedoria do Senado não levam a serio o que denunciam os senadores Jader Barbalho e Mário Couto?

Cada vez que leio os jornais ou assisto um pronunciamento da tribuna do Senado com graves acusações sobre desvio de conduta ética, quebra de decoro parlamentar e corrupção assacadas de parte a parte, pergunto-me onde estão os investigadores pagos para proteger o povo que não apuram o que dizem os Senadores?

Mario Couto acusa Jader de ter desviado recursos, da números, mostra detalhes. Mário acusou um advogado de intermediar um suborno para um juiz que havia bloqueado os seus bens. Mário ataca senadores e até fez duras cargas ao Ministério Público.

Jader Barbalho não se mistura, mas o jornal O Diário do Pará não deixa por menos e acusa feio Mário Couto. A última delas, o jornal O Diário do Pará mostrou, com provas, que o senador Mario Couto usa laranjas embutidos na Folha de Pagamento do DETRAN, para pagar o salário dos jogadores do Clube Santa Cruz de Cuiarana. As denuncias estão nas folhas A8 e A9 da edição de 21.04.

Feito as acusações graves, ainda mais com provas, o governador Simão Jatene tem o dever de abrir sindicância, apurar e tomar as providências. O diretor do Detran, embora tenha sido indicado político de Mario Couto, ocupa um cargo de confiança nomeado pelo chefe do Poder Executivo. Se estão fazendo maracutaia no Detran, quem está fazendo é um funcionário de confiança do Governador do Estado. Se existe irregularidades, elas estão acontecendo aqui na administração estadual.

A responsabilidade legal de esclarecer o que foi denunciado é do Poder Executivo em primeiro lugar, depois do TCE, MPE e Assembléia Legislativa. O que não pode é ficar por isso mesmo. Todo mundo fazendo de conta que e uma briga domestica.

Queremos saber a verdade sobre as acusações e que punam os culpados.

Flamengo paga R$ 60 mi em dívidas e projeta 80 mil sócios até dezembro



Luiz Eduardo Baptista, vice de marketing do Fla, comentou valores de dívidas pagas
Do UOL, no Rio de Janeiro

Apesar do fracasso dentro de campo, a nova diretoria do Flamengo tem muito o que comemorar fora das quatro linhas neste início de gestão. Com novos patrocínios e certidões negativas de débito (CND) com os governos federal, estadual e municipal, o clube tenta se recuperar da asfixia financeira. E o trabalho para conseguir tais “conquistas” foi árduo.

Segundo Luiz Eduardo Baptista, vice-presidente de marketing do rubro-negro, o clube pagou cerca de R$ 60 milhões em dívidas para recuperar o crédito junto ao poder público e, principalmente, a credibilidade.

“Tomamos uma decisão ousada. Dos R$ 75 milhões captados nos primeiros meses de trabalho, destinamos cerca de 80% para o pagamento de dívidas. Foi algo entre R$ 58 e R$ 60 milhões”, disse, em entrevista à Rádio Globo.

“O fato de termos procurado as autoridades e ter declarado de forma inequívoca que pretendíamos resolver as situações pendentes ajudou. Isso demonstrou boa fé e nossa intenção no clube. Não adiantava gastar apenas no futebol. Se não resolver as dívidas, não tem futuro”, completou o dirigente, fazendo um alerta.

“Mas o trabalho ainda está muito no início. Tão ou mais difícil que conseguir as certidões (CND) é mantê-las. Teremos que continuar pagando esse valor nos próximos anos. Em um orçamento para as próximas temporadas, sairemos com menos R$ 60 milhões em caixa todo ano”, ressaltou.

Outro ponto destacado por Baptista foi o programa de sócio-torcedor, lançado no final de março. Em menos de um mês, cerca de 16 mil rubro-negros aderiram ao projeto. E Luiz Eduardo projeta número ainda maiores até o fim do ano.

“Estamos na faixa de 16 mil e nossa projeção aponta para algo na casa de 80 mil sócios ao final deste ano. Se atingirmos os 50 mil sócios, o torcedor passa a ser o maior patrocinador do clube. E temos que entender que não existe futuro sem isso”, disse.

“As noites que passamos sofrendo por conta da atual situação custam mais que os R$ 40 cobrados. Os torcedores precisam apoiar isso, até porque a felicidade do retorno não tem preço”, argumentou o dirigente, se defendendo das perguntas sobre a mensalidade com preços nada populares cobradas no programa.

BNDES ABANDONA ‘CAMPEÃS NACIONAIS’ E FOCA EM INOVAÇÃO



Em entrevista ao Estadão, o presidente da instituição, Luciano Coutinho, disse que a promoção da competitividade de grandes empresas de expressão internacional é uma agenda que foi concluída; banco injetou cerca de R$ 18 bilhões em gigantes que agora apresentam situação financeira delicada

22 DE ABRIL DE 2013 ÀS 07:24

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa um nova fase. É o que garante o presidente da instituição, Luciano Coutinho. Segundo ele, "a promoção da competitividade de grandes empresas de expressão internacional é uma agenda que foi concluída".

Em entrevista ao Estadão, ele diz nos últimos anos, o BNDESPar tem se concentrado no fomento a novas empresas em setores intensivos em inovação tecnológica.

No antigo programa, o banco injetou cerca de R$ 18 bilhões nos frigoríficos JBS e Marfrig, na Lácteos Brasil (LBR), na Oi e na Fibria, conforme levantamento feito pelo Estado. Algumas dessas empresas estão em situação financeira delicada, como a LBR, que pediu recuperação judicial, e o Marfrig.

Ele defendeu ainda a transparência do BNDES e garantiu que divulga todas as operações, respeitando o sigilo bancário. Evitou comentou a exposição do banco às empresas de Eike Batista. Disse apenas que está "tranquilo".

Leia trechos da entrevista de Coutinho:

Alta de juros

A estabilidade é a mãe de toda a virtude em qualquer economia, especialmente a brasileira. O movimento do BC foi adequado, porque sinalizou a intenção de não permitir o descontrole inflacionário. Isso é positivo para o crescimento do País. Até porque não é necessário produzir uma recessão para coordenar as expectativas de inflação.

Taxa de investimento no fim do governo Dilma

A tendência do investimento é acelerar no ano que vem, porque o programa de concessões tende a ter os efeitos concentrados em 2014 e 2015. Acredito que o investimento pode crescer 8% em 2014, o que levaria a uma taxa de 20% do PIB.

