BLOG DO VICENTE CIDADE

Este blog tem como objetivo falar sobre assuntos do cotidiano, como política, economia, comportamento, curiosidades, coisas do nosso dia-a-dia, sem grandes preocupações com a informação em si, mas na verdade apenas de expressar uma opinião sobre fatos que possam despertar meu interesse.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Carta Maior - Gilberto Maringoni - Desenvolvimento e socialismo

Carta Maior - Gilberto Maringoni - Desenvolvimento e socialismo


DEBATE ABERTO
Desenvolvimento e socialismo
Falar em socialismo deixou de ser um despautério. A crise internacional desmoralizou os fanáticos do mercado. Mas qualquer mudança social tem de ser pensada em meio a um projeto de desenvolvimento viável e no bojo das disputas políticas reais da sociedade brasileira.
Gilberto Maringoni
(Publicado na revista Margem Esquerda no. 17, Boitempo Editorial, 2011)

Introdução

A possibilidade concreta de se viabilizar uma transição ao socialismo está hoje fora da agenda da sociedade brasileira. A hegemonia burguesa consolidou-se, após um longo período de defensiva das idéias socialistas. Parte da esquerda formada a partir dos anos 1970-80 adaptou-se e ajudou a consolidar tal hegemonia, conferindo-lhe inédita legitimidade.

Essa parcela significativa da esquerda – que inclui lideranças políticas, sindicais e populares – dá nova qualidade ao pacto de classes estabelecido no Brasil, após a eleição de Luís Inácio Lula da Silva à presidência, em 2002. Estabeleceu-se uma aliança sólida entre tais setores e o grande capital financeiro e industrial e o agronegócio, em torno de um projeto de desenvolvimento. O detalhamento de tal pacto pode ser lido aqui.

Embora se percebam vários matizes no interior desse grande acordo, a maior parte de seus agentes se unifica em torno de algumas linhas-mestras: 1. Absoluta prioridade aos setores rentistas, para os quais se destina cerca de 47% do orçamento federal, sob a rubrica de pagamento dos serviços da dívida pública, baseados nos juros reais mais altos do mundo; 2. Manutenção de uma taxa de câmbio valorizada, que favorece o capital externo e penaliza os setores industriais; 3. Livre circulação de capitais; 4. Expansão do mercado interno, através da elevação do salário mínimo e de programas de transferência de renda; 5. Diversificação dos parceiros comerciais do Brasil no plano externo e 6. Manutenção de toda ordem jurídico-institucional criada para a implantação do modelo neoliberal.

Neoliberalismo puro e duro

Não se trata mais do neoliberalismo puro e duro dos anos 1990, quando aconteceram as privatizações em massa e o grosso das reformas constitucionais que garantiram a nova ordem. Tudo se deu ao custo de aumento do desemprego e de três crises consecutivas na economia brasileira. Esse viés mais radical do mercadismo perdeu legitimidade, mas permanece vivo nas páginas e telas da grande mídia e nos partidos de direita. Atualmente, mantidas suas características básicas, o modelo se arraigou na sociedade brasileira, gerando moderadas taxas de crescimento econômico, além de uma melhoria no padrão de vida dos assalariados e da adoção de políticas sociais focadas.

Num plano muito minoritário em termos de expressão política, existe um projeto à esquerda – que contempla também várias nuances. Na verdade, não se conforma nitidamente como alternativa, mas como ideário disperso em alguns setores sociais. Ele poderia, genericamente, ser classificado como democrático-popular. Essa vertente envolve frações dos trabalhadores, da pequena e média burguesia e mesmo partes minoritárias da burguesia. Algumas dessas formações encontram-se abrigadas no pacto de classes majoritário e, vez por outra, exibem descontentamentos com os rumos da orientação geral.

Como tratar a questão da transição do capitalismo para o socialismo nessas balizas concretas? Como colocar o tema no plano da tática – ou seja, da política – e não no terreno de uma estratégia desvinculada da formação social e econômica e social atual do país?

Este pequeno texto não responde a tais questões. Elas seguem em aberto nos dias que correm. Busca-se aqui tão somente apontar a necessidade de articulação entre um projeto de desenvolvimento democrático e popular nos marcos do capitalismo realmente existente e a luta pelo socialismo.

Problema tático

Duas décadas depois da derrocada dos regimes do socialismo real, que gerou uma aguda crise política e ideológica na esquerda mundial, e quase uma década após a chegada ao poder de um partido de origem popular no Brasil, o que significa exatamente advogar uma ruptura socialista?

Um objetivo como esse não pode ser uma construção apenas doutrinária, desvinculada das lutas e condições da realidade política. Ruptura – ou revolução - e socialismo não são valores ou categorias morais. São, antes de tudo, objetivos políticos, inseridos na real disputa de forças na sociedade. Isso implica estabelecer metas de curto, médio e longo prazo, examinar quem são os sujeitos políticos dessa empreitada, os aliados e os inimigos e traçar um programa mínimo e um programa máximo de ação. Em outras palavras, são partes da construção de uma tática e de uma estratégia política. Não se trata assim de tarefa acadêmica. Uma articulação desse tipo deve captar uma necessidade expressiva na sociedade, tendo como núcleo fundamental os trabalhadores, os setores pobres da cidade e do campo e parcelas da pequena burguesia. Outras frações de classe podem eventualmente se juntar nessa empreitada, dependendo das condições concretas da disputa política.

Revolução em xeque

Ao longo das últimas duas décadas, revolução passou a ser um conceito tido como obsoleto. A queda do muro de Berlim, em 1989, a derrota eleitoral dos sandinistas na Nicarágua, em 1990, o desmanche da União Soviética, em 1991, e a supremacia do modelo neoliberal em quase todo o mundo, acuaram as forças que pregavam mudanças na ordem social. A própria idéia de revolução, no sentido de uma transformação radical da realidade, foi colocada em xeque. Ela voltou à baila primeiro pelas mãos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que desde sua chegada ao poder, em 1998, alardeia comandar uma revolução em seu país. Mais recentemente, as mobilizações populares nos países árabes chegaram a ser chamadas de revolução. Independente da exatidão ou não na utilização do termo, o certo é que ele saiu do limbo a que foi relegado há duas décadas.

O que é uma revolução? As definições sobre uma mudança de tal natureza foram sintetizadas por Caio Prado Júnior (1907-1990):

Revolução, em seu sentido real e profundo, significa o processo histórico assinalado por reformas e modificações econômicas, sociais e políticas sucessivas que, concentradas em período histórico relativamente curto, vão dar em transformações estruturais da sociedade, e em especial das relações econômicas e do equilíbrio recíproco das diferentes classes e categorias sociais.[1]

Fernando Claudín (1915-1990), histórico dirigente comunista espanhol, destaca um traço fundamental nas revoluções:

Toda revolução social, tanto socialista como burguesa, compreende como momento necessário a revolução política, a passagem do poder a uma nova classe. [2]

O debate sobre processos revolucionários pode levar à discussão de outro conceito banido da agenda política: o projeto socialista. Se, como dizia Marx, o socialismo representará o desenvolvimento máximo das forças produtivas, com a disseminação do bem-estar e da qualidade de vida, há que se superar o desenvolvimento capitalista, mudando sua qualidade, guardando algumas de suas características, mas negando outras, essenciais, para a construção de uma nova síntese que pode ser genericamente chamada de desenvolvimento socialista.

