BLOG DO VICENTE CIDADE

Este blog tem como objetivo falar sobre assuntos do cotidiano, como política, economia, comportamento, curiosidades, coisas do nosso dia-a-dia, sem grandes preocupações com a informação em si, mas na verdade apenas de expressar uma opinião sobre fatos que possam despertar meu interesse.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cláudio Puty - Pará discute PROCULTURA

Cláudio Puty


Pará discute PROCULTURA
Pará discute PROCULTURA
31/10/2011 10:14
Dezenas de entidades e artistas que atuam em diferentes linguagens participaram do seminário sobre o Procultura, realizado na tarde desta segunda-feira (31), no auditório João Batista, da Assembléia Legislativa do Pará (Alepa), em Belém. A iniciativa foi proposta pelo presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), e contou com a participação do relator do projeto de financiamento público para o setor cultural na Câmara, deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE).
O Procultura substituirá a atual Lei Rouanet, muito criticada pelo setor em seus aspectos distributivos. Para se ter uma idéia, em 2010, a região Norte recebeu R$ 10,5 milhões para a realização de projetos culturais; o Nordeste, R$ 39,7 milhões; já o Sudeste, R$ 854,9 milhões, de um total de R$ 1,058 bilhão.
O deputado Pedro Eugênio apresentou um quadro suscinto do atual panorama do financiamento da cultura no país e destacou que "esta é a hora de discutirmos mecanismos democratizantes”. O parlamentar reafirmou que trará “com muito carinho e responsabilidade as contribuições dadas durante esta sessão”, pronunciando-se a favor do conceito de “custo amazônia” defendida pelas lideranças da região. Ele ouviu uma série de contribuições feitas no plenário e recebeu da Comissão Técnica do Pará um documento avaliativo do projeto.
É na tentativa de mudar este cenário que o deputado Cláudio Puty tem participado de uma série de encontros setoriais e propos a realização do seminário na capital paraense, fomentando a participação de representantes de diferentes linguagens artísticas (como teatro, música e folclore), segmentos sociais (a exemplo de quilombolas, religiões de matrizes africanas, mulheres extrativistas e indígenas) e regiões do estado (como o nordeste e o sudeste).
“A audiência cumpriu seu papel, com subsídios para incorporar nossas preocupações. E é fruto de longo acúmulo no Pará”, avaliou Puty. Ele se disse satisfeito com o esforço do Minc em sistematizar dados do setor, experiência até então só notada em outros ministérios. A CFT fará debate sobre o tema com os parlamentares, em Brasília, no próximo dia 8.
Estiveram na mesa de apresentação Henilton Parente de Menezes, secretário de Fomento e Incentivo do Ministério da Cultura (Minc); Nilson Chaves, representando o Governo do Estado; Antônio Ferreira, do Conselho Nacional de Políticas Culturais; Eliana Bogéa, da Comissão Técnica do Pará.

I Encontro Mundial de Blogueiros Blog World Meeting #BlogMundoFoz #Lybi...

Tá valendo a pena dar uma passada no blog óleo do diabo, tem umas matérias bacana lá sobre o encontro mundial de blogueiros progressistas.


A Grécia é um país sem governo

A Grécia é um país sem governo



Depois de seu primeiro-ministro Georges Papandreou voltar de Cannes, onde levou uma descompostura dos seus colegas Nicolas Sarkozy, da França, e Ângela Merkel, da Alemanha, o ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, anunciava, na TV e no Parlamento, que não haveria referendo para aprovar o plano de recuperação acertado com a União Europeia.
Papandreou disse que abriria mão do referendo, caso o plano de ajuda internacional recebesse o apoio da oposição mas que ele deveria ser feito:
“Não podemos ter decisões feitas pelos mercados e não pelas pessoas. Queremos ver se como país estamos dispostos a implementar as mudanças necessárias que são na verdade benéficas”, disse.
A oposição, é óbvio, disse
Amanhã, Papandreou sobe ao cadafalso, com a votação de uma moção de confiança (?) em seu Governo.
A liderança política grega está sem legitimidade sequer para ficar de pé, que dirá para impor ao país um pacote de sacrifícios que todos reconhecem ser pesadíssimo.
Não é possível prever o que acontecerá exatamente agora, mas é possível imaginar o que acontecerá depois.
O empenho do mercado financeiro, através dos governantes europeus, à consulta popular – que ao ser convocada pelo próprio Governo se tornou palpável, e não uma palavra de ordem -  equivale a uma confissão explícita  de que o pacote de austeridade não será aplicado pela vontade democrática, mas pela imposição de governos estrangeiros e dos bancos.
A pergunta, cuja a resposta é obvia, é: isso pode suportar os anos a fio de recessão  que exige a recuperação econômica grega?