Crescimento do PIB em 2013 e 2014

No ano que vem, o PIB pode crescer tranquilamente 4,5%. Para este ano, no mínimo 3%, podendo ser 3,5%.

BNDES

O banco tem um nível capitalização bastante confortável: 15,4%. Em relação ao índice de Basileia, estamos folgados. Considerando o aumento da demanda por infraestrutura, a base de capital terá de ser reforçada. Mas quero sublinhar que o BNDES gera lucro suficiente para a sua capitalização. Temos ajudado o Tesouro Nacional a suportar o superávit primário, pagando dividendos. O entendimento é que o Tesouro nos forneça capital nos momentos em que isso se torna necessário. Mas essa não é uma questão urgente.

BNDESPar

O ano passado foi ruim para todo o mercado de capitais. Mas o BNDESPar teve bom resultado, se não consideramos a necessidade de registrar a preços de mercado as ações nas empresas em que possui mais de 20% de capital. Tivemos perda de valor das ações da Eletrobrás. Quero ressaltar que isso afeta o patrimônio, mas não é perda de caixa. Só seria se vendêssemos as ações. O fato de não registrar essa perda do BNDESPar no BNDES, para não afetar o balanço do banco, criou toda essa celeuma. Não foi um efeito financeiro efetivo, mas o que chamamos de marcação a mercado, que pode ser revertida no futuro, à medida que a Eletrobrás se recuperar. E vamos ajudar com o que estiver ao nosso alcance.

Política de campeãs nacionais

A promoção da competitividade de grandes empresas de expressão internacional é uma agenda que foi concluída. É uma política que tinha méritos e chegou até onde poderia ir. Nos últimos anos, o BNDESPar tem se concentrado no fomento a novas empresas em setores intensivos em inovação tecnológica. Vejo um potencial interessante no complexo saúde e no setor farmacêutico.

Subsídios dos empréstimos do Tesouro ao BNDES

Não quero adiantar, porque ainda não li o trabalho técnico. O Ministério da Fazenda, respondendo ao TCU (Tribunal de Contas da União), produziu uma metodologia de cálculo. Ainda não fizemos uma análise técnica, mas tenho confiança de que é consistente. Eu queria chamar a atenção para os benefícios dos empréstimos do BNDES. Olhar só os custos é uma avaliação enviesada. Ao estimular os investimentos, os empréstimos do BNDES geram impostos, emprego, renda e elevam a produtividade da economia. Temos estudos sobre os efeitos positivos e os divulgaremos oportunamente.

Grupo de Eike Batista

O BNDES está tranquilo em relação ao grupo EBX. Não gostaria de fazer comentários adicionais.

Transparência

Poucas instituições têm tanta transparência como o BNDES. Nós publicamos todas as nossas operações, de crédito ou de mercado de capitais. Recentemente tornamos nosso site ainda mais amigável a consultas. Consideramos que informar a opinião pública é um dever do servidor público e buscamos responder, preservado o sigilo bancário das empresas.

Blog do Puty: PEC 197: mais justiça fiscal no comércio eletrônico

Blog do Puty: Saiu na Imprensa: PEC 197: mais justiça fiscal no ...:

Publicado em Jornal O Liberal - Poder - 21/04/2013
Deputado Federal Puty

Surgido em meados dos anos 1990, quase simultaneamente com a generalização da internet, o e-commerce – também conhecido como comércio eletrônico ou comércio à distância – já se tornou uma prática disseminada no Brasil e no mundo. Em 2012, por exemplo, o faturamento desse setor no país atingiu espantosos R$ 22,5 bilhões – tinha sido R$ 18,7 bilhões em 2011 e R$ 8,2 bilhões em 2008. Já o número de “e-consumidores” brasileiros subiu de 13,2 milhões em 2008 para 42,2 milhões no ano passado. Estudos sugerem que a tendência é que esse tipo de transação se torne, num futuro não muito distante, a prática preponderante na comercialização de bens e serviços, principalmente bens de consumo durável.

Por esse motivo, o Congresso Nacional está discutindo a modificação das regras que regulam o setor. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 197, de julho de 2012, atual- mente em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a modificação da metodologia de cobrança do ICMS (Imposto so- bre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre operações comerciais não-presenciais (o chamado “e-commerce”) e que destinem bens e serviços ao consumidor final localizado em outro Estado. Essa proposição resulta da PEC 103/11, aprovada pelo Senado Federal.

Ocorre que o texto constitucional em vigor determina que, quando a operação interestadual envolve dois contribuintes do imposto (empresa-empresa), há a repartição da arrecadação do mesmo entre o Estado de origem e o Estado de destino. Cabe ao primeiro a alíquota interestadual e ao segundo a diferença entre a alíquota interna e a alíquota interestadual. Mas há uma distorção que a PEC 197 pretende corrigir: quando a operação é realizada entre um contribuinte e um não-contribuinte (empresa-consumidor final) a arrecadação fica integralmente com o Estado de origem, cabendo a ele a alíquota interna. Na prática, os estados mais desenvolvidos são os principais beneficiários dessa situação, obviamente por produzirem e venderem mais.

O texto da PEC 197/12 pro- põe uma repartição desse segmento da base tributária do ICMS de modo a constituir uma incidência compartilhada entre a origem (local da empresa vendedora) e o destino (local do consumidor final). De acordo com a proposição, caberá ao Estado de origem a alíquota interestadual, e ao Estado destinatário a diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário, quando o consumidor final for contribuinte do imposto; ou a diferença entre a alíquota interna do Estado remetente e a alíquota interestadual, quando o consumidor final não for contribuinte do ICMS.

O substitutivo do deputado Márcio Macedo (PT-SE) apresentado à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados) modificou o texto original, objetivando equacionar alguns aspectos de ordem técnica. De acordo com esse substitutivo, caberá ao Estado de origem a alíquota interestadual e ao Estado de destino, seja o consumidor final contribuinte ou não do ICMS, a diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual.
No relatório que justifica essas modificações, o deputado Márcio Macedo lembra que o quadro atual é extremamente preocupante, porque já se nota desequilíbrio na política estabelecida para a divisão entre Estado produtor (ou meramente vendedor) e o Estado consumidor. Essa situação, segundo o relator, chegou a tal ponto que reforça o princípio de origem, com sérios prejuízos para os estados consumidores, colocando em risco o objetivo maior de se alcançar o cumprimento pleno do princípio do destino.