A esquerda e o desenvolvimentismo

Embora o desenvolvimento econômico sob o capitalismo seja um projeto essencialmente burguês, é preciso levar em conta algumas de suas características. No caso brasileiro recente, o aumento da massa salarial, a expansão dos níveis de emprego e a disseminação do crédito acabam por atrair largos setores dos trabalhadores para o pacto dominante. A melhoria imediata dos padrões de vida, como acontece atualmente em vários países da América Latina, após duas décadas de estagnação, consolidou a idéia que o desenvolvimento é igualmente bom para todos.

Celso Furtado (1920-2004), o mais radical e talentoso reformista burguês do Brasil, diferenciava desenvolvimento de crescimento. Para ele, “O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, vem se fundando na preservação dos privilégios das elites que satisfazem seu afã de modernização; já o desenvolvimento se caracteriza pelo seu projeto social subjacente. Dispor de recursos para investir está longe de ser condição suficiente para preparar um melhor futuro para a massa da população. Mas quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida dessa população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento”[3].

Ou seja, trata-se de um processo de transformação social. Essa transformação será tão mais profunda quanto mais a esquerda socialista souber empreender uma luta política para fazer aliados e formular programas na luta por um desenvolvimento distributivista, democrático e ecologicamente sustentável, que aponte para o socialismo. Não se coloca aqui em dúvida que a transformação almejada será socialista. Discute-se a tática a ser empreendida. Ela depende dos rumos a serem traçados, mas sobretudo da luta e das condições política concretas.

Para definir os atores sociais de uma empreitada dessa envergadura, é preciso apontar o que se quer e onde se deseja chegar. A estratégia de transformação conformará a frente de interesses e de interessados, deixando claro quais os beneficiados e quais os prejudicados com o processo.

O tal do reboquismo

Ao mesmo tempo, a esquerda não pode permanecer como caudatária do desenvolvimentismo burguês. Isso aconteceu de forma clara depois da divulgação da Declaração de Março de 1958, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A íntegra do texto pode ser lida aqui.

Vale a pena estudar aquele documento. Ele é contraditório, mas extremamente interessante. O texto tem o mérito de produzir um giro na atuação partidária, que havia adotado concepções ultraesquerdistas, estreitas e sectárias após a publicação dos manifestos de janeiro de 1948, de agosto de 1950 e das resoluções do IV Congresso, de 1954. Todos representam reações à colocação do partido na ilegalidade, em 1947. O resultado foi o isolamento do PCB das forças nacionalistas e progressistas.

Após o texto de 1958, a agremiação adotou uma linha de participação no movimento nacionalista, assumiu a luta democrática como bandeira e possibilitou a ela tocar as questões concretas do dia a dia. Houve uma busca pela concretização de alianças, sem exigências irreais, dogmáticas e apriorísticas de hegemonia, como acontecia no período anterior.

No entanto, a Declaração de Março tem como questão principal um grave erro estratégico, fruto de uma análise precária da composição de classes da sociedade brasileira. O texto atribui à “burguesia nacional” um papel progressista. A dada altura, a Declaração diz o seguinte:

O proletariado e a burguesia se aliam em torno do objetivo comum de lutar por um desenvolvimento independente e progressista contra o imperialismo norte-americano.

O resultado concreto foi que o Partido acabou por se colocar a reboque da “burguesia nacional” e de sua concepção política e econômica central, o nacional-desenvolvimentismo. A maior parte dessa burguesia aliou-se ao imperialismo no golpe de 1964, isolou e combateu os comunistas e a esquerda em geral.

O período nacional-desenvolvimentista não foi uniforme e suas características intrínsecas conheceram várias nuances. Obteve-se, através dessas orientações, um modelo de modernização acelerado, que não tocava nas estruturas arcaicas de concentração da renda e da propriedade.

Provocou um dos maiores deslocamentos humanos da história contemporânea, através das migrações internas do campo para a cidade, com vantagens e problemas daí advindos.

O desenvolvimentismo dos anos 1950 entrou em crise, no final daquela década, por conta da maciça e crescente necessidade de importação de bens de produção, o que passou a causar desequilíbrios estruturais no balanço de pagamentos. Some-se a isso, uma contradição inerente ao desenvolvimento, a formação de uma numerosa e disciplinada classe operária, que passou a reivindicar uma repartição maior das riquezas por ela produzida, colocando-se na prática contra um dos pilares do modelo, a superexploração do trabalho.

As raízes do golpe de 1964 estavam principalmente em impedir que as classes sociais emergentes na cena política a partir de 1930 – especialmente o operariado, os trabalhadores rurais e setores das camadas médias – exigissem democratização da propriedade, da renda e do poder político. Para seguir atraindo o capital externo, o país teria de domesticar as reivindicações trabalhistas e criar um ambiente politicamente estável.

O golpe de 1964 é a maior expressão histórica do equívoco de se submeter o movimento popular a uma diretriz própria da burguesia. O exame criterioso desse exemplo deve nortear as ações táticas e estratégicas da esquerda brasileira.

As vertentes da retomada

Após duas décadas de defensiva das camadas populares, a sociedade brasileira viveu novamente, a partir dos anos 1980, um intenso período de disputas, no bojo das lutas políticas pelo fim da ditadura. O debate tinha como pano de fundo a ofensiva do movimento popular.

A percepção de que o modelo anterior entrara em crise, gerando um acentuado desgaste político do regime suscitou um grande debate nacional. Ele combinava reivindicações democráticas com definições de rumos na economia. Havia três vertentes e várias nuances no tabuleiro.

A primeira delas, liderada pelo grande capital, clamava por uma política de desestatização, identificando o propalado gigantismo do Estado como matriz da dinâmica recessiva e inflacionária que o país viveu a partir de 1982. A saída seria uma redução do papel do Estado, para liberar energias produtivas da iniciativa privada.

A segunda era vocalizada por setores da burguesia – cuja tradução política se dava através da maioria do PMDB – e por uma parte do movimento social, especialmente pelos setores nos quais o PCB tinha forte presença. Exigiam uma redefinição do papel do Estado, que deveria retomar suas características de planejador e impulsionador do desenvolvimento.