MP vai investigar desapropriação da Maternidade do Bebê.

Parece que não vai passar em branco o episódio da aquisição por R$ 40 milhões da Clínica do Bebê por parte do governo do estado. Vamos ver se desta vez o MP começa a dar uma resposta a esses tucanos que se acham donos do mundo e pensam que podem fazer o que bem entendem com o dinheiro do povo.

A postagem da jornalista Ana Célia no seu combativo blog, A Perereca da Vizinha, vai motivar a abertura de inquérito por parte do MP. Valeu Perereca, Parabens!!


MP vai investigar desapropriação da Maternidade do Bebê. Processo custou aos cofres públicos cerca de R$ 40 milhões


O Ministério Público do Estado vai abrir procedimento para investigar o a desapropriação da Maternidade do Bebê, que deu origem ao hospital público Jean Bittar e custou aos cofres públicos estaduais cerca de R$ 40 milhões.
  
Segundo o promotor Nelson Medrado, que coordena as Promotorias de Justiça dos Direitos Constitucionais e Patrimônio Público, o MP agirá de ofício, com base na reportagem publicada pela Perereca da Vizinha, tendo em vista que não recebeu até agora nenhum pedido de investigação nesse sentido.

“Eu verifiquei e não houve nenhum pedido para investigar essa desapropriação. Mas nós vamos abrir um procedimento com base na reportagem do seu blog, já que o Ministério Público não precisa ser provocado: pode agir de ofício sempre que há notícia pública de possível irregularidade”, disse ele.

Medrado não soube informar, no entanto, quando terá início a investigação, nem o tipo de procedimento que será aberto: isso dependerá do promotor a quem couber o caso, através do sistema de distribuição processual do MP.

“Vou extrair a matéria e mandar à distribuição. E vamos ver quem será o promotor que a receberá. Não sei que tipo de procedimento será aberto, porque os promotores têm autonomia e cada um é que determina as providências a serem adotadas em cada situação”, explicou.

Sobre o que achou dos fatos apontados na reportagem daPerereca da Vizinha, Nelson Medrado disse  que a primeira providência que lhe parece  necessária é requisitar o processo de desapropriação da Maternidade do Bebê, para se saber como o Governo do Estado chegou ao valor pago por aquele  hospital.

“É preciso ver se o valor é esse mesmo, se houve prejuízo ao erário ou se tudo foi realizado corretamente”, observou.

Ele disse que o MP conta com um corpo técnico, que poderá, inclusive, realizar um comparativo de preços. Além disso, pode-se, também, recorrer ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

“Há várias coisas que podem ser feitas. Tudo vai depender do promotor que ficar à frente do caso”, acentuou.

Medrado não vê problemas, do ponto de vista legal, no fato de o Governo ter desapropriado o hospital, já que tudo é passível de desapropriação pelo Estado e, no Brasil, o interesse público prevalece sobre a propriedade privada.

O problema, para ele, é realmente a necessidade de verificar como se chegou ao valor da transação.

E comenta, acerca dos itens desapropriados na Maternidade do Bebê, que incluíram até um inusitado coador de café: “”Realmente, desapropriar coador de café eu nunca vi. Mas, agora, tem de se ver como isso foi feito”.

Funcionária com DAS da Sespa trabalha na Maternidade do Bebê.

Hoje, a Perereca foi conferir a dica de um comentarista anônimo do blog e concluiu que ela, de fato, procede: há uma funcionária do Governo do Estado, ocupante de cargo de confiança na Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), cujo sobrenome é muito, mas muito parecido com o da médica Maria do Socorro Dahás Jorge de Souza, uma das proprietárias da Maternidade do Bebê.