Desta maneira, a PEC 197/12 irá viabilizar a repartição da base de incidência do ICMS sobre o comércio eletrônico interestadual destinado ao consumidor final e, nestes termos, contribuirá para a redução do grau de concentração de receita tributária no âmbito dos estados produtores, que tradicionalmente sediam empresas operadoras de e-commerce. A distribuição da receita entre unidades federativas favorece a obtenção de um maior equilíbrio fiscal federativo.

No Brasil, só o futebol que presta, o resto é merda !!!

Ouro na ginástica em Londres, Zanetti não descarta competir por outro país

Falta de investimentos no esporte desanima ginasta campeão olímpico nas argolas; ele afirma que condições não mudaram após medalha nos Jogos

Por GLOBOESPORTE.COMSão Paulo

Nos Jogos de Londres, em 2012, Arthur Zanetti se sagrou campeão olímpico nas argolas e entrou para a história como o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha na ginástica artística. Nove meses depois do feito inédito, Zanetti se mostra desanimado com a situação da sua modalidade no país. Em entrevista exclusiva ao apresentador Ivan Moré para o Esporte Espetacular, o atleta revelou que não descarta a possibilidade de defender outro país.

- Eu já coloquei na minha cabeça que se surgir uma oportunidade legal, não só para mim, mas para o grupo de profissionais que vão me ajudar, eu pensaria, sim, em competir por outro país - afirmou o campeão olímpico.

No entanto, Zanetti não espera ter que tomar essa atitude extrema, mesmo assim desabafa:

- Eu faria isso de coração partido, porque sou brasileiro, gosto de ser brasileiro. Mas o Brasil não está me dando o que estou precisando no momento. O que eu mereço. E se algum outro país me der o que mereço, paciência. Com certeza, será de coração partido, mas preciso pensar no meu futuro também.

Arthur Zanetti concede entrevista ao Esporte Espetacular (Foto: Reprodução/TV Globo)

O motivo das declarações do atleta está ligado diretamente à falta de investimento e estrutura do esporte no país. Após a apresentação quase perfeita nas argolas que fez o atleta desbancar os favoritos ao ouro nas Olimpíadas de Londres, ele e o técnico Marcos Goto acreditaram que a conquista mudaria tudo.

- Eu sempre achei na minha cabeça que quando você chegasse a um ouro olímpico, você não iria esperar mais nada. Tudo vai acontecer para você como um passe de mágica. Mas isso aqui é Brasil. Nada acontece como um passe de mágica, infelizmente - disse o técnico de Zanetti.

A realidade foi bem diferente do que eles esperavam. O centro de treinamento onde o atleta treinou antes das Olimpíadas, e continua treinando hoje, conta com equipamentos modestos bem diferentes dos padrões internacionais. Apesar da medalha de ouro e da promessa de novas conquistas que poderiam sair dali, o local não recebeu nenhum investimento.

Arthur Zanetti concede entrevista ao Esporte Espetacular (Foto: Reprodução/TV Globo)

Zanetti e o time masculino dividem os equipamentos ultrapassados e, muitas vezes, improvisados, com crianças da escolinha do São Caetano. Não há vestiário e as mochilas e materiais dos profissionais ficam jogados na arquibancada. Os atletas são responsáveis pela higiene do local e, como não há alojamento, eles descansam nos próprios colchões onde treinam.

- A comparação com outros países, da Europa, que geralmente vamos mais, é que estamos bem atrás com relação a estrutura. Um exemplo que a gente tem é a Bélgica, que não é um país que a gente compete diretamente e estamos até na frente deles, e mesmo assim a cada esquina eles têm um ginásio para escolinha e para o alto rendimento. Eles ainda têm muitos clubes espalhados. Isso a gente sente muita falta, dá para treinar, mas a qualidade acaba interferindo um pouco também.

Arthur Zanetti concede entrevista ao Esporte Espetacular (Foto: Reprodução / TV Globo)

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) concorda que falta investimento no esporte no Brasil. Mas afirma que a responsabilidade pela falta de estrutura, neste caso, vai além da responsabilidade da entidade.

- Existe a necessidade de investimento, sim, e existe toda uma gama de entidades que precisam participar desse processo. O COB tem suas competências, tem a sua área de atuação, como tem as responsabilidades do Ministério, das secretarias estaduais, das prefeituras, dos próprios clubes. Cada um contribuindo, a gente consegue elevar a qualidade dessas instalações e oferecer uma melhor qualidade de treinamento para os atletas brasileiros - disse Jorge Bichara, Gerente de Desenvolvimento Esportivo e Projetos Especiais do COB.

Diante de toda a discussão, surge uma outra questão: legalmente é possível que o Brasil "perca" Zanetti para outro país? Segundo as regras da Federação Internacional de Ginástica e do Comitê Olímpico Internacional, sim. De acordo com a lei, quando um ginasta que já representou seu país muda para outro e obtém cidadania, ele pode, com a permissão das duas federações, representar o novo país imediatamente. Se as duas federações não chegarem a um acordo, o Comitê Executivo da Federação pode entrar em cena e garantir a transferência num prazo de um ano.

Pelas regras das Olimpíadas, a mudança também pode acontecer. Um competidor que já representou um país nos Jogos Olímpicos pode participar de outra edição depois de três anos. Mas este período pode ser reduzido ou mesmo cancelado com a permissão do próprio COI. E isso já aconteceu no caso da ginasta Oksana Chusovitina, que trocou de nacionalidade duas vezes durante a carreira.

Fórmula 1: Apenas pela 2ª vez, em mais de 50 anos, uma mulher sobe ao pódio para receber premiação.


Mulher no pódio

dom, 21/04/13
por Rafael Lopes |

Gill Jones, engenheira da RBR
Adrian Newey, o mago da aerodinâmica? Christian Horner, o chefe da equipe? Dietrich Mateschitz, o dono de tudo? Nenhum deles. Quem subiu ao pódio para receber o troféu de equipe vencedora no GP do Bahrein foi a engenheira Gill Jones, chefe responsável pelo grupo de eletrônica da RBR. Uma bela homenagem a uma pessoa que pouco aparece, mas que lidera um setor importante do time austríaco. A última vez que uma mulher subiu ao pódio foi no GP da Hungria de 1986: Virginia “Ginny” Williams, esposa de Frank Williams, que morreu em março aos 66 anos após uma longa briga contra o câncer. Talvez seja a imagem da corrida. Concordam?
Gill Jones, engenheira da RBR

Leia a entrevista da Revista Trip com ator José de Abreu.