E a terceira vertente – formada pelas lideranças do chamado “novo sindicalismo”, por egressos da luta armada dos anos 1960-70 e por facções progressistas da Igreja Católica – advogava, de maneira rudimentar, uma ruptura com o capitalismo, sem mediações com a burguesia brasileira. Eram os setores que convergiriam para a formação do Partido dos Trabalhadores. A agremiação nasceu e cresceu criticando a política de alianças de classe do PCB.

Ao longo dos anos, a segunda e a terceira vertente tiveram grande convergência. Ou seja, o PT paulatinamente passou a adotar a aliança de classes que renegara no passado. E ao conquistar o poder de Estado, aconteceu o que o economista Paul Singer notou em entrevista recente: A “aliança com sistema financeiro e latifúndio deu ao PT tranqüilidade para governar”.

Concretizou-se assim o pacto de desenvolvimento mencionado no início. Uma conformação política dessa natureza não é feita para se lutar pelo socialismo e muito menos para mudar estruturalmente a sociedade. É neste cenário que o grande capital, o agronegócio exportador e as velhas oligarquias seguem dominando, em aliança com parcelas expressivas do movimento popular.

Colocar na agenda

É também neste cenário que a esquerda socialista precisa alcançar legitimidade para colocar na agenda política a alternativa de uma transformação social radical. Dois erros devem ser evitados:

A) Ficar a reboque do desenvolvimentismo. Os setores que o compõem são aliados em uma luta comum até determinado ponto: romper com alguns constrangimentos impostos pelo capital financeiro, o que não é pouca coisa;

B) O segundo equívoco é o oposto. Seria incorrer num doutrinarismo estéril, sem disputar a base social do pacto dominante, que envolve setores com várias contradições entre si. Seria ao mesmo tempo incorreto eleger o desenvolvimentismo como obstáculo principal da luta pelo socialismo

No plano concreto, um programa tático poderia envolver, entre outros, os seguintes pontos:

A) Uma política monetária e uma política fiscal expansiva, que se traduza na quebra da dominação neoliberal. Concretamente isso se traduz em juros baixos, fim do superávit primário e na adoção de controle de capitais;

B) No âmbito do trabalho, redução de jornada, aumento de direitos e do trabalho formal;

C) Maior controle do sistema financeiro e reestatização das empresas privatizadas nos últimos 20 anos;

D) Aumento do investimento estatal nos serviços públicos

E) Auditoria da dívida pública;

F). Democratização das comunicações;

G) Reforma agrária;

H). Direitos iguais para homens, mulheres, negros e minorias;

I). Uma política de desenvolvimento ecologicamente sustentável.

A partir desses pontos – que contam com a concordância de amplas parcelas do campo popular, algumas hegemonizadas pelo pacto dominante – é que se pode avançar no plano concreto para a construção de uma estratégia socialista com força social.

A luta pelo socialismo é um projeto coletivo e não-linear. Depende das injunções históricas, do ambiente interno ao país, das condições da economia mundial e de decisões na esfera política. Ela necessita da constituição de uma frente popular e democrática, a partir das organizações existentes na sociedade. Pressupõe a disputa das bases sociais do pacto dominante.

A luta pelo socialismo não interessa ao grande capital e nem àqueles que têm no terreno financeiro e na especulação a fonte principal de seus ganhos. Um projeto desse tipo, que passa por uma ruptura revolucionária, pressupõe a supremacia da política, com sociedade organizada, instituições democráticas e Estado e forte. E pela solidificação dos partidos de esquerda.

É algo a favor das maiorias e contra as minorias privilegiadas. Um projeto desse tipo só é possível em um embate antiimperial de envergadura e de integração regional soberana.

(*) Agradeço a sugestões feitas em versões anteriores deste texto por Antonio Augusto, Duarte Pereira, Paulo Kliass e Valter Pomar. Naturalmente, eles não têm responsabilidade alguma sobre as linhas que seguem.

NOTAS

1. Prado Jr., Caio, A revolução brasileira, Editora Brasiliense, São Paulo, 1987, pág. 11

2. Claudín, Fernando. A crise do movimento comunista: vol. 1. São Paulo, Global, 1985. v.1. págs. 51-52

3. Furtado, Celso, Os desafios da nova geração, in Revista de Economia Política, Vol 24, nº 4 (96), Out-Dez – 2004, pág. 484

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Proposta Democrática: Luta Democrática, Cidadania e Desenvolvimento: PUTY Prefeito de Belém.


Proposta Democrática: Luta Democrática, Cidadania e Desenvolvimento: PUT...:

Luta Democrática, Cidadania e Desenvolvimento: PUTY Prefeito de Belém!

Não há maturidade sem juventude, nem futuro sem idealistas. O PT ao longo das últimas três décadas têm sido a voz das ruas, expressando e defendendo uma Belém democrática e cidadã. Na segunda metade da década de 1990 e na primeira metade da década de 2000, experimentamos a gestão da principal capital da Região Norte do Brasil. Chegou a hora de retomá-la!

O PT passa por intenso processo de renovação de seus quadros dirigentes. Em todo país serão novas lideranças que enfrentarão as velhas e carcomidas elites da tucanocracia e de sua privataria aliada. Jovens lideranças, porém já calejadas na construção de um novo futuro para o Brasil e suas respectivas municipalidades.

Lula, com sua enorme capacidade de compreensão de que o tempo é sempre o tempo das paixões e que a razão tem que ser a melhor conselheira do coração, soube influenciar para que na maior cidade do país, São Paulo, uma dessas novas lideranças fosse o nome escolhido para enfrentar o triunvirato PSDB/PSD/DEM. Fernando Haddad representa não somente a possibilidade de uma vitória histórica do PT em São Paulo, como também indica para o restante do Brasil um rico caminho a ser trilhado.

Da mesma forma Lula tem buscado atrair e propor novas lideranças, com a dupla característica de ser propositivo e ter carisma militante de esquerda, em outras cidades paulistas. É assim que Marcio Pochmann, atual presidente do Ipea, poderá ser um forte nome a concorrer a prefeitura da quarta maior cidade paulista: Campinas.

Claudio Puty converge esse conjunto de expectativas e capacidades com grande sobra. Sua experiência militante, acadêmica, administrativa e parlamentar nos possibilita vislumbrar uma forte chapa capaz de vencer as atrasadas elites locais, guarnecidas no tucanato e suas forças auxiliares.

O Brasil dos últimos nove anos buscou construir ou “germinar” um padrão diferenciado em relação ao seu histórico formato social excludente e ambientalmente degradador. Os governos Lula e Dilma ao combinarem politicas macroeconômicas gradualistas com políticas sociais ousadas iniciaram processo gradual de desconcentração da renda, com o uso, principalmente, de políticas mais fortes de transferência de renda e recuperação do salário mínimo em termos de ganhos reais aos trabalhadores.

Esses avanços ainda não estão consolidados, não nos enganemos que um novo modelo ainda não foi estruturado, somente algumas sementes de outro padrão foram semeadas, a capacidade dessas sementes germinarem e aflorarem estão na dependência dos próximos passos da sociedade brasileira.