A funcionária em questão é a médica Neila Maria Dahás Jorge Rocha, uma professora da Uepa que foi colocada à disposição da Sespa, em fevereiro deste ano, e que também trabalha na Clínica do Bebê,  na rua dos Mundurucus, junto com Maria do Socorro (e, como você viu na matéria anterior, a Clínica do Bebê da Mundurucus era a filial da maternidade que foi desapropriada pelo Governo).

Segundo os diários oficiais do estado dos últimos  14 de fevereiro e 04 de abril, Neila foi nomeada chefe de Unidade de Referência Especializada da Sespa (um DAS 3) a contar de 1 de fevereiro deste ano.

Veja abaixo, na página 7 do primeiro caderno do DOE de 14 de fevereiro; e na página 5 do primeiro caderno do DOE de 04 de abril:







Em notícia da Agência Pará, a central de informações do Governo, consta que Neila assumiu o comando da Unidade de Referência Materno Infantil e Adolescente (Uremia), vinculada à Sespa.
Aqui:

Mas só nos diários oficiais de 12 de julho (página 15 do terceiro caderno) e de 28 de julho (página 3 do terceiro caderno) é publicada portaria da Universidade do Estado (Uepa) colocando Neila Dahás, professora assistente  II, à disposição do Departamento de Saúde Integrada da Sespa, a contar de 01 de fevereiro deste ano. Veja aqui:


 
No DOE de 25 de agosto (página 1 do quinto caderno), Neila é nomeada para integrar a comissão de transição da Santa Casa, em meio à crise que levou à queda da diretora do hospital. Aqui:


Já no DOE de 20 de setembro (página 10 do terceiro caderno), consta que assumiu a Diretoria de Assistência da Santa Casa, um DAS 5:


No Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Datasus consta que Neila trabalha como autônoma na Clínica do Bebê, a razão social da Maternidade do Bebê (leia a matéria anterior). Lá também trabalha Maria do Socorro Dahás. Veja aqui:


Mas segundo promotores de Justiça ouvidos pelo blog, tais fatos só poderão configurar algum indício de irregularidade caso Neila tenha atuado em algum momento no processo de desapropriação daquela maternidade – o que, pelo menos até o momento, não parece ter ocorrido.

Para uma fonte ouvida pelo blog, o principal mesmo é o valor envolvido na transação.
“Você teria os mesmos 80 leitos hospitalares se tivesse feito um convênio entre a maternidade e o Estado e não precisaria gastar esses R$ 43 milhões”, observa.

E acrescenta: “Tem que estabelecer qual o interesse público dessa transação. E já que o governador Jatene não decretou nem emergência, nem calamidade pública, o que sobra é o interesse financeiro. Então, é preciso ver se isso foi realmente vantajoso, do ponto de vista financeiro, para o Estado”.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lula agradece pelo apoio recebido

Alô Ministério Público !!!

Mais uma.

A blogueira Franssinete Florenzano, informa a aprovação por parte da Câmara Municipal de Belém da autorização para que o Duciomar Costa possa adquirir um novo empréstimo junto ao BNDES, desta feita de R$ 430 milhões.

Como isso já não fosse muito, já que o prefeito não goza da menor credibilidade, a blogueira revela que a autorização se deu de forma tosca, completamente irresponsável (confira abaixo). Agora, outra coisa curiosa é o objeto desse empréstimo, segundo o qual serão feitas intervenções na Rodovia Augusto Montenegro e Avenida Almirante Barroso.  

Contudo, tem boi na linha, se bem me lembro, ainda no primeiro semestre o governador Lorota aprovou na ALEPA um outro empréstimo para as fases II e III do programa Ação Metrópole, programa este que custará cerca de R$ 1 Bi, lembram?

Pois é, a questão é que o objeto de umas dessa etapas do empréstimo aprovado para o governo, é  exatamente a Rod. Augusto Montenegro e a Av. Almirante Barroso. Ou seja, ou nós vamos ganhar as primeiras avenidas em "altos e baixos" do mundo, ou alguém está mentindo !!!!