JOSÉ DE ABREU

Policial maconheiro, preso político, ator, (pseudo) bissexual, militante de Twitter e funcionário da Globo. E agora, José? “Tô pensando em virar deputado”
12.04.2013 | Texto: Anna Virgínia Balloussier e Millos Kaiser | Fotos: Fe Pinheiro
Foto: Fe Pinheiro
Foto: Fe Pinheiro
A caracterização de José de Abreu para estas fotos foi inspirada na fantasia de carnaval vencedora do prêmio 'Serpentina de Ouro', do jornal O Globo

La Revolución, para ele, é acima de tudo individual. Policial, preso político, hippie sujo e, mais recentemente, militante virtual e (pseudo) bissexual. Zé de Abreu, o vilão Nilo, de Avenida Brasil, já foi um monte de coisa. E agora, José? “Tô pensando em virar deputado”

Demorou 48 horas, oito cervejas (baratas) e dois tintos portugueses (Esteva Douro 2010, R$ 130 a garrafa) para José de Abreu, o ator global, contar que José de Abreu, o seminarista, foi abusado por um padre aos 12 anos. Que José de Abreu, o policial, aprendeu a fumar maconha com os colegas da corporação. Que José de Abreu, o militante político, ficou amigo do xará José Dirceu na faculdade e apoiou a luta armada contra a ditadura. Que José de Abreu, o hippie fritado de ácido, bordou cogumelos na calça olhando o mar da Bahia. Que José de Abreu, recém-saído do armário no Twitter, na real nunca pegou homem – se assumiu bissexual “apenas para experimentar como é ser minoria”. Que José de Abreu, pai de cinco e avô de quatro, não ligou de tirar as calças na sessão de fotos para esta entrevista (mas lamentou estar de cueca branca “fraldão”; a do dia anterior “era mais bonitinha”). E isso é só o começo.
Numa tarde de segunda-feira, Trip visitou o ator em seu apartamento de frente para a praia da Barra da Tijuca, que ele até hoje financia pela Caixa Econômica Federal (“gasto tudo que ganho, não sei juntar”). De regata branca, relógio Calvin Klein, bermuda azul e chinelo preto, ele atende já pedindo desculpas pelo mascote da casa, um lhasa apso chamado Pipo que não para de latir um segundo. “Parece deputado em campanha”, brinca Zé (pode ser só Zé mesmo).
E, de política, embora diga que não entenda, ele fala sem parar. Naquele mesmo dia, tinha voltado da Bahia, onde fora apresentado a Duda Mendonça, marqueteiro de Lula em 2002, por um amigo em comum: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado a dez anos e dez meses de prisão no julgamento do mensalão (Zé defende sua inocência). Mendonça mandou um helicóptero para levar o mais novo compadre até sua mansão em Taipus de Fora. O papo do trio começou na Skol e terminou com cervejas belgas. O cão que ladra no Twitter agora quer morder: Zé anda pedindo conselhos para os próximos, pois está na dúvida se encara uma candidatura à Câmara dos Deputados em 2014. “Ninguém é a favor”, diz.
Por ora, é nas redes sociais que ele faz política. Em um mesmo dia, descasca o pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos, o novo papa, Francisco, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e o ex-presidenciável tucano José Serra. Rato de passeata na época da ditadura (“eu era porra-louca, ficava bem na frente dos protestos”), ele considera o novo ativismo, o das redes sociais – nas quais por sinal gasta várias horas do dia –, coisa de “militante lobinho”. “Eu acho que está na hora da molecada tirar a bunda da poltrona.”
Penny Laaaaaaaaaaane is in my ears and in my eyes...
A música dos Beatles ecoa como toque do iPhone 5 de Zé, um viciado confesso em tecnologia, que tem a coleção inteira da Apple e chegou a ser apelidado pelo colega José Mayer de Zé Windows nos anos 90 (para ter acesso à internet, na pré-história da era virtual, descolou uma senha do Ministério das Comunicações).
Antes de interpretar Nilo, o vilão de Avenida Brasil que conquistou brasileiros de todas as idades, José Pereira Abreu Júnior foi muita coisa. Nasceu em Santa Rita do Passa Quatro há 66 anos, onde viveu o clichê do interior paulista – falava “porrrta” e arrumava namoradinhas fazendo o footing na praça.

Para ele, o novo ativismo, baseado nas redes sociais, é coisa de “militante escoteiro”

O pai, delegado da cidade, era querido por todos. Mas morreu cedo, quando Zé Júnior, o caçula, tinha 9 anos. Ele, a mãe e as duas irmãs passaram sufoco. Cinco anos depois, estavam todos em São Paulo, onde Zé demorou para se sentir bem (de cara foi apelidado de Caipira). A casa dos Abreu, no bairro de Santa Cecília, chegou a virar uma pensão até a situação financeira se acomodar. Logo o destino ricocheteou, tal qual máquina de pinball, e fez com que o filho de delegado entrasse para o setor de entorpecentes da polícia, no qual apreendia drogas de moleques da mesma idade que ele. Sua função era enturmar-se com a galera e provocar o flagrante. Zé, que nunca tinha provado da erva, teve de aprender a tragar. Virou fã.
Já ex-policial, passou em direito no vestibular. Entrou na PUC de São Paulo em 1967 e, na faculdade (que não chegou a terminar), conheceu o presidente do centro acadêmico, José Dirceu, que naquela época também atendia por “Alain Delon das massas”. “Ele sempre foi para um lado mais político e eu, mais artístico. Não chegou a fazer teatro, embora fosse um puta de um artista. Discursando em cima de um caminhão, ele era um monstro”, compara.
Zé nunca tinha visto uma peça até então, mas acabou virando produtor do Tuca, o teatro da PUC. Substituindo um colega em um ensaio, sacaram que ele levava jeito para a interpretação. Antes de ser ator, porém, outro aposto se somaria ao seu nome: o de preso político. Zé era um dos 700 estudantes que rodaram no congresso de 1968 da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Após dois meses no xadrez, viraria vendedor de máquinas de escrever, funcionário da IBM, dono de livraria e autoexilado na Europa. De volta ao Brasil, lá pelo fim da década de 70, tornou-se ator de vez. Seu papel no filme A intrusa (1979) rendeu-lhe um convite para a TV. Assinou contrato com a Globo em 1º de outubro de 1980. Conta 30 anos e 15 novelas como empregado da família Marinho, fora três anos na já extinta Rede Manchete. No momento, está fora das telinhas. Mas está nas telonas, no filme Meu pé de laranja lima, e na peça Bonifácio Bilhões (“ela fala sobre ética”), em cartaz em São Paulo até 30 de junho.