A eleição para prefeito de Belém constitui momento chave para que a sociedade local e a militância do Partido dos Trabalhadores contribuam para que possamos efetivamente reforçar o projeto nacional, construindo localmente um projeto de Cidade Democrática e Cidadã. Os eixos desse projeto podem ser brevemente vislumbrados em cinco pontos:

i) O direito à cidade, isto é, o direito à participação nos processos deliberativos que dizem respeito à cidade, à coletividade urbana e ao uso dos bens públicos urbanos.

ii) O direito à mobilidade na cidade, isto é, a estruturação de política de transporte viária que democratize radicalmente o “ir e vim”, permitindo maior qualidade de vida e tempo de convívio familiar ao trabalhador de Belém.

iii) Efetiva democratização do uso do solo urbano, especificando o real cumprimento do Estatuto da Cidade (Lei federal 10.257/01) e o estabelecimento de controle da acumulação urbana e da especulação imobiliária, combatendo e regulamentando a apropriação predatória e excludente das terras urbanas e rurais.

iv) Políticas para Juventude enquanto principal componente de resgate da Cidadania Urbana. Integração de parcela considerável da população em amplo movimento de desenvolvimento social, tendo como base o esporte e a educação.

v) Políticas de urbanização, políticas de infraestrutura e políticas ambientais centradas nas áreas de maior vulnerabilidade, especificamente nos aglomerados subnormais que constituem 53% das áreas de habitação da Região Metropolitana de Belém.

Puty constitui o nome que possibilita ao Partido dos Trabalhadores retomar o governo da Cidade das Mangueiras, resgatando e assegurando a todos o direito à cidade. Velhos e novos desafios para construção de uma Belém Democrática e Cidadã.

Governo Lorota: R$ 174,3 milhões para propaganda. Mas assim... pagando, até eu seria o 'Cara" !!

A Perereca da Vizinha: PPA prevê gastos superiores a R$ 174 milhões na pr...:


PPA prevê gastos superiores a R$ 174 milhões na propaganda do Governo. Só em 2012 serão mais de R$ 40,7 milhões, ou mais do que será destinado à Santa Casa e ao Hospital Oncológico. Apenas seis municípios paraenses receberam mais de ICMS em 2011 do que o Governo torrará em propaganda.


É uma sangria desatada, que parece nunca mais ter fim.

No último dia 30 de dezembro, o Diário Oficial do Estado publicou o PPA (Plano Plurianual) para o período que vai de 2012 a 2105.

Nele, a previsão é que os gastos em publicidade do Governo do Estado atinjam, nesse período, impressionantes R$ 174,3 milhões.

Só neste ano a “implementação de ações de publicidade” deverá consumir mais de R$ 40, 776 milhões, ou mais de R$ 111,7 mil por dia.

O custo por habitante paraense será de R$ 5,37, num estado em que metade da população da Região Metropolitana reside em favelas.

E isso se essa bolada de R$ 40,776 milhões não for largamente ultrapassada.

A destinação de tanto dinheiro para a propaganda governamental num estado carente de recursos financeiros representa uma inversão de prioridades.

Esses R$ 40,776 milhões superam, por exemplo, os R$ 22,3 milhões destinados no Orçamento de 2012 à Santa Casa de Misericórdia; os R$ 25 milhões que serão investidos na conclusão do Hospital Oncológico; os R$ 21,2 milhões destinados ao hospital de Clínicas Gaspar Viana; os R$ 25,4 milhões previstos para o Hemopa.

Também deixam longe os R$ 23,9 milhões do policiamento ostensivo da PM; os R$ 19,4 milhões destinados ao Fundo Estadual de Habitação de Interesse Social; os R$ 16,2 milhões previstos para a merenda escolar; os R$ 4,9 milhões que serão investidos pela Prodepa no Navegapará; os R$ 10 milhões orçados para a reforma de delegacias da Polícia Civil.

Na verdade, essa bolada de R$ 40,7 milhões supera até mesmo o orçamento de 2012 da Secretaria Executiva de Agricultura, Sagri (R$ 39,5 milhões).

E quando se compara a massa de recursos da propaganda com o ICMS destinado aos municípios paraenses, aí é que a coisa toda fica escandalosa: dos 143 municípios paraenses (Mojuí não consta na lista), apenas seis (Belém, Parauapebas, Marabá, Tucuruí, Barcarena e Ananindeua) receberam, em 2011, mais dinheiro de ICMS do que essa bolada de R$ 40,7 milhões.

Até mesmo Santarém, com seus pouco mais de R$ 24 milhões de ICMS, ficou bem atrás dessa gastança. 

E no caso de um município miserável como Anajás, por exemplo, esses R$ 40,7 milhões equivalem a 20 anos de ICMS, em valores do ano passado.

Só em 2011, as seis agências de propaganda que detêm a conta de publicidade do Governo do Estado levaram para casa pelo menos R$ 20,5 milhões – a soma das Notas de Empenho (NEs) que a Pererecaconseguiu localizar no portal Transparência Pará.

As mais bem aquinhoadas foram a Griffo, com mais de R$ 8,6 milhões, e a DC3, com quase R$ 4,2 milhões.

Detalhe: o contrato de propaganda do Governo, que foi assinado em julho de 2011 e vai até julho deste ano, tem o valor total de R$ 31,3 milhões.

E a Griffo também possui um contrato de R$ 2,5 milhões com o Banpará.

O contrato do Governo do Estado com essas seis agências de propaganda está publicado no Diário Oficial do Estado de 12 de julho de 2011, caderno 1, página 7.

O contrato entre o Banpará e a Griffo, também com vigência de um ano, está no Diário Oficial de 18 de julho de 2011, caderno 1, página 14.

Além da Griffo e DC3 venceram a concorrência 001/2011, para o contrato de propaganda do Governo, as agências Bastos, Galvão, Fax e OMG.

Uma lambança tucano-petista

Na verdade, não apenas os tucanos, mas também os petistas se lambuzaram nessa escandalosa orgia da propaganda oficial.

Em 2009, os gastos com a propaganda do Governo do Estado alcançaram mais de R$ 58,831 milhões, ou o equivalente, em dezembro de 2011, a mais de R$ 66,571 milhões, em valores corrigidos pelo IPCA-E.

Com 99,9% de certeza, foi o maior volume de gastos em propaganda da história do Pará.

Mas também com 99,9% de certeza, foram os tucanos os “pais” dessa sangria: em 1996, segundo o Balanço Geral do Estado (BGE) mais antigo que consta no site da Sefa, todos os gastos na rubrica “divulgação oficial”, incluindo os três Poderes e a administração direta e indireta, somaram R$ 6,885 milhões, ou o equivalente a R$ 17,2 milhões em dezembro de 2011, em valores corrigidos pelo IPCA-E.