Agora é fora de brincadeira, o MP tem que se pronunciar sobre o fato, estamos diante de caso de duas fontes para o mesmo uso, ou seja, uma fraude.

Por outro lado, esse episódio revela como a gestão pública da prefeitura e do governo são temerárias. Por um lado não é possível que duas esferas de governo não consigam trabalhar conjuntamente para o bem comum, "apresentando" projetos distintos para a mesma intervenção. Ou seja, o que está em jogo é quem vai gerenciar e mandar na "bufunfa".

Por fim vale a constatação de que, novamente, o governo tucano quer fazer as vezes da prefeitura de Belém, concentrando investimentos e abandonando o restante do estado. Uma vergonha !!


Câmara aprova R$430 milhões para Duciomar



A Câmara Municipal cometeu outro ato temerário, hoje, ao aprovar na base do rolo compressor, por 20 a 3 votos, empréstimo de R$430 milhões da Prefeitura de Belém ao BNDES, que comprometerá os recursos do Fundo de Participação dos Municípios para a próxima gestão. A justificativa do projeto diz apenas que é para beneficiar as avenidas Augusto Montenegro e Almirante Barroso. Não informa como o empréstimo será pago, quais os juros, o prazo, como serão licitadas as obras. Nadica de nada. Foi um verdadeiro cheque em branco nas mãos do prefeito Duciomar Costa, uma irresponsabilidade e falta de respeito para com a população, até porque ninguém explica como é que essa operação pode ser concretizada se o governo do Estado pretende emprestar o mesmo valor ao BNDES, beneficiando toda a região metropolitana com corredor de transporte, dentro do projeto Ação Metrópole, iniciado na gestão passada, ao invés de apenas duas avenidas. 

Hoje foram votados os dois primeiros artigos. O resto ficou para amanhã.

Anotem aí quem votou sim para entregar essa bufunfa a Duciomar:Abel Loureiro (DEM); Amaury Souza (PT), Antonio Vinagre (PMDB), Evaldo Rosa (PPS), Gervásio Morgado (PTB), Iran Moraes (PSB), Luiz Pereira (PR), Miguel Rodrigues (PRB), Nadir Neves (PTB), Nehemias Valentim (PSDB), Orlando Reis (PSD), Otávio Pinheiro (PT), Paulo Queiroz (PSDB), Pio Neto (PTB), Raimundo Castro (PTB), Raul Batista (PRB), Rildo Pessoa (PDT), Vanessa Vasconcelos (PMDB), Walter Arbage (PTB)e Wanderlan Quaresma (PMDB) 

Quem votou não: Ademir Andrade (PSB), Carlos Augusto (DEM) e Marquinho (PT)

Estavam ausentes: Augusto Pantoja (PPS), Henrique Soares (PMDB), Mário Correa (PR) e Tereza Coimbra (PTB)

Saíram antes da votação: Adalberto Aguiar (PT), Afredo Costa (PT), Antonio Rocha (PMDB), Fernando Dourado (DEM), José Scaff Filho (PMDB), Nonato Filgueiras (PV), Sahid Xerfan (PP) e Vandick Lima (PP).

A imprensa se cala, o MP se cala, a ALEPA se cala, OAB se cala. Todo mundo mudo. Assim é fácil parecer o melhor gestor do mundo. É muita grana e muito silêncio !!

Algumas vezes eu questionei aqui no blog os R$ 40 milhões pagos, do nada, na aquisição desse hospital novo que o Jatene desapropriou. Agora a competente jornalista Ana Célia nos brinda, mais uma vez, com mais uma das suas excelentes postagens, onde, "mata a cobra e mostra o pau".

Será que ninguém tomará nenhuma providência contra mais esse descalabro?

Abaixo republico a postagem extraída do blog da Perereca.



Hospital Jean Bitar deixa um rastro de indagações. Desapropriação de maternidade consumiu R$ 40 milhões e incluiu até coador de café. Em SP, Intermédica pagou R$ 30 milhões por hospital. No RJ, desapropriação ficou em R$ 6 milhões.