Enquanto narra suas experiências lisérgicas, dá garfadas em um ossobuco de R$ 86

Com mais plim-plim que reclames, namorou colegas como Mônica Martelli e Luisa Thiré e casou e descasou com Nara Keiserman e Neuza Serroni, até conhecer o “grande AMOR” (assim escreve num e-mail), dez anos atrás. Camila Mosquella tinha 21 anos na época.
Enquanto o marido narra suas experiências lisérgicas e dá garfadas em um ossobuco de vitela de R$ 86 (prato mais gorduroso, no preço e nas calorias, do cardápio), ela desliza o dedo no iPad e curte fotos no Facebook. À repórter, pediu dicas de compras na rua Oscar Freire, meca do consumo de luxo paulistano. O filho Theo, 36 anos, que já foi o Menino Maluquinho no teatro e hoje é advogado do ramo imobiliário, junta-se ao grupo.
Estamos no Gero, restaurante italiano de alta gastronomia, onde Zé costuma ir “quase toda semana”. Não vê contradição em ser de esquerda e gastar R$ 1 mil em um jantar para cinco pessoas. “O que eu deveria fazer? Doar meu salário da Globo?”, retruca. Foi, talvez, sua única esquivada durante a entrevista. “Vou contar para vocês tudo que nunca contei antes.”
Esse bronze é da Bahia? 
Pois é, fui conversar com o Duda Mendonça. Cara sensacional. A relação dele com os empregados é de emocionar.
Falaram sobre o quê? 
Fui pedir conselho. Falei dessa loucura de o Lindbergh [Farias, senador do PT-RJ] querer me lançar como candidato a deputado federal. Fui conversar sem compromisso, tomar uma cervejinha.
E ele apoiou sua candidatura? 
Não. Nenhum cara bom de cabeça dá força [risos]. A família não quer nem pensar. Fui conversar com o Lula, e ele me falou a mesma coisa. O Zé Dirceu, muito meu amigo, também.
Que bandeiras você defenderia, caso eleito? 
As principais bandeiras da esquerda. Melhoria no serviços de saúde, combate à miséria, aplicação de mais dinheiro na educação, descriminalização do aborto e das drogas leves.
Mas você não acha que dá para fazer política sem ser político? 
Acho, é o que faço o tempo inteiro.
Mas agora você quer ser político. 
Não sei se quero, não. Além da oposição da família e dos amigos, tem o bolso, que vai doer. Ganho muito mais na Globo. Teria que pedir suspensão do contrato.
Você já teve algum problema na Globo por causa de seu posicionamento político? 
O Projac é um mundo à parte. Passa um carrinho com alguém vestido com roupas da década de 30, depois outro em cima de um cavalo... Não tem ligação nenhuma com a realidade brasileira. E a maioria dos artistas é de esquerda.
Você divulga seu salário? 
Não.
Por quê? 
Acho chato. Vai ter colega rindo da minha cara porque ganho pouco e colega puto porque ganho muito.
Com o salário de deputado ficaria difícil viver? 
Um deputado ganha R$ 12 mil por mês. É muito pouco para o nível de vida que eu levo. O meu apartamento, por exemplo...
É seu? 
É. Primeira vez que tenho casa própria. Acho uma bobagem, coisa de brasileiro. Morei em 12 bairros do Rio em 32 anos.

“O Projac é um mundo à parte. Não tem ligação nenhuma com a realidade brasileira”

E você frequenta a praia? 
Nunca. Sou paulista, meu [risos]. Vou de vez em quando ali no Pepê, tem sempre uns amigos jogando futevôlei. Mas sou totalmente...
Sedentário? 
Total! Li sobre dois tipos de gente: o ateniense e o espartano. Sou totalmente ateniense. No meu tempo, o pior do vôlei passava num corredor polonês. Eu apanhava todos os dias. A única coisa em que me dei bem foi natação, um esporte solitário. Bola é pra mim um negócio impossível de dominar.
Mas devia fazer sucesso com as meninas... 
Era baixinho, feio e queixudo. Mas usava um topete, tinha uma chinfra. E dançava muito bem rock, twist, hali-gali, essas coisas. Minhas melhores amigas acabavam virando namoradas.
A primeira foi com quantos anos? 
Foi a Uda, lá em Santa Rita. Ela me mandou um correio do amor: “José Júnior, eu te amo. Ass.: Uda”. O nome dela de verdade era horrível: Euricilda. Eu tinha uns 8 anos.
Você perdeu a virgindade com ela? 
Não. Foi anos mais tarde, com uma vizinha de um amigo. Uma negra maravilhosa que me levou aos céus.
Como foi a sua criação? 
Meu avô era fazendeiro. Meu pai era delegado da polícia, respeitado e querido por todos. Dizia: “Você está preso! Vai para a cadeia que daqui a pouco vou lá te trancar”. Todo mundo respeitava. Morreu cedo, quando eu tinha 9 anos. Ele nunca bebeu, era grilado com o fígado. Mas acabou morrendo de remédio para cirrose hepática, uma doença de bêbado. Ele e minha mãe eram bem carolas. Fui coroinha. Tinha a roupa, o padre falando latim, os incensos, o órgão... Era um ritual lindo.
Parecido com teatro, não? 
Totalmente!