Já em 1997, veio o primeiro salto: só a “divulgação oficial” do Executivo (e apenas da administração direta) consumiu mais de R$ 10,3 milhões, ou o equivalente a R$ 24,5 milhões em valores de dezembro de 2011.

Em 2000, o segundo salto: só os gastos do Executivo, administração direta, alcançaram R$ 16,7 milhões, ou o equivalente a quase R$ 34 milhões em valores atualizados.

Quer dizer: em apenas quatro anos, entre 1996 e 2000, o dinheiro torrado em propaganda praticamente dobrou.

Permaneceu nesse patamar, em torno de 16 ou 17 milhões de reais (em valores históricos), até 2004, quando, mais uma vez, recebeu pequena turbinagem:  a propaganda do Executivo (e, possivelmente, só da administração direta) consumiu mais de R$ 21,8 milhões, ou mais de R$ 31,2 milhões em valores atualizados.

A partir de 2006, quando os gastos em propaganda passaram a constar num relatório analítico do BGE, ficou mais fácil visualizar esses dados.

Naquele ano (2006), a propaganda do Governo (incluindo os três poderes e a administração direta e indireta) consumiu mais de R$ 26,6 milhões, ou quase R$ 35 milhões em valores atualizados.

Desses R$ 26,6 milhões, R$ 25,6 foram gastos pelo Executivo.

No entanto, essa massa de recursos de 2006 não inclui o Banpará, que sempre teve uma conta de publicidade bastante adubada; nem o convênio entre a Funtelpa e as ORM. E não inclui, também, o gasto em propaganda que os tucanos costumavam encafuar em outras rubricas orçamentárias, como, por exemplo, “serviços gráficos”.

Daí que é bem provável que, já naquela época, o derrame de dinheiro na propaganda do Governo beirasse, em valores históricos, os R$ 40 milhões.

Em 2007, no primeiro ano do governo petista (e talvez pelo impacto das denúncias acerca da gastança tucana) os gastos em propaganda caíram para R$ 24,9 milhões, ou o equivalente hoje a R$ 31,3 milhões.

Mas já em 2008 a sangria recomeçou: eles atingiram mais de R$ 35,7 milhões – ou quase R$ 40 milhões em valores atualizados - ao mesmo tempo em que a rubrica “serviços gráficos” inflava de maneira verdadeiramente impressionante.

Finalmente, em 2009, os petistas estuporaram a boca do balão, com as maiores despesas em propaganda  da história do Pará.

Daí, talvez, a queda, em 2010, quando foram torrados em propaganda R$ 45,7 milhões, ou R$ 49 milhões em valores de dezembro de 2011.

Qual o limite?

É claro que nenhum governo pode viver sem propaganda ou publicidade, como se prefira chamar.

É preciso investir em campanhas educativas, de trânsito, saúde, segurança, por exemplo, ou até mesmo na divulgação das belezas do estado, como forma de alavancar o turismo.

O problema é quando esses gastos atingem patamares absolutamente injustificáveis, tendo em vista as enormes carências do estado e até as facilidades de comunicação proporcionadas hoje em dia pela internet. Isso sem falar na própria estrutura de Comunicação de que dispõe o Governo do Pará.

A sangria da propaganda, aliás, atinge a própria Secretaria de Comunicação, a Secom.

Do Orçamento da Secom para 2012, que é de R$ 42 milhões, mais de R$ 35 milhões serão destinados à “implementação das ações de publicidade” e outro R$ 1,5 milhão à publicidade legal (editais).

Os projetos da Secretaria, como a produção de matérias para a difusão de informações governamentais; oficinas para democratizar o acesso à informação e o portal Tucupix, para estudantes e educadores, consumirão, somados, menos de R$ 1,8 milhão.

Nem a AGE, com seu orçamento inferior a R$ 4,5 milhões, mas que é fundamental para o controle interno e para a transparência dos gastos do governo; nem o Navegará, que receberá da Prodepa e da Secretaria de Ciência e Tecnologia menos de R$ 13 milhões e que tem um potencial extraordinário para democratizar o acesso à informação, receberão tanto dinheiro quanto a propaganda – leia-se as agências que detêm a conta do governo e os veículos tradicionais de comunicação.

Sinal de que toda essa gastança, essa sangria desatada, envolve “otras cositas mas”, que não a transparência, a publicidade e a Democracia.  
   
FUUUUIIIIIII!!!!

Cláudio Puty: Uma revolução chamada PT

Cláudio Puty: Uma revolução chamada PT:


Sou pré-candidato a prefeito de Belém. O PT é o único partido onde cada filiado será chamado a decidir, no dia 22 de janeiro, quem será o seu candidato a prefeito. 

Somos seis pré-candidatos disputando a indicação da militância partidária: Eu, o deputado Carlos Bordalo, o vereador Alfredo Costa, o companheiro Paulo Gaya, o professor Fábio Pessoa e o delegado João Moraes.  

Leia aqui e baixe o manifesto de lançamento de minha pré-candidatura: 



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A estratégia do PSOL é tentar pregar "voto útil" na esquerda. Não vai colar !!

Abaixo publico o pertinente comentário de leitor do blog, observando a estratégia do "dentista" de tentar desqualificar o PT enquanto maior partido de oposição de Belém, criando referência pessoal ao candidato Edmilson para pregar o voto útil na esquerda. Também faço alguns comentários sobre o processo eleitoral em Belém. 


Anônimo disse...

Cidade, é lamentável a situação de Belém. Mas, meu comentário vai na direção, de certos Cientistas Políticos com sindrome de Mulher traida. Gostariamos que os blogueiros progresistas trabalhem temas para descaracterizar comentários e ou reflexões que o PT está fadado a insucessos no próximo pleito. Afinal, na gestão pasada, o mesmo professor não fazia parte de uma equipe de staf político do Governo. O que presenciamos é tendecismo em suas análises. Que conhece o Edir, sabe sua fama na UFPA, desde os tempos de estudante, o que prevalece é seu ego de professor sabe tudo, acho que vai ficar doente por isso. Fala para o " cientista político " metido a vidente que em 2012, na capital ganhará aquele candidato que agregar maior capilariedade com o povo de Belém, sendo assim, mesmo com problemas, o PT tem uma porcentagem significativa do eleitorado, é só analisar o comportamento do eleitor nos últimas eleições. Porém terá que ter um candidato competitivo, que agregue o coletivo e busque uma nova perspectiva para Belém. Ps: Gostaria de ler no blog dele, o valor de recursos que serão gastos no governo incompetente atual...

Comentário do Blog

Concordo com você, acho que as análises do dentista são raivosas, imprecisas e, principalmente, tendenciosas, tentando induzir uma parcela do eleitorado do PT a votar no Edmilson.