Santa Mônica: desapropriação custou R$ 6 milhões (foto: jornal O Fluminense)

Maternidade SacreCoeur, em SP: R$ 30 milhões

Hospital Jean Bittar, no Pará: R$ 43 milhões (foto: Agência Pará)

 A história toda é muito, muito esquisita, devido, principalmente, à falta de transparência.
No dia 09 de setembro deste ano, através da publicação do decreto 167 no Diário Oficial do Estado, o governador Simão Jatene desapropriou o Hospital e Maternidade do Bebê, em Belém, para transformá-lo no hospital público Jean Bittar.

As justificativas para a transação foram, de fato, consideráveis. A principal, a necessidade de desafogar o Hospital Ofir Loyola, para que se dedique apenas aos pacientes com câncer.

Além disso, ainda segundo o governo, a desapropriação foi uma maneira mais rápida e mais barata de ampliar a quantidade de leitos hospitalares da rede pública estadual.

Tudo, portanto, nos trinques e nos conformes, não fosse por um pequeno problema: até hoje não se sabe qual o critério que levou à escolha especificamente do Hospital e Maternidade do Bebê para essa “desapropriação”, que envolveu uma bolada em dinheiro público.

De acordo com as notícias veiculadas pela imprensa, o investimento no Jean Bittar chegou a R$ 43 milhões, entre aquisição do prédio e de equipamentos.

E a desapropriação de tudo o que havia no Hospital e Maternidade do Bebê, num pacote fechado, incluiu, curiosamente, até cestas de pão, farinheiras e lixeiras plásticas, um bebedouro que não funcionava e, por incrível que pareça, um inusitado coador de café.

(É, caro leitor: até um coador de café... Se você não acredita, veja aqui, nas páginas 5 a 15 do primeiro caderno do Diário Oficial do Estado de 09 de setembro:http://ioepa.dominiotemporario.com/2011/09/09/09.09.caderno.01.pdf ).

Também não se sabe se o Governo do Estado realizou algum levantamento de preços, para justificar os R$ 40 milhões pagos pelo prédio, mobiliário e equipamentos do hospital.

De igual forma, se desconhece qualquer estudo a demonstrar que a compra de um hospital sai realmente mais barata do que a construção.

Sim, porque, na prática, a desapropriação da Maternidade do Bebê foi isto mesmo: a aquisição daquele hospital com tudo dentro, sem qualquer tipo de concorrência.

Daí a pergunta: será que o governo não temeu a possibilidade de essa desapropriação ser encarada como uma tentativa de driblar a 8666/93, a chamada Lei das Licitações?

Três sócias e uma batalha judicial

Hospital e Maternidade do Bebê é o nome de fantasia da Clínica do Bebê (S/S ou S/C) Ltda,  CNPJ 83.366.500/0001-79, no caso da matriz, e 83.366.500/2000-50, da filial.

No site da Receita Federal consta que a matriz,  aberta em 29 de julho de 1993, ficava justamente na Jerônimo Pimentel, 543 (entre Dom Romualdo de Seixas e Coelho), onde nasceu, agora, o Hospital Jean Bittar.

Já a filial, aberta em novembro de 1997, funcionaria até hoje na rua dos Mundurucus, 2629.

A empresa não possui débitos previdenciários, nem está inscrita na dívida ativa da União. Mas, ainda segundo a Receita Federal, possui débitos de tributos federais, porém, com exigibilidade suspensa.

No decreto de desapropriação, Jatene menciona quatro imóveis: os números 537, 543, 267 e 271 da rua Jerônimo Pimentel.

O número 543, como já se viu, era da Maternidade /Clínica do Bebê. 

Mas também os números 537, 267 e 271 pertenciam àquela empresa, como se pode constatar pelo acórdão 74328 do Tribunal de Justiça do Estado, publicado em 04 de novembro de 2008.

Trata-se da apelação cível 200830075774 – um processo movido por uma ex-sócia que pleiteava indenização.

O acórdão resgata um pouco da história da Maternidade/Clínica do Bebê até àquela data; os valores envolvidos na compra do terreno e na construção do prédio; e refere, também, quem seriam as suas proprietárias: as médicas Neuza Lobato Rodrigues Vieira, Lury Iwasaka Neder e Maria do Perpétuo Socorro Dahás Jorge de Souza.