“Minha mãe me arranjou um trabalho na polícia. Deu merda. Aprendi a fumar maconha”

Sobrou algo do latim? 
Sobrou. [Zé recita pai-nosso e ave-maria inteiros em latim.]
Você frequentou a igreja até quando? 
Cheguei a ser seminarista. Assim que meu pai morreu, ficamos bem duros. Ele tinha um salário excelente, mas minha mãe não sabia nem o banco em que ele tinha conta. Os padres batiam na porta das casas e recrutavam crianças. Minha mãe achou bom eu ir. Acordava às 5h30 e tomava banho frio, de roupa e tudo, porque ninguém podia ficar pelado na frente do outro. Era uma repressão filha da puta, você tinha que se trocar embaixo do lençol.
Tinha algum padre pervertido? 
Tava cheio.
Você presenciou alguma coisa? 
Vivi. Um dia, um padre me deu uma masturbadinha leve. Fiquei muito grilado porque não sabia como confessar. Tinha 12 anos. Lembro do filme até: Marcelino Pan y Vino. A gente estava assistindo, e o cara pegou no meu pau. Foi um susto. Tirei a mão dele, levantei, mas fiquei com aquele pecado na cabeça.
Mas confessou, finalmente? 
Não. Fiquei um ano no seminário, depois voltei pra Santa Rita. Todo mundo me chamava de padre, era horrível. Como minhas irmãs já moravam em São Paulo, minha mãe resolveu mudar-se também. Foi um choque. Meu apelido virou Caipira.
A mudança para a cidade grande foi traumática então... 
Foi, mas depois melhorou. Fiz uns amigos na Santa Cecília, bairro onde morava. A gente já bebia bem. Cuba libre, hi-fi... Havia uma coisa de turma, influenciada pelos filmes do James Dean, da época. Nem tinha maconha. Só bolinha, anfetamina. Pervitin era o nome.
O que sua mãe achava disso? 
Morria de preocupação. Ela era conservadora. Pegava negrinhas em orfanato para “criar”. Tive uma babá, a Sebastiana, que tinha que correr atrás de mim enquanto eu andava de bicicleta. Um absurdo... Mas, enfim. Minha mãe me arranjou um trabalho na polícia. E aí que deu merda. Aprendi a fumar maconha [risos].
Aprendeu a fumar maconha na polícia? 
Explica isso. Me colocaram no setor de entorpecentes. O delegado disse: “Você vai dar flagrante. Sabe fumar maconha?”. Eu disse que não. “Dá uns baseados pro Zé, ensina como fuma essa merda.” Acenderam o beck, ligaram a sirene e falaram: “Segura!”. Comecei a rir pra caralho. Descobri que meus colegas fumavam o tempo inteiro. Era a primeira coisa que faziam antes de sair para a ronda.
Vocês iam chapados prender gente fumando maconha. 
Exatamente.
Não dava crise de consciência? 
Imagina, era uma aventura! Estava brincando de bangue-bangue.
A carreira na polícia durou até quando? 
Foram quase três anos. Um dia, me fizeram ver um cara ser torturado. O cara se cagava, se mijava todo. Vomitei. Pedi pra sair. Fui pra Santa Rita, me enfiei na fazenda de um amigo meu. Abandono de cargo. No fim, minha mãe falsificou minha assinatura e fez um pedido de desligamento da polícia. Foi nessa fazenda que resolvi fazer direito. Do nada.
Como foi na faculdade? 
Foi quando me politizei, comecei a fazer teatro e política. A única coisa que não fazia era ir pra aula. Eram anos difíceis, uma ditadura ferrenha. Mas, ao mesmo tempo, a universidade fervia, você sabia que tinha companheiros ali. A própria universidade te protegia. Era muito gostoso passar o dia lá.
Qual foi a primeira causa que você abraçou? 
O pessoal do CA [Centro Acadêmico] começou a se unir com os excedentes pra pressionar a faculdade a aumentar o número de vagas. Às vezes passavam 400 pessoas e tinha vaga pra 60. Tinha acampamento em todas as faculdades de São Paulo. Começaram a usar o artigo 477 [proibindo fazer política na faculdade] pra expulsar alunos. Caralho, os estudantes tinham que fazer política! Era inimaginável o cara estudar filosofia, direito ou ciências sociais e não fazer política.
Foi quando você ficou amigo do José Dirceu? 
Isso, logo que entrei. Ele era presidente do CA e ia de sala em sala fazer um proselitismo político.
O que pensa da condenação de Dirceu e do julgamento do mensalão? 
No fim, não há prova nenhuma. Tiveram que usar essa história do domínio do fato [teoria de que o autor não precisa ter executado o crime, basta ter domínio sobre o que seus subordinados fazem]. Processo totalmente viciado. Pra mim, caixa dois, o caceta, o PT fez. Foi ingênuo. Usou uma coisa que já tinha sido usada pelo PSDB.

"Hoje se faz ativismo no ar-condicionado, clicando no mouse. É leve, quase uma brincadeira"

Qual era o seu papel no movimento estudantil? 
Eu era o porra-louca. O cara que ficava na comissão de frente, que pensava na logística das manifestações, no roteiro etc.
E da luta armada, participou? 
Apenas dando apoio logístico. Não me via dando tiro em guardinha. Você acha que eu vou atirar em alguém? Menor possibilidade, ia me cagar todo, deixar o cara me matar. E eu sabia que o guardinha não tinha nada a ver com a ditadura.
Você foi um dos 700 jovens presos no Congresso da UNE, em Ibiúna. Como foi? 
A gente soube com antecedência que os policiais estavam vindo. Mas, por causa de uma discussão interna, não conseguimos resolver se tentávamos escapar ou se ficávamos. Acabamos ficando. Foi engraçado aquele bando de adolescentes cabeludos indo preso. Os policiais não sabiam o que fazer, liberaram vários deles no caminho de volta para São Paulo.
Mas você foi preso, não foi? 
Fui, assim como todos os líderes. Fiquei dois meses na prisão.
E depois? 
Fiquei dois anos em São Paulo, como dono de livraria, saindo pouquíssimo. Peguei um advogado muito bom, queria voltar à vida normal.
Mas largou o movimento? 
Não, continuei fazendo alguns serviços. Dava caronas para o pessoal da luta armada, fazia entregas.
Qual a diferença do ativismo dessa época com o praticado atualmente, das redes sociais? 
Não tem nenhuma comparação. Não tem como explicar a ditadura pra quem nunca viveu ela. Ser ativista era uma obrigação moral de qualquer ser humano que se prezasse. Hoje se faz ativismo com toda a liberdade do mundo. Dá pra fazer no ar-condicionado, clicando no mouse. É um ativismo leve, quase uma brincadeira. Mesmo que fale de assuntos sérios de vez em quando.
Mas você não acha que o ativismo virtual pode gerar resultados reais? 
Acho. O Egito foi um exemplo. A Espanha também. Aqui no Brasil, por enquanto, ainda não vi nada que tenha funcionado de fato. Não basta 3 mil pessoas falarem “vamos” no Facebook e acabarem não indo. Fora que as causas são mal escolhidas. Marcha contra a corrupção?! É a mesma coisa que dizer que você é contra a morte. Todo mundo é!