É certo que a se manter esse quadro de candidaturas, que considero fortes, a tendência é que haja uma pulverização muito grande dos votos, se não vejamos:

1) O candidato do D. Costa que era carta fora do baralho, agora, sendo Almir, ganha outra dinâmica, é um nome forte com uma bruta máquina; 2) A máquina do governo terá três candidaturas: Jordy e Priante que já demonstraram bons rendimentos eleitorais em Belém e Zenaldo ou Flexa, representando o governo tucano; 3) A esquerda terá as candidaturas do PT e do PSOL.

Trabalhando  nessa linha, com essas seis candidaturas, fica evidente não só que haverá segundo turno, mas que é mero exercício de "adivinhação" tentar cravar os nomes que estarão nele.

No meu ponto de vista, acredito, qualquer que seja o recorte eleitoral que se faça, a se manter essas candidaturas, nenhum candidato "nadará de braçada" em nenhum segmento do eleitorado, como por exemplo esquerda, classe média, periferia, cultura, sindical e por aí vai. Todos serão divididos entre dois ou mais candidatos. 

Neste contexto, as votações tendem a se aproximar, acho que destas seis candidaturas postas, nenhuma terá menos de 10% dos votos e a mais votada no primeiro turno não deverá obter mais que 23% ou 25% dos votos. A disputa será portanto acirradíssima.

Quanto ao PT especificamente, a tarefa imediata é combater essa estratégia do PSOL e muito bem desenhada pelo dentista, de pregar o voto útil no Edmilson. Nesse momento, essa é candidatura que devemos combater e não podemos permitir que os votos da esquerda se cristalizem no Edmilson.

Portanto, as prévias do PT devem ser um memento de afirmação do PT e de seu projeto, não só enquanto partido de esquerda, mas fundamente como oposição ao projeto da direita e mais que isso, com um programa de governo viável e responsável, diferentemente do PSOL.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Como D. Costa conseguiu estabelecer em torno de si uma "rede de proteção" no Judiciário ?!?!?

A prefeitura de Belém foi tomada por assalto nas gestões de Duciomar Costa. É denúncia pra todo lado e pra sorte. Mas, absolutamente nada é feito, nem na esfera da política, nem na esfera do judiciário. Enquanto isso, D. Costa governa Belém com a força de uma liminar que, por certo, atravessará todo seu mandato.

Alheio a tudo e a todos, D. Costa vai impondo um dos maiores rombos que a prefeitura de Belém já viu e, para piorar, tornou a cidade um "balcão de negócios", onde tudo é possível, "negociou" mandou. Não há regras, quem manda é quem paga.

Na gestão pública, estamos diante de obras faraônicas que são "inventadas" do dia pra noite, sem o menor apreço à legalidade,  desconectadas dos macros objetivos da região metropolitana e por conta disso descompromissadas de uma estratégica maior de desenvolvimento e, além tudo, sem a menor e devida observância ambiental.

Megas projetos são simplesmente tirados de alguma prancheta, restrita a poucos, mas, mesmo assim, são rapidamente enviados a organismos financiadores e contam com o apoio irrestrito da Câmara de Vereadores de Belém, que os aprova sem o menor questionamento. Foi assim com o tal Portal da Amazônia e está sendo igualmente com o tal BRT. Como também seria com a tal Ponte "do Além" que D. Costa queria construir ligando Outeiro a Mosqueiro, que causaria uma devastação ambiental sem precedentes.

E o mais impressionante disso tudo é que estas obras vão deixando rastro de mal feitos pelo caminho sem que "ninguém" tome nenhuma providência.

Na área das construções privadas também não é diferente, estamos vendo o crescimento desordenado da capital, com obras e mais obras sem nenhum padrão, que não respeitam os limites sócios-ambientais da cidade. O Código de Postura do município é mera peça de ficção.

Agora, o que impressiona de verdade é a forma como D. Costa conseguiu se enraizar no Poder Judiciário do estado, a ponto de que todas as suas ações sejam facilmente toleradas por este Poder.

Sabemos que a influência do "Sobrancelhudo" e da "Tucanalha" no Poder Judiciário advém dos seus longos períodos de governo, que os fez responsáveis por boa parte das indicações dos seus membros, somado ao fato de que o "elitismo corporativista" do judiciário deseja evitar que a classe trabalhadora penetre em suas entranhas. Mas, de onde vem então a influência de D. Costa, que é, sabidamente, oriundo da forma mais vil de se fazer política?

Fica portanto a pergunta de como D. Costa conseguiu estabelecer em torno de si, uma extensa "rede de proteção" no judiciário?

A resposta só pode ser encontrada se recorrermos ás sábias palavras da Dra. Eliana Calmon: "há bandidos de toga atuando no Poder Judiciário". Não há portanto outra razão para entendermos as manobras e protecionismo que beneficiam D. Costa no âmbito do Judiciário, a não ser pela existência dos tais canalhas mencionados pela presidente do CNJ, razão pela qual fica claro entender o porquê da perseguição que vem sofrendo.

Blog da Ana Júlia: As eleições municipais e o futuro do transporte da...



As eleições municipais e o futuro do transporte da Região Metropolitana

A jornalista e blogueira Franssinete Florenzano publicou em seu blog nos últimos dias uma série de postagens onde denuncia supostas irregularidades na realização de licitação para a implantação do chamado Bus Rapid Transit – um sistema de transporte público nas principais avenidas de Belém. A licitação, que pode ter sido direcionada para atender uma única empresa, foi embargada na justiça por liminar da juíza Margui Gaspar Bittencourt. Esta liminar foi derrubada no dia 30.12, o mesmo dia em que a Prefeitura de Belém ajuizou recurso.

O mais interessante, contudo, é a publicação de uma mensagem cifrada no caderno de classificados de um jornal da capital no dia 27.12 anunciando o resultado da licitação, que se encontrava embargada e cujas propostas sequer teriam sido apresentadas.

Outro fato impressionante: a proposta de implantação de um sistema integrado de transporte coletivo, não apenas para a capital, mas também a região metropolitana, já foi amplamente debatida no meu governo sob o nome de Ação Metrópole. Técnicos da Agência de Cooperação Internacional do Japão, a JICA, vieram a Belém e fizeram um grande estudo apontando as intervenções necessárias para desafogar o trânsito, reduzir o tempo de deslocamento, reduzir gastos com passagens e integrar os serviços entre os municípios da região. O Sistema Integrado de Transporte Coletivo prevê a implantação de linhas troncais, operando com ônibus articulados nos corredores da BR-316, Augusto Montenegro e Almirante Barroso e nas vias do centro de Belém; de linhas alimentadoras e de terminais (Marituba e Icoaraci) e estações de integração (Águas Lindas, Tapanã e Mangueirão).

Para isso, a JICA disponibilizou uma linha de financiamento a juros baixos, no valor de 16,4 bilhões de ienes – o equivalente a cerca de R$ 320 milhões. O empréstimo foi aprovado em 01.06 pela Assembléia Legislativa. Apesar da morosidade na sua continuação, o governo Simão Jatene não abandonou abertamente a proposta. De acordo com o site da Agência Pará (clique aqui), órgão oficial de comunicação do governo, as obras devem iniciar em meados de 2013.