Ou, como são mais conhecidas nas notinhas das colunas sociais: Neuza Rodrigues, Socorro Dahás e Lury Neder.

O acórdão está aqui:

Não se sabe, porém, se, de 2008 para cá, outros sócios foram admitidos na empresa.

Perereca ainda não teve tempo (nem meios) para verificar a constituição societária da Clínica do Bebê, no cartório do 2 Ofício de Títulos e Documentos, onde estaria registrada.

Mas, no começo deste ano, colunistas sociais de Belém noticiaram a inauguração, em 11 de fevereiro, do Hospital e Maternidade do Bebê, na Jerônimo Pimentel, “com apartamentos vips e tecnologia de ponta”.

Em todas as notinhas, Socorro Dahás, Lury Neder e Neuza Rodrigues aparecem como as proprietárias da empresa.

Hospital Santa Mônica, no RJ: desapropriação ficou em R$ 6 milhões

Hospital em Rondônia: R$ 65 a R$ 80 milhões e o triplo do tamanho do Jean Bittar
  
Em princípio, o Estado pode declarar de utilidade pública, para fins de desapropriação, qualquer bem tangível. 

Em geral, no entanto, desapropriações não são bem vistas pelos empresários, que, muitas vezes, as consideram uma intervenção indevida no direito de propriedade.

Em geral, também provocam muita, muita confusão, porque a indenização oferecida pelo Estado é quase sempre muito baixa.

Veja-se o exemplo da desapropriação, em maio de 2009, do hospital Santa Mônica - um prédio de 11 mil metros de área construída, três blocos e seis andares, no centro de Niterói.

Na época, a Procuradoria do Rio de Janeiro avaliou o imóvel em cerca de R$ 6 milhões e o governador Sérgio Cabral chegou a dizer: “Não sei se os proprietários vão aceitar, mas nós vamos desapropriar”. 

No Pará, no entanto, não se tem notícia de qualquer reclamação dos donos da Maternidade do Bebê, talvez até pelo valor fixado para a indenização.

E esse é outro problema: por mais caros que sejam os equipamentos hospitalares e o metro quadrado de um hospital, ainda assim, R$ 40 milhões é muito, muito dinheiro, mesmo nesse setor.

Veja-se o exemplo de São Paulo, governado pelo tucaníssimo Geraldo Alckmin.

Matéria do portal do Estadão, no último 10 de outubro (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,saude-investe-r-40-milhoes-em-modernizacao-de-hospitais-estaduais-,783519,0.htm) relata um investimento de R$ 40 milhões, em São Paulo, para a reforma de prédios e a aquisição de móveis e equipamentos em 40 hospitais.

Tomógrafos, ultrassons e aparelhos para UTI e pronto socorro estão entre os itens que poderão ser comprados.

No Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que receberá R$ 4 milhões, o dinheiro dará, inclusive, para a compra de um aparelho de angiografia, para um laboratório de cateterismo cardíaco; ventiladores pulmonares de alta complexidade; monitores para carros de anestesia do centro cirúrgico, entre vários outros aparelhos, além de equipamentos de informática e mobiliário.

Com bem menos do que isso (R$ 30 milhões) a Intermédica inaugurou agora em setembro, no bairro da Consolação, em São Paulo, o Hospital e Maternidade SacreCoeur, com 104 leitos, 20 deles de UTI (adulto e neonatal) e equipamentos de Raios X, Ultrassom e Tomografia Computadorizada.


É claro que há hospitais bem mais caros do que a Maternidade do Bebê. Mas tais estabelecimentos são, em geral, verdadeiros gigantes.

No vizinho estado de Rondônia, o Hospital São Daniel Comboni, inaugurado agora em 8 de outubro, teria custado ou R$ 65 milhões ou R$ 80 milhões, conforme a fonte da informação (uma boa matéria está aqui, no portal Amazônia da Gente (http://www.amazoniadagente.com.br/wp/?p=6727 ).

Mas o São Daniel possuiria 23 mil metros quadrados de área construída, ou seja, o triplo dos 7.192, 50 metros quadrados da Maternidade do Bebê.  