“Na internet você fala coisas que no boteco, bêbado feito uma vaca, você não fala porque é crime”

As causas de hoje são bobas? 
Tem uns protestos ridículos. Mas, como é fácil, basta um clique no mouse, um monte de gente apoia. O duro é você sair, pegar um metrô, uma bicicleta, ir lá no Masp e gritar. E outra: um militante virtual é sempre uma persona, nunca é você mesmo. O avatar é um lado que você mostra, não é necessariamente você. Na internet você fala coisas que no boteco, bêbado feito uma vaca, você não fala, porque é crime de morte.
Mas você é bem militante na internet. O que o faria ir para a rua protestar hoje? 
Sei lá, muito difícil eu sair de casa. É o único lugar que acho que não tem ninguém me filmando, me patrulhando.
E o que fez você se afastar do movimento quando jovem? 
Eu tinha filho já. Comecei a sentir uma outra inquietação, mais estética e artística do que política. Minha coisa era com a maconha, com a literatura beatnik, o movimento hippie. Tinha acontecido o Woodstock, Vietnã. Depois teve maio de 1968 na França, “É proibido proibir”, Caetano Veloso cantando aquelas coisas. A Neusa [primeira esposa] vaiava, e eu aplaudia.
Por que a Neusa vaiava? 
Porque não entendia aquilo, assim como 80% das pessoas. No dia seguinte, na faculdade, estava todo mundo arrependido. Tive sorte de ter um pé nas duas canoas. Participei das duas revoluções da minha geração: a política e a artística. A coisa dos Beatles falando da Índia, essa história de usar roupa colorida e desbotada, lenço na cabeça, sentar no chão... Isso mudou o comportamento do ser humano, cara. Hoje o homem pode usar a roupa que quiser, a cor que quiser. Eu cheguei a ser chamado de veado porque estava com uma blusa vermelha com gola V, porra. Isso tudo foi uma revolução. E, claro, tinha o ácido.
Quando foi o primeiro? 
Foi na Bienal de São Paulo, em 1971. Minha turma da Santa Cecília, aqueles malucos que tomavam remedinho pra não dormir, viraram artistas plásticos. E me apresentaram para um artista gringo que veio fazer uma instalação. Ele tinha uma porrada de ácido. Tomei e foi: “Caraaaalho! É isso!”. Make love, not war. Entendi tudo.
Foi a primeira de várias trips? 
Foi. Mas era uma coisa responsável. Eu era intelectual, né? Então fui lá, comecei a estudar um monte sobre peiote, mescalina, LSD. Depois me separei [da Neusa]. Fui parar na Bahia, em Arembepe. Lá era o Woodstock brasileiro. Até a Janis Joplin, dizem, foi. Namorei a Renata Souza nessa época, uma milionária paulistana que tinha sido a primeira a usar um biquíni em São Paulo. Já tinha tomado uns 200 ácidos! A gente classificava as pessoas assim [risos]. Quando voltei pra cidade, nos separamos. E me apresentaram à Nara [sua segunda mulher]. Tomamos um ácido juntos e nos apaixonamos. Ficamos casados 19 anos e tivemos três filhos, que nos deram quatro netos. Pra você ver: às vezes a droga une. Meu analista sempre falava: “Droga não muda ninguém, só reflete e potencializa o que você já é”.

“Tomei ácido pela primeira vez e foi: ‘Caraaaalho! É isso!’. Make love, not war. Entendi tudo”

Toma ácido ainda? 
Não! Não se faz mais ácido como antigamente. Porra, hoje os caras tomam pra ir pra balada! A última vez que tomei foi no Egito, dentro de uma pirâmide.
E o autoexílio?
Quando me apaixonei pela Nara, não queria mais saber do Brasil. Pegamos um navio italiano e fomos à Europa. Londres primeiro.
O Caetano Veloso ainda estava lá nessa época? 
Sei lá. O Caetano era mainstream demais pra mim. Moramos em uma comunidade em Shepherd’s Bush, um bairro de negros, barato. Moravam 11 brasileiros e um inglês. O síndico era africano. Não lembro de que país, mas financiava as rebeliões em seu país. Vendia maconha pra comprar fuzil. E a gente ajudava, gritava em Portobello Road: “Compre maconha e ajude a África!”.
Quanto tempo em Londres? 
Quatro meses. Eu lavava prato e a Nara era garçonete. Fazia cinco pounds por semana, mas era rico. Um pound para morar na comunidade, mais dois pounds de comida. Só. Eu chegava às 11 horas no restaurante, fazia um puta café da manhã, lavava pratos até as 15 horas e depois comia só à noite. Aí fingia ser macrobiótico, que nem o resto da galera. Meu filho foi comer carne só com 7 anos de idade.
Você morou em Amsterdã também, certo?
Nossa comunidade resolveu fazer um grupo de música e ir pra lá. Quem deu a ideia foi o Carlinhos, um cara de Niterói muito louco, que mais tarde seria o primeiro a exportar ginseng para o Brasil. Ele disse: “Temos que fazer uma vibração místico-cultural-musical sobre Atlântida”. Montamos o Children of Moo. Eu tocava flauta doce, a Nara, piano. A gente escolhia um tema, cada um pegava sua lasquinha [de ácido] e pronto. Depois resolvemos comprar uma Kombi e ir para a Índia, que era o que estava pegando na época. Todo mundo foi desistindo no caminho. Eu e a Nara ficamos na Grécia. Tava bom demais, não conseguimos ir embora. De lá voltamos para o Brasil, quando o pai da Nara mandou um telegrama avisando que tinha um emprego pra gente na Universidade Federal de Pelotas, como professores de teatro. Salário, funcionário público, tudo certinho.
Vocês tinham uma relação aberta? 
Não, não! Sempre fui casado, então não tinha amor livre. Só no final do casamento, mas foi só uma maneira de dar uma sobrevida. Ela me dava carta branca mais do eu que dava a ela!
É possessivo, Zé? 
Claro, sou um macho brasileiro normal, nascido em 1946. Mas tento lutar contra isso. Nunca casei com uma mulher machista. Sempre casei com mulheres fortes, feministas, que botavam o pau na mesa. E obviamente isso me ajuda muito a erradicar o meu machismo. Mas confesso: tenho preconceitos, apesar de lutar todos os dias contra eles. Me cuido, quero fazer o bem pras pessoas e procuro fazer o possível para não ser injusto, indelicado. Tento vibrar positivamente, sabe?