Então, porque o Governo do Estado silencia ante a este atentado contra a viabilização de um projeto tão importante quanto este para a região metropolitana? Segundo a blogueira Franssinete (clique aqui para ler), Jatene encontra-se pressionado por Duciomar para apoiar a candidatura de seu escolhido, Almir Gabriel. A ordem então é ignorar as medidas de Dudu e deixar rolar, para ver no que dá. Quando Jatene voltar das férias ele decide o que fazer – ou não. E o povo de Belém que pague pelas alianças atrapalhadas do Governador.

Governo Lorota troca os incompetentes. O PIG tupiniquim chama de ajuste de governo !!

As duas mudanças anunciadas pelo Lorota no secretariado do estado demonstram exatamente a situação caótica do (des)governo do Pará.

Na SEMA, antes tratada como "Xerifona", a secretária Tereza Cativo não deu conta do recado, a ponto inclusive do próprio Lorota afirmar que o Meio Ambiente não era a sua área. Na realidade a SEMA continua entregue às mesmas práticas de sempre, com o processo de corrupção sistêmico e o apadrinhamento político, como o que concedeu a empresa do secretário "escravista" Sidney Rosa a licença para operar ilegalmente no assentamento do Incra em Santa Isabel.

Contudo, a maior surpresa foi a troca no comando da PM, uma vez que o Lorota vive anunciando que a violência vem caindo no estado, que os indicadores da segurança pública vem melhorando mês a mês, então por que a mudança? Óbvio, é porque é mentira e Lorota sabe disso. Entretanto, o secretário de segurança que fez um acordo muito suspeito com a Delta Engenharia continuará no cargo.

Um ano se passou e o Pará parou. O que se viu foi muita lorota e pouco governo, nada mais !!

Cláudio Puty: Reforma tributária é estratégico neste 2012

Cláudio Puty: Reforma tributária é estratégico neste 2012: No site do PT nacional: O nosso sistema é perverso, precisa ser modificado para que seja justo e democrático O deputado Cláudi...

Governo Lorota: Quentinha de R$ 30,00; Almoço de R$ 48,00; Diária de hotel no interior de R$ 210,00. Cara de Pau do Lorota: Não tem preço !!; ...

Quem nós conta é a atentíssima jornalista Ana Célia em seu blog. Confira:

A Perereca da Vizinha: Extra! Extra! Sespa poderá gastar até R$ 14,3 milh...:


Extra! Extra! Sespa poderá gastar até R$ 14,3 milhões em eventos em 2012. É mais do que a secretaria gastou em Atenção Básica em 2010. E mais: preços unitários das refeições custarão até cinco vezes mais do que a própria Sespa pagou em 2011.


 
É incrível, mas verdadeiro: a Secretaria Executiva de Saúde do Pará (Sespa) poderá gastar até R$ 14,3 milhões na realização de eventos, neste ano eleitoral de 2012.

Só em quentinhas para os participantes desses encontros os gastos poderão atingir R$ 963 mil, para 49 mil refeições.

E as despesas com coquetéis poderão chegar a R$ 208 mil, para 8 mil convidados.

Esses R$ 14,3 milhões superam tudo o que foi gasto, em 2010, pela Primeira Regional de Proteção Social da Sespa, em Belém, com assistência hospitalar e ambulatorial (R$ 12,542 milhões).

Também ultrapassam a totalidade dos gastos, em 2010, dos hospitais de Cametá (R$ 5, 158 milhões) e Conceição do Araguaia (R$ 4,109 milhões) e das Regionais de Proteção Social da Sespa em Santarém (R$ 6,113 milhões) e Marabá (R$ 2,440 milhões).

Esses R$ 14,3 milhões superam até mesmo os R$ 10,671 milhões que foram classificados no Balanço da Sespa, em 2010, como despesas decorrentes de “Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica”, o agrupamento de gastos que engloba, dentre outros, os custos com a realização de eventos.

Esses R$ 14,3 milhões são maiores, ainda, que os R$ 12,454 milhões gastos pela Sespa, em 2010, com todos os projetos e atividades da Atenção Básica.

E mais: o valor unitário das refeições e quentinhas previstas para essa série de eventos de 2012 está tão adubado, mas tão adubado que representará até cinco vezes mais o que foi pago pela própria Sespa em 2011.

Em Santarém, por exemplo, um simples almoço poderá chegar a  R$ 55,00 – contra os R$ 10,00 pagos em 2011.

Millennium fatura quase R$ 10 milhões

O Pregão Eletrônico 113/2011 que licitou essa enormidade de eventos foi realizado pela Sespa no último mês de outubro, em Sistema de Registro de Preços (SRP).

Os eventos foram separados basicamente em dois grupos, de acordo com o número de participantes (de 20 a 60 e de 80 a 120) para os municípios de Belém e Região Metropolitana, Altamira, Itaituba, Breves, Marabá, Conceição do Araguaia, Santarém, Capanema e São Miguel do Guamá.

No caso de Belém e RMB, também estão previstos eventos na faixa de 151 a 250 participantes.

Três empresas venceram os 18 lotes licitados: a Millennium Comércio e Serviços e Informática Ltda (CNPJ: 03.861.383/0001-80); a V3 Entretenimento Locações e Turismo Ltda (CNPJ: 10.870.381/0001-13) e a JPR Serviços Especializados Ltda-ME (CNPJ: 08.087. 568/0001-01).

A maior fatia desses R$ 14,3 milhões coube à Millennium, que arrematou R$ 9,919 milhões.

A Millennium foi representada no Pregão por um certo Almir Sodré de Almeida Junior.

No site da Receita Federal consta que ela funciona na Rua da Providência, 18, no conjunto Cidade Nova 8, em Ananindeua, e tem como principal atividade o comércio varejista de equipamentos e suprimentos de informática. A realização de eventos entra abaixo de várias atividades secundárias.

Mesmo assim, ela tem hoje o nome de fantasia de “Millennium Produções e Eventos”. Tem site: http://milenet.com.br
 
De acordo com a Associação Comercial de Santarém, uma empresa com essa mesmíssima denominação possuiria endereço naquela cidade, à rua Antonio Figueiredo Cardoso, 126, no bairro do Santíssimo.

No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consta que a Millennium que venceu o Pregão da Sespa forneceu serviços de produção de programas de rádio e TV, que custaram módicos R$ 250,00, a Nerivaldo Cesar Mota da Silva, candidato pelo PPS a vereador de Santarém em 2008. Na internet,  Nerivaldo figura como vice-presidente do PPS naquela cidade.

O PPS é o partido do vice-governador do Pará, Helenilson Pontes, que é de Santarém. O secretário de Saúde, Hélio Franco, também pertence ao PPS.