Além disso, o São Daniel tem 200 leitos de internação, 20 deles de UTI, e casa de apoio para hospedar até 120 pessoas – contra os 115 leitos do Jean Bittar. 

No São Daniel há unidades de Cardiologia e Oncologia (com três centros cirúrgicos) e setor de hemodiálise. 

Outras notícias dão conta de que possui, também, equipamentos para exames de mamografia, tomografia e ressonância magnética, além, é claro, de serviço de radioterapia. 

Hospital do Trauma: R$ 100 mi para 22 mil metros e até heliponto (foto: Paraíba Hoje)

Em julho deste ano, Campina Grande, na Paraíba, já havia inaugurado outro gigante: o Hospital do Trauma,  um investimento de R$ 100 milhões, com 22 mil metros quadrados de área construída, 242 leitos (30 deles de UTI), estacionamento com 516 vagas, heliponto, centro de diagnóstico e atendimento em várias especialidades.

Em abril, o estado do Ceará inaugurou, em Juazeiro do Norte, o Hospital Regional do Cariri, para atender 44 municípios: foram R$ 105 milhões em investimentos, para  27.126 metros quadrados de área construída e quase 250 leitos, 20 deles de UTI; além de exames de ressonância magnética, mamografia e tomografia computadorizada, por exemplo.  

E a questão é: quanto custou o prédio?

No último 10 de agosto, o jornal O Liberal divulgou matéria informando que a desapropriação da Maternidade do Bebê estava orçada em R$ 39 milhões e que, em 60 dias, o Jean Bittar, com até 150 leitos, estaria em pleno funcionamento.

“Nós não vamos ter nenhum custo com equipamento, porque o imóvel será entregue pronto para o funcionamento. A desapropriação é uma forma mais rápida e econômica, diante da necessidade que hoje existe de criação de novos leitos na rede de saúde pública estadual", teria dito o secretário especial de Governo, Sérgio Leão. Aqui:

Porém, não é bem assim.

Em primeiro lugar, não é crível que uma maternidade possuísse os equipamentos necessários ao atendimento que será oferecido pelo hospital Jean Bittar, que realizará, inclusive, cirurgias de parede abdominal, gástrica, fígado e pâncreas, vias biliares e intestino, além de atuar, na clínica médica, em Nefrologia, Endocrinologia, Pneumologia e Cardiologia.

A própria lista de tudo o que foi desapropriado na Maternidade do Bebê, aliás, mostra isso.

E uma notícia da Agência Pará, a central de informações do Governo do Estado, publicada em 02 de outubro (Aqui:http://www.agenciapara.com.br/noticia.asp?id_ver=85615) também aponta nessa direção.

Diz ela, à certa altura, que, para o Jean Bittar atuar em tais áreas, o governo comprou oito leitos para a UTI adulto e sete de pronto atendimento, além de equipar sete salas de cirurgia, dez consultórios, os serviços de endoscopia, diagnóstico por imagem e o laboratório clínico. Menciona, inclusive, ao final, que havia um tomógrafo em fase de aquisição.

A matéria também lista os novos leitos oferecidos pelo Jean Bittar: 80, entre cirurgia geral e clínica médica; mais 23 de UTIs adulta, pediátrica e neonatal; 7 de pronto atendimento e 5 no berçário, num total de 115.

Em outra matéria da Agência Pará, publicada pelo jornal Diário do Pará, diz-se que o governo investiu no hospital R$ 43 milhões, entre aquisição do prédio e de equipamentos.http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-143190-GOVERNO+INAUGURA+HOJE+HOSPITAL+COM+80+LEITOS.html

Ora, são R$ 4 milhões a mais do que os R$ 39 milhões informados pelo secretário de Governo, Sérgio Leão, ao se referir apenas à desapropriação.

E, se para proporcionar ao Jean Bittar toda essa gama de atendimentos complexos, o Governo gastou apenas R$ 4 milhões em equipamentos, a pergunta que fica é: afinal, quanto custou ao contribuinte apenas o prédio da Maternidade do Bebê? 

A Perereca volta daqui a pouco