“Como não posso ser mulher, negro ou gay, escolhi ser bissexual. Foi um gesto político”

Mas que preconceitos acha que tem? 
Nunca tive um ato racista contra um negro. Mas já ri de piada racista, já repeti piada racista, até pra amigo negro. Já tive uma namorada negra, amigos. A proporção de negros na minha vida foi mais ou menos como é na vida de todo mundo, como é numa novela da Globo.
No começo do ano você declarou no Twitter que era bissexual. Por quê? 
Porque comecei a ver um monte de queixa no Twitter de mulher agredida, gay espancado, negro escorraçado. Me deu uma loucura: quero saber como é se sentir minoria, ser vítima de preconceito. Como não posso ser mulher, nem negro, nem gay, pois sou casado com uma mulher e já fui casado com outras, escolhi ser bissexual. Foi um gesto político.
Você então nunca se relacionou com um homem? 
Estou casado com a minha mulher há quase dez anos. E estou bem. Não estou aberto a outra relação. O fato de eu ter tido ou não relações bissexuais não importa. O fato de eu ter falado que era já me colocou essa pecha. Virei bissexual e fim de papo. Apanhei, mas valeu a pena. Foi um teste sociológico, uma pesquisa psicoantropológica.
Mas, Zé, teve ou não teve sexo com homem? 
Olha, eu fiz duas peças que tinha beijo na boca. Mas era beijo técnico... [risos]. Era uma cena absolutamente poética, lindíssima. As mulheres choravam alto.
E fora do palco? 
Fora do palco, não. Mas não foi por preconceito.
Você deve ter muitos colegas bissexuais que não se assumem. 
Vários! E eles vieram me abraçar, me agradeceram [por dizer que era bissexual]. Recebi muitos e-mails de congratulações.
Por que atores não podem ainda assumir sua sexualidade? 
O Marco Nanini acabou de declarar que é gay... Mas não sei. É uma questão muito de foro íntimo, talvez atrapalhe a carreira. Aliás, será que isso vai acontecer comigo?
Você está preocupado? 
Eu não! É a primeira vez que eu penso nisso. Até agora fingi que sou macho, não foi? Vou continuar fingindo. Não tem problema nenhum.
E o vídeo que você gravou com o Rafinha Bastos, em que vocês são amantes? 
Ele me ligou e eu topei na hora. Achava que já conhecia ele, mas confundia com aquele outro do CQC, o [Danilo] Gentili. Sempre que tinha evento, a Globo colocava eles atrás de uma grade lá longe, uma baita humilhação. Mas eu sempre ia lá falar com os caras. Rafinha foi lá em casa gravar, pegou uma ponte aérea só pra isso. Acho injusta a perseguição que fizeram com ele por causa daquela piada de que mulher feia deveria agradecer por ser estuprada. Estão levando o humor a sério demais.
Como é a vida sexual aos 66 anos? 
Não muda nada. Nunca tomei nenhum aditivo desses. Acho que a minha geração está chegando aos 70 muito bem. Tem José Mayer, José Wilker, Paulo Betti, Antonio Fagundes, Tony Ramos.
Como e quando você conheceu a Camila? 
Em um aniversário meu, que fiz na pousada de um amigo, em Teresópolis (RJ). A Camila era amiga de academia da esposa dele. Conversamos bastante e acabou acontecendo.

“Abrir mão do meu salário da Globo para poder ser de esquerda? Acho isso ridículo”

Foi depois de começar a fazer análise? 
Comecei análise quando fiquei grávido do Bernardo [filho caçula], que hoje tem 12 anos. Resolvi fazer porque fazia muito tempo que eu não tinha filho. E a gente [ele e a mãe de Bernardo] não era casado. Nessa época, eu era garanhão. Um jornalista do Globo até me chamava de José “Casanova” de Abreu, porque eu só namorava mulheres bonitas. Tinha muita casa noturna no Rio, todo mundo ia pra rua.
E quais mulheres lindas você namorou? 
A Mônica Martelli, a Flávia Zillo, a Luisa Thiré. Não são mulheres lindíssimas, mas são tipos incríveis. Mulherões, entendeu? Mulheres de impacto.
Você se dá bem com suas ex-mulheres? 
Me dou bem com todas. Principalmente com a Nara. A Neusa mora em São Paulo, a gente praticamente não tem contato. Depois que o Rodrigo morreu [em 1992]... Aí que perdemos o vínculo mesmo.
Rodrigo, seu primogênito, morreu aos 21 anos. Você tem problema em falar sobre isso? 
Nenhum. Durante muito tempo frequentei centro espírita, inclusive meu filho ia também. Me seguro nessa.
O que aconteceu exatamente? 
Ele caiu da janela. Estava chuviscando, e tinha uma persiana. Ele sempre botava o corpo pra fora da janela, era muito grandão, atlético. Aí passou pelo buraco. Não havia possibilidade de suicídio, a gente tinha acabado de conversar. Ele tinha ido no banco, levado o jipe pra consertar, estava preparando o futuro. Foi comer mamão, ligou o rádio e caiu.
Como você encarou? 
Eu estava fazendo Amazônia, na TV Manchete. Me deram 15 dias de férias. Depois, voltei a gravar.
Não é contraditório ser um cara de esquerda e ser global, comer no Gero e se hospedar no Fasano ao mesmo tempo? 
Não sei, bicho. Perguntavam a mesma coisa para o Geraldo Vandré na época, porque ele tinha um Ford Galaxie. Ele respondia: “Não sou proletário. Não vou me fantasiar como tal”. Eu gasto grande parte do meu dinheiro com viagem, comida, bebida. Eu tenho que abrir mão do meu salário da Globo para poder ser de esquerda? Acho isso tão ridículo quanto achar que sou mau ator porque sou de esquerda. Tem jornalista que coloca isso na imprensa. Dizem que sou um ator coadjuvante... Porra, até a Fernanda Montenegro é coadjuvante de vez em quando! Não existe ator coadjuvante. E hoje vou ganhar um prêmio de melhor ator da APCA [Associação Paulista de Críticos de Arte], justamente por um papel coadjuvante. Que tal?