Uma orgia gastronômica em ano eleitoral

A homologação do Pregão 113/2011 está publicada no Diário Oficial do Estado de 29 de novembro de 2011, caderno 3, página 8. Clique aqui:http://ioepa.dominiotemporario.com/2011/11/29/29.11.caderno.03.pdf

Ou leia no quadro abaixo:


Veja aqui, no Diário Oficial de 30 de novembro, caderno 4, página 4, a Ata de Registro de Preços 048 da Sespa, na qual constam os preços unitários dos serviços da Millennium:http://ioepa.dominiotemporario.com/2011/11/30/30.11.caderno.04.pdf

Repare que um simples lanche sai a R$ 18,00, o coffe break a R$ 22,00 e o almoço por até R$ 44,00, nos eventos para 20 a 60 participantes, em Belém e RMB.

O almoço “tipo paraense” fica em R$ 30,00 e a quentinha em R$ 20,00. 

Só em quentinhas desse tipo, aliás, a previsão é gastar R$ 200 mil, para 10 mil pessoas. No almoço de R$ 44,00 serão R$ 660 mil, para 15 mil damas e cavalheiros.

E quem imagina que quantidade maior poderia baratear o preço, está redondamente enganado: nos eventos de 151 a 250 pessoas, em Belém e RMB, o almoço vai sair a até R$ 48,00; o “tipo paraense” a R$ 45,00 e a quentinha a  R$ 23,00.

Em Santarém, em eventos de 20 a 60 pessoas, o almoço poderá chegar a R$ 55,00, e a quentinha a R$ 30,00.

Uma diária num apartamento single em Capanema está cotada a R$ 210,00.

Em Marabá, o almoço poderá sair a R$ 48,00, e o apartamento single poderá ficar em R$ 210,00. 

No último 28 de dezembro, o Diário Oficial do Estado publicou, nas páginas 9, 10, 11 e 12 do caderno 3, os preços cobrados pela V3 Entretenimento, Locações e Turismo.

Em Breves, nos eventos de 80 a 120 pessoas, a diária num apartamento single pode chegar a até R$ 160,00.

Veja aqui a Ata de Registro de Preços 050 com os preços da V3. A empresa fica no Tocantins e foi representada no certame por um certo André Corrêa Veloso:http://ioepa.dominiotemporario.com/2011/12/28/28.12.caderno.03.pdf

E veja aqui, no Diário Oficial de 13 de dezembro de 2011, caderno 3, páginas 8 e 9, a Ata de Registro de Preços 049 com os preços da JPR Serviços Especializados, que foi representada no certame por um certo Robson Aparecido de Paulo  e tem sede em Redenção:http://ioepa.dominiotemporario.com/2011/12/13/13.12.caderno.03.pdf

Aqui você confere as informações sobre a Millennium nos sites da Receita Federal, da Associação Comercial de Santarém e do TSE:


No quadro abaixo, as informações do Balanço Geral do Estado (BGE) de 2010, volume 2, páginas 453 e 454, sobre os gastos das regionais de Proteção Social da Sespa em Santarém e Marabá, citadas no começo desta matéria:


Na página 461 do mesmo volume 2 do BGE de 2010, as despesas dos hospitais de Cametá e Conceição do Araguaia:


 Veja aqui, nas páginas 548 e 549 do BGE, os gastos da Sespa, em 2010, com projetos e atividades da Atenção Básica:


E aqui, na página 553, os gastos da Regional de Proteção Social da Sespa em Belém com assistência hospitalar e ambulatorial: 

 
Refeições triplicam de valor

Agora, confira o salto do preço unitário das refeições pagas pela Sespa, a partir desse Pregão.

Como você viu, uma refeição em Santarém poderá chegar a R$ 55,00 nesses eventos.

Mas veja essas duas Notas de Empenho (NEs) pagas pela mesmíssima Sespa a dois restaurantes de Santarém em 2011 – ambos documentos que constam no portal Transparência Pará, na rubrica “Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica”.

A primeira é do restaurante David Azulay (CNPJ: 08.264.441/0001-02), que tem o nome de fantasia de “Bom Apetite” e fica na travessa Antonio Bastos S/N (AABB), no bairro do Caranazal.

A NE tem o número 03095, foi paga em 7 de dezembro e corresponde a 312 refeições que custaram R$ 3.120,00 – ou R$ 10,00 cada:

 
A segunda é a NE 02160, paga ao restaurante Mercantil Beira Rio (CNPJ: 05.913.061/0002-44), que tem o nome de fantasia de “Sabor Caseiro” e fica na rua Floriano Peixoto, também em Santarém.

A NE se refere ao pagamento de R$ 1.400,00 por 100 refeições – ou R$ 14,00 cada. E lista, também, coffe break para 100 pessoas por um total de R$ 900,00 – ou R$ 9,00 cada. Veja:


No Pregão, como você viu, o preço de uma refeição em São Miguel do Guamá poderá chegar a R$ 30,00.

Pois confira aqui duas NEs pagas pela Sespa, em julho e agosto de 2011, à Churrascaria São Miguel (CNPJ: 12.869.593/0001-06), na avenida Tancredo Neves, naquela cidade.

As NEs têm os números 00268 e 00044. A primeira tem o valor de R$ 989,00 para 86 refeições – ou R$ 11,50 cada. 

A segunda se refere ao pagamento de R$ 3 mil por 250 refeições – ou R$ 12,00 cada. Confira:


Também em Altamira os preços unitários das refeições serão turbinados por esse Pregão.

Veja a NE 00064 paga agora em junho de 2011 à churrascaria Casa Nova (CNPJ: 63.845.119/0001-85), na rua Anchieta, naquela cidade.

A nota se refere ao pagamento de R$ 1.440,00 por 120 refeições – ou R$ 12,00 cada:


Veja aqui a NE 01555 paga em julho de 2011 à churrascaria Dom Fernando (CNPJ: 05.566.781/0001-08), em Castanhal: também lá R$ 800,00 pagaram 80 refeições – ou R$ 10,00 cada. Confira:


E veja agora duas NEs pagas pela Sespa, em 2011, a dois restaurantes de Belém.

A primeira tem o número 00812 e diz respeito à empresa MC Xerfan Recepções (CNPJ: 05.332.940/0001-00),  que tem o nome de fantasia de “As Mulatas”. A nota refere o pagamento de um Buffet para 180 pessoas, que custou R$ 4.280,00 – ou R$ 23,77 cada. Veja:


A segunda, de número 00610, foi paga em 16 de setembro ao restaurante Cozinha da Fazenda (CNPJ: 05.680.571/0001-38), na Augusto Montenegro. Foram 280 refeições a R$ 2.240,00 – ou R$ 8,00 cada. Confira:


Como se vê, há algo além de camarão no vatapá desse Pregão...